Austin, a cidade que deu ao mundo grandes nomes da música como Janis Joplin, Willie Nelson e o guitarrista de blues Stevie Ray Vaughan, nunca recebeu tantos brasileiros quanto em 2018. O destino é o festival de inovação em tecnologia, cinema e música South By Southwest (SXSW), que começou na sexta passada (09) e encerra no próximo domingo (18). A delegação brasileira neste ano é a segunda maior do evento e, além das startups, grandes empresas foram apresentar suas inovações nos pavilhões da capital texana.
Uma delas, a Embraer, pegou pesado: apresentou no SXSW um projeto em parceria com a Uber para disponibilizar “carros voadores” que no futuro devem estar disponíveis para os usuários. “Eles não abriram o protótipo mas afirmaram que o projeto está se desenvolvendo rápido – ainda tem questões jurídicas que precisam ser resolvidas, como a questão da propriedade do espaço aéreo”, contou à coluna o empreendedor catarinense Joni Hoppen, cofundador da Aquarela Analytics, startup de Florianópolis que desenvolve uma plataforma de DataAnalytics e foi a Austin acompanhar as novas tendências nesta área. No ano passado, a empresa recebeu investimento justamente da Embraer, por meio do Fundo Aeroespacial, para ajudar a multinacional brasileira a estruturar um projeto de indústria 4.0.
Segundo ele, os temas dominantes neste ano foram blockchain, inteligência artificial e uso de dados, mas há inovação para todos os gostos – inclusive para quem produz e gerencia conteúdo, que pode acompanhar novidades sobre o uso da “temida” inteligência artificial.
Uma comitiva representando entidades locais, como a Associação Comercial e Industrial de Florianópolis (ACIF) e a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), também desembarcou no SXSW nesta semana. O objetivo, conta o presidente da ACATE Daniel Leipnitz, é “aprender para quem sabe criar algo semelhante” na Ilha. “Acreditamos que temos todos os elementos para construir um evento dessa magnitude na cidade, envolvendo gastronomia, tecnologia, design e artes. Há dois anos algumas entidades locais sonham com essa possibilidade”, explica Daniel.
Quem acompanha a coluna sabe que esse assunto – a união entre a classe criativa e a indústria de tecnologia e inovação – é recorrente aqui. Recentemente, citei uma entrevista com a consultora Ana Carla Fonseca, que também é consultora da ONU em políticas culturais. Segundo ela, a capital catarinense está fazendo um trabalho promissor no desenvolvimento da tecnologia, mas é preciso conectar este setor ao lado cultural da cidade, o que seria “o motor da economia criativa”.
Como ela afirma, “a criatividade alimenta a cadeia de inovação”. Que venha então, em breve, o embrião para um SXSW ilhéu.
Mais conexão SC-EUA na inovação
Enquanto a ideia de fazer um festival como o de Austin em SC ainda é um sonho distante, no caminho inverso, há outras iniciativas mais consolidadas. Como o escritório da ACATE em parceria com a ACIF nos Estados Unidos, que será inaugurado na próxima quarta-feira (21) com um evento que acontece simultaneamente em Florianópolis e em Boston, onde ficará a base norte-americana das entidades.
A partir das 18h30, será feita uma transmissão ao vivo do novo escritório no exterior para o Centro de Inovação ACATE Primavera, na SC-401, com participação da equipe que ficará na base dos EUA, além de palestra com o pesquisador e consultor em inovação Hitendra Patel. A sede em Boston é um passo para tornar globais as tecnologias desenvolvidas em Santa Catarina, servindo como um apoio aos empreendedores do estado.
“Desconhecida”, startup Decora, de Floripa, é vendida por U$ 100 mi para CreativeDrive (EUA)
Uma empresa fundada em 2012 em Florianópolis por dois estudantes de Administração se tornou nesta quinta-feira (15.03) protagonista do maior negócio realizado no ecossistema de startups de Santa Catarina: a Decora, que desenvolveu uma plataforma que cria modelos de produtos e cenários 3D com tecnologias como o CGI (imagens geradas por computador), foi adquirida pela nova iorquina CreativeDrive em uma operação que deve ultrapassar US$ 100 milhões (cerca de R$ 330 milhões).
O anúncio surpreendeu empreendedores, investidores e profissionais do mercado de tecnologia em Santa Catarina. A Decora é um player discreto do ecossistema local e nunca havia recebido nenhum investimento de aceleradoras ou fundos de venture capital.
Criada por Gustavo do Valle (CEO) e Paulo Orione (CGO), a Decora abriu operação nos Estados Unidos em 2015 e oferece a seus clientes conteúdos como imagens digitais de produtos, cenários e vídeos em 360º, com uso de recursos como realidade aumentada e realidade virtual.
