Ao empacotar uma abordagem simples em um novo invólucro, os sociólogos de plantão conseguiram dificultar o entendimento das mensagens pelo receptor. Se você não leu, vale a pena resgatar a ideia, porque o conteúdo de hoje prossegue nesta linha…
Enquanto profissionais da mídia jornalística se debatem internamente com pequenas questões como definir se o correto seria usar o termo risco de vida ou risco de morte (ambos errados), foram engabelados pelo politicamente correto mais uma vez ao assumirem e usarem o termo “feminicídio” – uma das maiores bobagens etimológicas que já vi. Cada vez que ouço alguém da mídia utilizá-lo, dá-me arrepios. Por quê?
Simplesmente porque não há argumentação lógica para a criação e uso do termo. Exceto, claro, o brado vazio dos politicamente corretos defensores das minorias (?), que não raramente conseguem estratificar e dividir a sociedade entre nós e eles ou entre eles e os outros. Parece que o importante é redefinir, rotular e dividir. Em tempo: a interrogação separada, entre parênteses e após a palavra é mais do que justificada. As mulheres são maioria quantitativa em nossa sociedade.
Gente, “feminicídio” não existe (a não ser no “juridiquês”, mas em situação bem específica). Utilizar o termo ou é ação inocente útil de massa de manobra, ou é desconhecimento. Ou, como pregava Pierre Bourdieu (criador do conceito e do termo “massa de manobra”), a pessoa está se anulando enquanto ser histórico e protagonista deixando-se conduzir por uma ideologia dominante, ou sequer pensa no significado das palavras que diz, vomitando qualquer termo-asneira da moda.
Não há uma justificativa plausível para a criação do termo feminicídio, exceto para contrapor a expressão homicídio. Mas, se esta for a razão, para o mundo que eu quero descer. Homicídio é o designativo para “assassinato do ser humano”, “tirar a vida de um ser humano”, “destruição voluntária ou involuntária da vida de um ser humano”, “assassínio”, “assassinato”. O termo homicídio se refere ao homo sapiens, e não ao gênero masculino comumente denominado homem. Nesta linha, inventar termos como feminicídio colocaria as mulheres à margem da criação humana. Seria o mesmo que dizer que os homens são seres humanos; as mulheres não.
O respeito às mulheres, em sua condição de ser humano e do ser humano do gênero feminino, precisa ser construído na educação de base das crianças, em casa, dentro do seio familiar – e não na criação de terminologias sociológicas politicamente corretas da moda. Tratar um homicídio feminino como feminicídio não mudará em nada a cultura das pessoas em geral, muito menos daquela parcela de homens que possuem atitudes machistas. O respeito às mulheres não pode ser moda, precisa ser cultura. E não é agindo como manada, repetindo um termo bastardo como se fosse uma atitude inteligente que chegaremos lá.
Se a situação, de forma geral, já é indicativo de desprovimento de inteligência, o caso fica ainda mais sério – e pior – quando o termo é utilizado por profissionais da mídia; afinal, estes são arquitetos da palavra, precisam saber o significado (ou a falta de) daquilo que comunicam.
