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Coluna Ozinil Martins | A natureza não fala, ela reage!
24 de Agosto de 2022

Coluna Ozinil Martins | A natureza não fala, ela reage!

A mudança climática está apresentando seu cartão de visita

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 24 de Agosto de 2022 | Atualizado 24 de Agosto de 2022

Os recentes eventos climáticos que acontecem ao redor do mundo mostram a reação da natureza a anos e anos de agressões sistemáticas ao ambiente. O calor exacerbado que acontece no Hemisfério Norte é prova contundente de que a natureza está atingindo seu limite. França, Portugal e Espanha, entre outros, sofrem com grandes incêndios florestais, destruição de casas e muitas vezes vilas inteiras que são tragadas pelo fogo.

O depoimento de um agricultor espanhol, em pleno olival, mostrando as oliveiras sem um fruto sequer, alertando que o fenômeno que se repete em toda a Espanha e trará graves consequências à produção do famoso azeite de oliva espanhol neste ano; este é um sinal claro da reação da natureza afetando a economia dos países produtores e, por extensão de seus habitantes. As tragédias naturais, tão comuns em países do mundo subdesenvolvido, começam a fazer suas vítimas nos países mais avançados do mundo.

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Na França a diminuição na vazão da água dos rios ameaça a produção de energia baseada em 5 usinas nucleares, pois é provável que não seja possível, em breve, refrigerar os reatores nucleares e com isto estas usinas terão que ser desligadas.

A outra notícia impactante desta semana vem dos Estados Unidos e afeta o fornecimento de água a alguns Estados americanos. O Rio Colorado, após anos de exploração de suas águas começa a dar sinal de exaustão afetando, por consequência, milhões de cidadãos no meio oeste americano. Dois dos Estados que mais sofrem com a diminuição no regime das chuvas (o fenômeno já vem de 10 anos aproximadamente) são o Texas e a Califórnia. O governo americano anunciou um pacote de investimentos de 2 trilhões de dólares para combater os efeitos das mudanças climáticas no país.

Na China, parte do país sofre com enchentes devastadoras, em contrapartida no sul os rios sofrem com a pesada seca afetando a produção de energia elétrica obrigando a cortes sucessivos de energia com prejuízo da produção de produtos manufaturados. A agricultura também é vítima do clima e tem sua produção agrícola ameaçada.

No gigante ao sul do Equador o problema é de saneamento básico; mais de 100 milhões de brasileiros não têm em suas residências esgotamento sanitário. Imagens recentes do problema no Pará e Rio de Janeiro escancaram a ineficiência e incúria do poder público em relação ao tema. A poluição provocada nos rios pelo lançamento do esgoto “in natura” destrói o potencial de abastecimento de água além de encarecer o tratamento da água a ser fornecida à população. É muita imbecilidade poluir para depois tratar e servir água à população.

Como já é de conhecimento do leitor, o Brasil é o maior detentor de água potável do planeta; 12% de toda água potável do mundo está situada no Brasil. Só que esta água está situada longe dos maiores centro de consumo e seu transporte tornaria o produto muito caro. O Rio de Janeiro é um bom exemplo do problema: poluir para depois tratar; a bacia do Rio Guandu (formada pelos rios Queimados, Poços e Ipiranga) recebe o esgoto de 15 municípios. Estamos falando de 112 milhões de litros de esgoto doméstico despejados no sistema diariamente sem nenhum tratamento. Este é um crime que se comete no país e que atinge milhares de brasileiros com doenças evitáveis e causa prejuízos financeiros em várias áreas de gestão pública.

A mudança climática está apresentando seu cartão de visita. Como leigo que sou, apesar de muito interessado, não sei se a curva da mudança já atingiu o ponto de inflexão onde à volta se torna impossível. Se a guerra entre Rússia e Ucrânia já provocou interrupções graves no fornecimento de grãos, gás e fertilizantes imaginem as consequências produzidas pela mudança climática em relação ao fornecimento de alimentos em todo mundo. São 8 bilhões de bocas a serem alimentadas e, pelo que conheço, não há estoque regulador de alimentos na maioria dos países. O futuro mostra-se assustador!

Foto do topo: Pixabay

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