Primeiro foi Florianópolis, que começou a despontar nacionalmente como um polo de novas empresas de base tecnológica e um diversificado ecossistema de inovação, mais notadamente a partir da década passada. Depois foi a vez de Palhoça, na esteira do incentivo a grandes empresas se instalarem no município e de iniciativas como o Inaitec e a Pedra Branca.
Nesse meio tempo, São José acabou ficando literalmente no meio do caminho – sem uma articulação oficial de empreendedores, eventos como o Startup Weekend e outras ações comuns nas cidades vizinhas.
“Muitos dos moradores da cidade que empreendiam alguma startup ou empresa de tecnologia acabavam fazendo como pessoa jurídica em Florianópolis ou Palhoça. Surgiu então uma demanda orgânica para criar um ecossistema local, impulsionado pelo próprio mercado, que sinalizava uma carência de ações, eventos e projetos”, me contou o diretor de Atividades Econômicas da prefeitura de São José, Willian Quadros. Foi aí que surgiu então a ideia do Middle Valley, o “vale do meio” (referência às posição geográfica da cidade perante Floripa e Palhoça), que pretende colocar o quarto maior município catarinense no roteiro de ecossistemas de inovação em Santa Catarina.
A cidade tem hoje 305 empresas do setor de TI, que faturam mais de R$ 650 milhões (13% do PIB local) e empregam cerca de 5 mil pessoas. Segundo Willian, as ações do Middle Valley começaram por organizar um calendário de eventos – nos dias 8 a 10 de junho vai rolar a primeira edição do Startup Weekend, com recursos do Sebrae/SC e Governo do Estado.
Em seguida, prefeitura, entidades e empresas privadas fecharam um acordo para a construção de um Centro de Inovação, que deverá ser inaugurado até o final de 2018, na avenida Presidente Kennedy, e terá operação da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE). O próximo passo é a elaboração de um plano municipal que prevê a lei de inovação, a criação de um conselho e uma série de ações de apoio, seja na redução de impostos a projetos de fomento.
Como explica Willian, há um alinhamento com as prefeituras de Florianópolis e Palhoça, em função do desenvolvimento regional: “se tivermos sucesso nos próximos anos poderemos ser a principal região metropolitana de empresas de Inovação e Tecnologia do Brasil”.
Parque tecnológico em Joinville ganha cara – e projeto
Foi anunciado na última terça-feira (22), durante evento no Teatro Juarez Machado, em Joinville, o projeto vencedor do concurso de arquitetura promovido pelo Ágora Tech Park, um parque tecnológico que será construído em uma área de 70 mil m2 no Perini Business Park, maior condomínio multissetorial da América do Sul.
O projeto do Marcos Vinicius Damon, do estúdio Módulo de Arquitetura, se destaca pela linguagem sóbria e simples, com um edifício de estrutura linear e integrado à paisagem – uma proposta low-profile, digamos assim, que condiz com o perfil discreto do setor de tecnologia local. O vencedor receberá R$ 70 mil como prêmio e um contrato de R$ 330 mil para execução dos projetos executivos. O grande volume de inscritos – concorreram 87 projetos de 15 estados do país – surpreendeu a comissão julgadora, que também concedeu premiações a outros quatro projetos e menção honrosa a mais três escritórios que participaram.
O Ágora Tech Park é a principal aposta do ecossistema de inovação de Joinville para concentrar empresas de TI, incubadoras, startups, aceleradoras, coworkings, fab labs, laboratórios e centros de pesquisas, por exemplo. As obras do parque tecnológico começam no segundo semestre deste ano e a inauguração tem data marcada: 29 de março de 2019. Segundo Emerson Edel, diretor de Operações da Perville, responsável pela construção do empreendimento: “estamos com uma boa demanda por espaços e acredito que vamos inaugurar o primeiro prédio no ano que vem com ocupação total. Devemos começar a planejar um segundo prédio ao longo de 2018”.
Em franca expansão, startups catarinenses apresentam tecnologias na Exposec
Duas startups catarinenses que apresentaram um crescimento acelerado nos últimos anos apresentaram suas soluções nesta semana em São Paulo durante a Exposec – Feira Internacional de Segurança. Uma delas é a Kiper, que tem apostado em soluções de Internet das Coisas voltada ao setor de condomínios. Em 2015, a empresa lançou uma plataforma que gerencia o acesso de moradores de condomínios à distância por meio de uma aplicativo com QR Code de acesso à portaria. Em 2017, a empresa cresceu mais de 150% e espera dobrar de tamanho neste ano, chegando a 50 funcionários.
Outra que também se destacou no evento foi a Camerite, de Joinville, que desenvolve um software na nuvem de monitoramento e gravação de imagens de segurança. O sistema “aposenta” os antigos aparelhos DVRs, que exerciam essa função de maneira mais cara e menos conectada e segura: pra chamar a atenção do público, a empresa colocou um rolo compressor demolindo DVRs durante a Exposec. O impacto da Camerite no mercado também chama a atenção: no ano passado quadruplicou o número de colaboradores e deve somar 70 pessoas até o fim de 2018.
