Esse mês chegou ao mercado um livro muito especial para mim. O “Upstream: como resolver problemas antes que eles aconteçam“, do Dan Heath.
Eu havia resenhado o livro quando li o original em inglês, no início do ano passado. Mas eis que a Alta Books, que já havia publicado o meu “Atitude Pró-Inovação“, convidou-me para fazer o prefácio da edição brasileira de Upstream. Tem honra maior?
Segue aqui o texto (que, segundo a editora, o autor gostou muito).
*******************************************
Sou fã de Dan Heath e não é de hoje; há muitos anos suas obras me ensinam, me orientam, abrem meus horizontes, ampliam minha visão do mundo.
Quando vi “Upstream: How to Solve Problems Before they Happen”, não pude resistir: quem não gostaria de resolver problemas antes que eles aconteçam?
Pensei que iria ler mais um livro sobre negócios e o mundo corporativo. Brilhante, porém, dentro de um contexto.
Mas, para minha surpresa, enquanto as outras obras do autor nos ensinavam preciosas lições sobre marketing, vendas, processo decisório e comportamento humano, Heath agora reúne tudo isso e vai mais além; ele nos mostra como uma visão sistêmica pode mudar completamente o rumo das coisas. Inclusive, sem muito esforço de extrapolação, da história da humanidade.
Em um momento em que nos deparamos com a ideia do extermínio da vida humana na Terra por causa das mudanças climáticas que a ocupação predatória do planeta está provocando, nada mais importante do que pensar em modo upstream.
Para o Brasil, a ocasião também não poderia ser mais oportuna; mergulhados numa crise política sem precedentes, precisamos, mais do que nunca, de uma abordagem upstream. Vacinas, políticas sociais, redução da desigualdade, preservação do meio ambiente, políticas sustentáveis, saúde preventiva, investimento maciço em educação, pesquisa e ciência, tudo isso é upstream de raiz.
Pena, que como bem lembra o autor, esforços desse tipo, além de menos visíveis, demoram mais para dar resultados; é uma visão de longo prazo. Mas quando funcionam, funcionam mesmo, de verdade, a ponto de ninguém perceber; olha o paradoxo.
A questão é que as soluções upstream são mais complexas e ambíguas na sua implementação. É muito mais fácil, prático e imediato liberar armas ou fazer um show apresentando novas viaturas. Polícia na rua é muito mais visível e o resultado aparece mais rápido. Os políticos espertos e eleitores simplórios, em especial, adoram.
Que mais e mais pessoas tenham acesso a esse livro, tão importante para o mundo contemporâneo. O célebre escritor francês Victor Hugo já dizia, há muito tempo, que quem abre uma escola fecha uma prisão.
Eu diria que se as pessoas com poder decisório lessem esse livro e colocassem algumas das lições em prática, estaríamos melhorando muito as perspectivas para o futuro do planeta. No Brasil, essa mudança de perspectiva é, na minha opinião, a única esperança possível.
Que bela contribuição de Dan Heath para os que ainda têm esperança; espero sinceramente que seja valorizada à altura.
Aproveite muito a leitura e divulgue o quanto puder as ideias aqui contidas; é a parte que nos cabe para salvar as crianças do afogamento*.
****
*Essa é a metáfora que ele usa para explicar o nome do livro. Se quiser ouvir a resenha(e a explicação) no meu podcast Minha Estante Colorida (disponível em todos os agregadores), é só clicar aqui. Vale a pena demais!

