As informações recebidas pelos meios de comunicação assustam. No Brasil, que vive neste momento o auge do bônus demográfico, 11 milhões de jovens entre 15 e 39 anos nem trabalham, nem estudam e, mais crítica ainda são as informações de que só 7 entre 10 estudantes brasileiros concluem o ensino médio e 500 mil jovens abandonam o estudo por ano. A pandemia só agravou o problema e os sindicatos profissionais paralisaram a Educação no país por quase 2 anos. Este custo será eterno!
O problema é complexo e crônico no país onde a Educação nunca foi prioridade governamental; as causas são inúmeras e sucedem-se governo após governo, pois parece existir um interesse em manter o povo na ignorância e assim manter o “status quo” de pessoas interessadas.
Interessante analisar os dados apresentados a partir da OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. O Brasil investe anualmente, em média, 6,6% no sistema educacional brasileiro. A média dos países que participam da OCDE é de 5,6% portanto, o problema brasileiro não é de dinheiro, de investimento. Quando comparamos resultados, o quadro que se vê é o seguinte: os 10% dos alunos pobres de Xangai (China) obtém resultados superiores, no exame de Pisa, aos 10% dos alunos mais ricos do Brasil; Pior é que, quando se compara o nível de escolaridade das populações, no Brasil somente 33% da população tem ensino médio completo enquanto a média dos países da OCDE é de 44%. O problema passa por gestão, preparação dos professores e envolvimento das famílias que, ainda não entenderam a importância cada vez mais significativa da Educação no futuro de seus filhos.
Escolas sucateadas, algumas não têm sequer acesso à água, currículos estudantis que pararam no tempo e reforçam a “decoreba” e não o aprender a pensar, a resolver problemas complexos, a colocar em prática os conceitos aprendidos; a primeira preocupação é preparar os jovens para serem bem sucedidos nos vestibulares que enfrentarão a seguir. Triste escola que se mantém no passado com professores mal preparados, formados aos milhares em cursos que não aprofundam o conhecimento e, principalmente, a prática de dar aula em tempos em que as crianças já nascem com equipamentos tecnológicos em lugar de cérebros.
No ensino superior a realidade se repete. Cursos envelhecidos e que não oferecem mais aplicabilidade, massificados através de cadernos de estudos que se perpetuam através do tempo com pouca ou nenhuma atualização, ementas ultrapassadas, lentidão do Ministério da Educação e burocracia paralisante, transformam as universidades em fornecedoras de diplomas para estudantes que não encontrarão, no mercado de trabalho, oportunidades que justifiquem o esforço (quando existe) dispendido.
Em pesquisa recente realizada por Laureate International Universities, 54% dos estudantes de curso superior no Brasil não confiam na qualidade do ensino que recebem. Na mesma pesquisa 85% dos mesmos estudantes dizem que o curso superior é imprescindível.
Conscientes do problema estão todos que se envolvem com a Educação; por que, então, nada se faz para mudar o quadro que o país vive atualmente? Vamos continuar a formar analfabetos funcionais? Vamos continuar acreditando que o país será uma potência mundial com formação inadequada de seus jovens?
Importante lembrar que a janela do bônus demográfico fecha-se em 2034. O tempo que nos resta para acumular riqueza é muito pequeno; depois a pobreza será o destino do país e seu povo. Para pensar!
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