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Coluna Ozinil Martins | Quando a liderança faz a diferença!
14 de Dezembro de 2022

Coluna Ozinil Martins | Quando a liderança faz a diferença!

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 14 de Dezembro de 2022 | Atualizado 14 de Dezembro de 2022

Em 1950 0 Brasil era o grande favorito para vencer a Copa do Mundo. Porém, os políticos (sempre eles) resolveram declarar o Brasil campeão, mas se esqueceram de avisar os uruguaios que não respeitaram o anfitrião e ganharam a copa sob a liderança do capitão Obdúlio Varela; pelo lado brasileiro o crucificado foi o goleiro Barbosa que carregou a marca pelo resto de sua vida. Como sempre, na cultura brasileira, é importante achar o culpado.

Em 1958, pela primeira vez, o Brasil ganha, com méritos, o título de campeão. O técnico, Vicente Feola, segundo as más línguas dormia no banco de reservas enquanto o time passeava contra seus adversários. Áustria, Rússia, Inglaterra, País de Gales, França e Suécia foram caindo um a um para o que se convencionou chamar de “Escrete Canarinho.” Era um time com muitos líderes em campo; Bellini, Vavá, Didi, entre outros. Depois do empate com a Inglaterra os líderes se reuniram e exigiram do técnico a entrada no time de Pelé e Garrincha que eram reservas. Na final contra a Suécia, no começo do jogo, o time da casa fez o gol inicial do jogo; Didi foi até o gol brasileiro, botou a bola embaixo do braço e, veio até o meio de campo conversando com os jogadores brasileiros. O resultado final de 5 a 2 para o Brasil mostrou a importância da liderança.

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Em 1962, logo no início da copa, o Brasil perde Pelé machucado; entra o garoto Amarildo, o “Possesso,” e o Brasil é campeão pela segunda vez. Time mais maduro, com líderes que exerciam seu papel no campo e fora dele. Zito, Didi, Nilton Santos, Zagallo cumpriam seu papel no auxílio ao técnico Aymoré Moreira.

Em 1970, a maior seleção já produzida no país, trouxe a copa em definitivo para o Brasil. As feras de João Saldanha, assim eram tratados os jogadores, passearam pelos estádios mexicanos; os adversários foram caindo um a um e o mundo se maravilhava com um time dos sonhos. Liderança era o que não faltava: Carlos Alberto, Gerson, Brito, Tostão. Alguns, como Gerson, seriam, hoje crucificados pela mídia e os “politicamente corretos.” Gerson tinha o hábito de fumar nos intervalos dos jogos.

Depois deste período de vitórias o Brasil só em 1994 voltou ao pódio. Na época a liderança foi personalizada no truculento Dunga. Muito criticado em 1990 pela derrota na copa, foi escolhido pela mídia para ser o objeto de sua ira. Em 2002 a grande liderança do Brasil na Copa do Mundo do Japão e Coreia do Sul foi o seu técnico, Luiz Felipe Scolari. Ele representou o grupo que não tinha, entre os jogadores, líderes que se impusessem naturalmente.

A análise feita até agora tem a finalidade de cotejar os times de épocas vitoriosas com as derrotas nas copas de 2014, 18 e 22. Em 2014, na decisão por pênaltis com o Chile, o capitão da seleção, aos prantos, se negou a bater o pênalti, mostrando grande fragilidade emocional. Em 2018, na Rússia, o Brasil perdeu, melancolicamente, para a Bélgica, time de segunda linha do futebol europeu. Em campo se via um time abatido, sem ninguém para dar um grito, chamar o brio dos jogadores e, pelo menos, mostrar garra e luta. O fato se repete em 2022, com um time apático, cheio de nomes consagrados em seus clubes e realizados financeiramente. Seu técnico, dono de um linguajar empolado, cheio de ensinamentos e, que abandona seus liderados após um vexaminosa derrota indo esconder-se no vestiário. Quando nenhum jogador assume a liderança as fragilidades se sobrepõem as virtudes de jogar futebol. Em qualquer área humana a liderança fará a diferença nos resultados.

Será que o futebol brasileiro, em sua tentativa de imitar o europeu sem ter os requisitos necessários para isto, começa a sentir os efeitos do “politicamente correto?” Será que a busca do “homem sensível” está mostrando sua cara?

Foto:Unsplash

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