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E agora, Petrobrás?
04 de Agosto de 2023

E agora, Petrobrás?

O que esperar da empresa nos próximos meses?

Por Eduardo Boechat 04 de Agosto de 2023 | Atualizado 04 de Agosto de 2023

Petrobras

O governo reviu a política de dividendos da empresa na última semana. Depois de muito barulho, bravatas e acusações contra o governo anterior, o que se viu foi quase que a manutenção da grande distribuição percentual de dividendos para seus acionistas, no caso, a própria União, que é a acionista majoritária. Por que isso acontece? O governo é refém da empresa?

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Durante os governos do PT, a Petrobrás esteve envolvida em muitos escândalos de corrupção. Vários membros da antiga administração e do próprio partido (e partidos aliados) foram condenados, muitos deles presos. Enfim, um roteiro que todos nós conhecemos. Além disso, diversos investimentos foram feitos sem nenhum critério econômico claro. Orçamentos muito mal definidos. Casos inacreditáveis como a refinaria de Abreu e Lima, que foi orçada inicialmente em 2,3 bilhões de dólares. E depois de quase 20 bilhões de dólares gastos, ainda foi entregue pela metade e com atraso de vários anos. Ou o COMPERJ, no Rio de Janeiro, orçado inicialmente por 6 bilhões de dólares, que gastou 30 bi e para terminar faltam mais de 20 bi. Ou Pasadena, nos EUA. A soma de tudo isso levou a empresa a uma situação quase falimentar.

Nas gestões Temer e Bolsonaro, a empresa vendeu ativos, estabeleceu melhores critérios de governança e seguiu os preços do mercado internacional. Essas atitudes provocaram a recuperação inequívoca da empresa, que voltou a gerar lucros estupendos nos últimos anos. O principal beneficiado por isso se chama Tesouro Nacional. A empresa colocou uma fortuna no caixa da União, dinheiro que ajudou a fechar as contas e até a gerar superávit primário federal no último ano do governo Bolsonaro. Assim, a empresa deixou de ser um passivo para a administração pública, para figurar como elemento importante na geração de caixa para o Brasil, que pode ser reinvestido em educação, saúde, segurança pública e programas sociais. Enfim, no custeio da máquina pública.

A roda da história deu mais uma volta e estamos em mais um governo petista. Já vemos sinais de mais ingerência política na empresa. De imediato, voltamos a ver erros já conhecidos:

1) Preços de combustíveis sendo mantidos artificialmente muito baixos. Enquanto escrevo esse texto, a defasagem já se encontra perto de 30%. Diversas desculpas são dadas para isso. Ou que o custo de produção da Petrobras é mais baixo e em reais. Ou que parte do petróleo está sendo importado da Rússia e com desconto. O fato é que Petrobras não é a única empresa do setor. Outras empresas fizeram investimentos importantes, acreditando em regras pré-estabelecidas. Qualquer coisa diferente disso desestabiliza o mercado local e pode ser visto como quebra de contrato.

2) Empresas envolvidas nos escândalos de corrupção que estão novamente autorizadas a participar de licitações e obras da empresa. Regras de governança devem ser aplicadas para evitar novos problemas.

3) A volta da priorização do tal “conteúdo nacional”. Novamente vemos no noticiário informações sobre a construção de navios e plataformas envolvendo empresas nacionais, com custo, normalmente, bem mais caro que o importado, que já causaram tanto prejuízo a empresa.

Gosto muito das frases do escritor francês Saint-Exupéry, autor de vários livros, inclusive do clássico O Pequeno Príncipe. Já citei algumas em textos aqui nessa mesma coluna. Uma delas em especial, atribuída a ele, tenho como um axioma na minha vida: “Insanidade é fazer sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Acho que se aplica muito ao momento que a Petrobras atravessa, no qual os erros do passado estão voltando para assombrar a empresa. Em um momento que o atual governo se preocupa com aumento de arrecadação, consequente aumento de carga tributária, e que não se discutem cortes de gastos ou otimização de despesas. Resta a nós, brasileiros, questionarmos se faz sentido repetirmos a história, ou reescrever outra que talvez possa ter um final mais feliz.

O mundo é dinâmico. Temos fatos novos todas as semanas. Deixo o convite para vocês assistirem ao meu programa semanal no YouTube da ActivTrades. O programa se chama “Markets Warm Up”, onde faço literalmente um aquecimento para a semana, todas as segundas, ao vivo, às 09 da manhã. Deixem comentários, perguntas, sugestões. Vamos fazer juntos um espaço em que possamos discutir idéias e alternativas para o Brasil, além de comentar operações que possam ser lucrativas.

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