Empreendedores de Santa Catarina marcaram presença nos corredores e em uma série de palestras durante a Conferência Anual da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o CASE 2018, que reuniu cerca de 5 mil pessoas entre os dias 29 e 30 de novembro, em São Paulo.
O evento é uma espécie de encontro das comunidades de empreendedorismo e tecnologia do país – com direito às bandeiras de cada estado decorando a entrada do centro de eventos Pro Magno, criando um clima informal de competitividade que ficou mais acirrado durante a entrega do Startup Awards, principal prêmio do universo das empresas nascentes no Brasil, com algumas torcidas estaduais agitando em alto e bom som o nome de seus representantes a cada categoria que era anunciada.
E nesse campeonato, os times favoritos eram os de São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina. O curioso é que, destes três, só Santa Catarina tem de fato uma coesão estadual, com o StartupSC reunindo no evento empreendedores, professores e profissionais de várias cidades: Floripa, Balneário Camboriú, Itajaí, Blumenau, Joinville e outras. A comunidade mineira de San Pedro Valley, berço de algumas das maiores startups do país, representa mais o ambiente de inovação de Belo Horizonte, enquanto o ZeroOnze, como o próprio nome deixa claro, é basicamente a turma startupeira da capital paulista. E foram eles que, por sinal, levaram o título de “Comunidade do Ano” no Startup Awards, vencendo mineiros e barrigas-verdes.
Mas Santa Catarina, que disputava 9 dos 11 prêmios, ainda trouxe três troféus: numa disputa acirrada, a ACATE levou como melhor “Coworking ou Hub de Inovação”, vencendo nada menos que o CUBO e o Google for Startups – duas referências do ecossistema de São Paulo. Na categoria Aceleradora, ganhou o Darwin Startups, criado em 2015 a partir de uma equipe ligada à Fundação CERTI com apoio de investidores-anjo, e que hoje está em Floripa e em São Paulo com financiadores do porte da B3 (leia-se Bovespa), Neoway e outras.
Por fim, a terceira estatueta foi para o “Herói do Ano”, entregue a Alexandre Souza, responsável pelo projeto StartupSC, que une: programa de aceleração e capacitação a startups (que chega a quatro cidades do estado em 2019) + os encontros da comunidade (Meetups) + organização dos Startup Weekends em SC (só em 2018 foram 16 edições, um recorde entre os estados do país) + Startup Summit, que já nasceu “nacionalizado” com apoio do Sebrae e que reuniu mais de 2,3 mil pessoas.
DESTAQUES DE SC NA PROGRAMAÇÃO
O principal encontro de comunidades de empreendedorismo e tecnologia do país – que reúne outros eventos paralelos, como um fórum de inovação para a indústria, por exemplo – destacou a consolidação do ecossistema catarinense e de algumas das empresas que mais cresceram no estado ao longo dos últimos anos, como a Exact Sales e a Resultados Digitais, de Florianópolis, e a Total Voice, de Palhoça.
CEOs e fundadores das três empresas apresentaram, no espaço da gigante norte-americana Salesforce, as estratégias, erros e aprendizados no processo de validação de seus negócios e expansão. “Quando você cresce em escala, aquilo que você fez no começo talvez não funcione mais hoje. A única certeza é que tudo vai quebrar no processo de crescimento exponencial: processos, pessoas e metodologias”, ressaltou Bruno Ghisi, CTO da Resultados Digitais e responsável por um time de mais de 100 desenvolvedores.
Em uma das palestras mais representativas da programação, que abordou a criação de comunidades empreendedoras no país, Santa Catarina foi um dos destaques, ao lado de representantes do Rio de Janeiro e do Acre – um case, por sinal, dos mais interessantes, que mostrou como os empreendedores da região amazônica se uniram para desenvolver soluções não para o mercado do centro-sul do Brasil, mas para os países andinos (Bolívia, Colômbia e Peru), que somam cerca de 30 milhões de habitantes.
“O pessoal olha para o que Santa Catarina está fazendo hoje mas isso é resultado de uma base, de um ecossistema que começou a se estruturar desde a década de 1980”, ressaltou Alexandre Souza, que representou o ambiente de inovação catarinense no debate.
O saldo do evento foi amplamente positivo para o cenário empreendedor do estado: ainda que a régua esteja subindo com relação a outras regiões do país (e o fato de ainda não termos o tão propagado “unicórnio” nascido em solo catarinense), a representatividade no CASE, os prêmios e a grande presença de empreendedores gerando negócios e conexões mostra que não se pode falar em inovação no Brasil sem inserir o ecossistema de Santa Catarina na jogada.
