Publicidade
Coluna Ozinil Martins | O que esperar da COP 27?
16 de Novembro de 2022

Coluna Ozinil Martins | O que esperar da COP 27?

“A hipocrisia parece dar o tom nestes eventos”

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 16 de Novembro de 2022 | Atualizado 16 de Novembro de 2022

Em 1992, você deve estar lembrado, o Rio de Janeiro sediou a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento; esta conferência ficou conhecida como Eco 92 ou Cúpula da Terra.

Na época o Rio de Janeiro foi transformado em verdadeira fortaleza em função de aparato militar empregado para proteger visitantes ilustres da marginalidade que, já naquela época, transformavam o Rio em terra conflagrada.

Publicidade

Depois é que vieram as COP’s. A primeira aconteceu em Berlim em abril de 1995 e, atualmente, acontece a 27ª em Sharm El Sheikh no Egito. Situada na península do Sinai a cidade ficou famosa na Guerra dos Seis Dias, quando as forças armadas de Israel chegaram até o Mar Vermelho, ocupando toda a península do Sinai.

Pois, de 1992 para cá, quais os resultados destas grandiosas conferências realizadas sempre em ambientes livres de interferências dos verdadeiros preocupados com as mudanças climáticas? A temperatura continua aumentando, os eventos climáticos adquirem, cada vez mais, maior intensidade, continuamos assentando a economia em combustíveis fósseis, a pobreza continua a crescer em todo o planeta, mas os senhores do mundo continuam a dilapidar o planeta, que parece cansou de pedir socorro e resolveu reagir.

A hipocrisia parece dar o tom nestes eventos. Os poderosos do mundo não se movimentam em aviões de carreira, pois isto os exporia ao povo e, então, mais de 800 jatos, das mais diferentes marcas e potências, voltaram seus narizes para Sharm Ei Sheikh (vale lembrar que os aviões são um dos maiores poluidores do mundo); ah! Bom citar que o presidente eleito do Brasil também embicou para o Egito em um jato particular de um empresário complicado na Lava-Jato.

Mas, um momento hilário, não fosse trágico, mostrou ontem o governador reeleito do Pará se preparando para salvar a Amazônia. Helder Barbalho, sucessor de Jader Barbalho na Capitânia do Pará, posou de salvador dos povos indígenas da Amazônia. O estado por ele governado tem a 26ª colocação em saneamento básico; somente 6,3% dos municípios possuem rede coletora de esgoto o que atende 29% da população (IBGE). Enquanto vermos em telejornais o povo de Belém caminhando em palafitas e buscando água nos rios o governador perde qualquer credencial para falar em meio ambiente.

Outro fato importante a ser lembrado data de 2020; a expedição realizada no Ártico por cientistas de 20 países a bordo do navio quebra-gelo Polarstern, confirmou preocupações que existiam; a velocidade de descongelamento aumentou a níveis alarmantes e trouxe uma preocupação adicional com o possível ressurgimento de vírus e bactérias mortais que se encontram adormecidos. A pandemia do vírus chinês poderá ser algo risível a comparar com o que pode vir.

Segundo a ONU, na última terça feira, a humanidade atingiu a marca de 8 bilhões de habitantes. Verdade que o crescimento populacional diminuiu entre os mais ricos e cresceu assustadoramente entre os mais pobres, mas os jovens de hoje já perceberam que serão os herdeiros de um planeta em crise, vítimas que foram do descuido com que as gerações que os antecederam trataram a terra. Hora de acordar e de lutar por mudanças. Segundo o cientista James Lovelock, autor do conceito de Gaia – Terra Viva, falecido no último mês de julho com 102 anos, independente da tecnologia existente e usada a Terra sobreviverá por usar seus próprios mecanismos de sobrevivência. Parece que é o que estamos vivendo. Para pensar!!!

Foto:Freepik

WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter