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Coluna Ozinil Martins | As lições que o Curiosity nos ensina!
06 de Abril de 2022

Coluna Ozinil Martins | As lições que o Curiosity nos ensina!

Buscar suas habilidades e potencialidades parece ser um bom caminho!

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 06 de Abril de 2022 | Atualizado 06 de Abril de 2022

Há algum tempo tive o prazer de ler o livro escrito pelo cientista brasileiro Ivair Gontijo sobre a epopeia do envio de um Laboratório Móvel da Nasa ao planeta Marte. O Curiosity! Pousou em Marte em 5 de agosto de 2012, continua ativo e operante mandando dados significativos sobre tudo que acontece no planeta vermelho e que não escapa aos seus sensores. Mas, o que pretendo abordar nesta coluna, é como as pessoas podem fazer a diferença em suas vidas a partir de observações que se faça sobre suas potencialidades.

O caso do cientista Ivair Gontijo seria mais um exemplo do que o determinismo pode representar na vida das pessoas. Nascido no interior de Minas Gerais, as margens do Rio São Francisco, filho de um pequeno comerciante de gado, tinha tudo para seguir os passos do pai e levar uma vida inexpressiva neste universo imenso de pessoas que se espalham pelo mundo. Ao perder o pai, veio o choque com a realidade e, o jovem percebe que se quiser fazer alguma diferença no mundo teria que estudar e que o lugar em que morava não lhe oferecia as condições necessárias para seus desejos. Ligado às coisas da terra resolveu fazer o curso técnico em agricultura. Mas, não era o que queria; decidiu que faria Física na Universidade federal de Minas Gerais. Projetos e desafios depois, cursou mestrado em Óptica. Os caminhos se estreitavam para o jovem cientista que, indicado por professores da UFMG, foi para Glascow na Escócia, fazer doutorado em optoeletrônica. Toda esta trajetória transformou o cientista em responsável pelo coração do radar do robô Curiosity. Do projeto de desenvolvimento ao lançamento e operação do mais complexo veículo robótico já enviado a outro planeta lá estava o dedo e o conhecimento do menino simples do interior de Minas Gerais.

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Duas observações que entendo fundamentais no processo da gestão de carreiras nos tumultuados tempos que vivemos. Primeiro o que fica claro, em todo o processo narrativo da construção do projeto são as rápidas respostas dadas pelas várias equipes da Nasa aos problemas identificados por menor que fossem estes problemas. Identificados, alternativas de soluções eram criadas, testadas e verificadas em seus resultados finais. A prontidão, para resolver os problemas, estava ligada à janela de lançamento que, se perdida, atrasaria o projeto em alguns anos. Esta prontidão que, infelizmente, não observamos na gestão pública brasileira. Esta é uma lição a ser aprendida por gestores públicos e privados em nosso país.

A segunda observação que a narrativa do autor deixa muito clara é que o projeto funciona enquanto o dinheiro alocado responde às suas necessidades. Nem os melhores cientistas do mundo têm garantia de emprego e algumas vezes, durante o projeto, o cientista brasileiro viu-se na contingência de candidatar-se a novos projetos em função das restrições orçamentárias apresentadas. As modificações nas relações de trabalho, quer queiramos ou não, serão inevitáveis ou, talvez optemos pela legislação trabalhista que vige em Cuba. Lá todos têm garantia de emprego (os que estão empregados), recebem um salário miserável e são regidos pela cópia da Carta del Lavoro de Benito Mussolini (1943), que orientou as relações do trabalho no Brasil até pouco tempo e, que um candidato à presidência promete revogar se eleito. Importante salientar que as pessoas que querem fazer a diferença como o cientista Ivair Gontijo, se preparam, estudam e buscam caminhos não ficando a espera de milagres ou acreditando em gurus que lhes mostram os caminhos mais fáceis. Buscar suas habilidades e potencialidades parece ser um bom caminho!

 

Foto do topo: Divulgação/Nasa

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