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Coluna Ozinil Martins | A violência nas escolas é causa ou efeito?
29 de Março de 2023

Coluna Ozinil Martins | A violência nas escolas é causa ou efeito?

As consequências da precariedade com que é conduzida a educação, em todos seus níveis, cobrará um alto preço ao país

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 29 de Março de 2023 | Atualizado 29 de Março de 2023

Mais uma vez somos confrontados com a notícia de violência na escola. Uma professora de 71 anos de idade, já aposentada, foi morta por um estudante de 13 anos, segundo preliminarmente apurado, vítima de bullyng. A história se repetindo e cada vez com mais frequência!

As consequências da precariedade com que é conduzida a educação, em todos seus níveis, cobrará um alto preço ao país. Se você, leitor, começar a observar nas pequenas coisas o efeito perverso que faz a falta de educação formal, se assustará. Um exemplo prosaico vivenciado no dia a dia acontece no uso do transporte coletivo. Na capital dos catarinenses, importante salientar que Florianópolis junto com Rio de Janeiro e Porto Alegre apresentam as menores taxas de analfabetismo do país (2,3% da população acima de 15 anos – IBGE), os ônibus tem um layout padrão e isto dificulta o uso pelos usuários não alfabetizados do sistema que, pedem a parada e perguntam ao motorista o destino do ônibus, pois não sabe ler o que consta no letreiro do veículo. Isto afeta a produtividade e o custo operacional do transporte com consequência no custo da passagem. Prosaico, mas com custo!

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A violência nas escolas tem múltiplas raízes. Em Santa Catarina, recentemente, o Secretário de Educação afirmou, em entrevista, que encontrou quadros digitais e aparelhos de ar condicionado, em grande número, nos depósitos da Secretaria; o motivo: a rede elétrica das escolas não suportaria as instalações. Inúmeros foram os casos, neste início de ano letivo, em vários municípios brasileiros, de escolas que não iniciaram as aulas no período programado por falta de professores ou por estar à escola em reforma sem previsão de conclusão da obra. Esta é a prioridade que os governos dão à Educação!

Importante salientar a responsabilidade familiar no que diz respeito à violência escolar. Há pais que têm filhos apenas para os ter. É impressionante o número de mulheres no Brasil que são responsáveis pela condução de seus lares. Em setembro/2022 quase 17 milhões de famílias (de 20 milhões ususárias) que recebiam o Auxílio Brasil tinham mulheres como condutoras. Famílias desestruturadas são vítimas fáceis da violência que transita na sociedade brasileira. É impressionante o número de pais que têm filhos e atribuem ao Estado o papel de educá-los! A violência, dentro de casa, transfere-se para a escola por ser o padrão aprendido.

Outro ponto a ser considerado neste processo refere-se ao modelo escolar praticado em nossas escolas. Apesar das boas intenções das mudanças propostas no Ensino Médio parece que não deu certo, pois já há questionamentos ao modelo. Nossas faculdades continuam formando professores para a produção em série. A evasão no Ensino Médio é a mais significativa dos vários níveis de ensino. Como tornar o ensino atraente para jovens que tem no celular um contato instantâneo com o mundo? Que acessam o que o professor tenta traduzir em palavras, em imagens e com riqueza de detalhes? O desafio é imenso!

Há algo que chama a atenção neste processo e que não vejo debates a respeito. A perspectiva de futuro! Qual será o futuro que os jovens de hoje estão conseguindo imaginar? Esta semana tomei conhecimento de uma pesquisa que mostra que a Inteligência Artificial eliminará 300 milhões de empregos à médio prazo (Época Negócios). Jovens, sem formação adequada, sem orientação para o que o futuro lhes reserva, com seus sonhos e desejos a serem atingidos e sem perspectivas, serão vítimas fáceis para uma vida alternativa de crimes e violência.

Seria interessante a sociedade dar-se conta de que o futuro não será uma continuação do presente. Haverá fortes rupturas pelo caminho e a experiência de hoje de nada servirá quando o paradigma mudar.

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