Repercute nos meios de comunicação do estado a compra de um prédio pela Assembléia Legislativa do Estado de Santa Catarina no valor de R$ 83 milhões. As críticas vão desde o alto valor investido, enquanto os hospitais passam à míngua para atender o público, até o objetivo da aquisição octomilionária: a instalação da Escola do Legislativo, um serviço que não faz parte do rol de atuação prioritária e obrigatória do Poder Legislativo catarinense.
A maneira que a compra foi efetuada, com dispensa de licitação (como se fosse algo emergencial) e detalhes no edital de licitação como a distância máxima que o imóvel deveria ter em 800m do atual prédio da Alesc (o que permite especulação de direcionamento e privilégio) também tem suscitado muita controvérsia. Outros elementos estão sendo muito criticados, como o fato da grande maioria dos deputados não saberem do negócio (só a mesa diretora), o que está para desembocar em uma já anunciada CPI.
A Rede NSC não tem dado trégua ao assunto. Só no programa Bom Dia Santa Catarina já abordou tal compra cinco vezes, com direito a fortes críticas do comentarista Renato Igor, que até mesmo incitou a manifestação da OAB e do Ministério Público, bem como ressaltou que a mesma empresa imobiliária que mediou a transação, participou da compra de um prédio pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina em 2015.
É fato de que cada vez mais a sociedade exige transparência nos atos públicos. E esta propalada transparência se faz com a boa utilização da comunicação. A aquisição deste imóvel pela AL deixa claro o uso da não-comunicação ao público contribuinte e é difícil acreditar que isto não aconteceu por inabilidade – porque seria chamar os profissionais da área de incompetentes, mas com o propósito de não alardear o negócio.
Se soa escuso ou não, nem é a questão a ser abordada aqui. O que impressiona é a falta de interesse em pré-justificar a compra, tentar utilizar argumentos que convencessem a sociedade catarinense da necessidade, demonstrar que a atitude é relevante para os trabalhos da Assembléia Legislativa. É para isso que servem as teorias e os princípios da comunicação. Com muita habilidade, é possível fazer um fato que tem viés negativo parecer positivo.
Não se comunicar, no entanto, é apostar no escuro. No caso de instituições públicas cujos recursos existem somente garças aos impostos pagos pelo contribuinte, que tem o dever da ética e da transparência, optar pela não-comunicação é dar um tiro no próprio pé. Um tiro no pé pode não matar, mas tem grandes possibilidades de aleijar futuras pretensões eleitorais.
