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Coluna Fabrício Wolff | Floripa Comunica
06 de Fevereiro de 2019

Coluna Fabrício Wolff | Floripa Comunica

Por Fabrício Wolff 06 de Fevereiro de 2019 | Atualizado 06 de Fevereiro de 2019

As cidades têm um jeito diferente de se comunicar. Na verdade, sua gente tem maneiras diversas de mostrar o que a cidade é. Depois de 35 anos vivendo em Blumenau – uma cidade que comunica pelo trabalho, disciplina e seriedade com que encara as obrigações, coisa que admiro e introspectei em minha vida – , chego a Floripa para conhecer de verdade a “Ilha da Magia”. Claro que vim muitas outras vezes, a passeio, férias e até a trabalho, mas agora tudo parece diferente. Há duas semanas aqui, estou conhecendo o jeito de Floripa, das pessoas, dos “manézinhos”… enfim, o jeito da cidade.

Florianópolis já comunica por sua gente. Como gostam de falar; como são simpáticos! Claro, toda regra tem sua exceção, mas aqui é exceção mesmo. Quem mora aqui gosta de conversar, inclusive com “estranhos” como eu. Cumprimentam, informam, brincam contigo até mesmo na fila do caixa. Dia desses estava fazendo compras num mercadinho ao lado do condomínio, quando ao efetuar o pagamento a moça do caixa disse “obrigado”. Devolvi o agradecimento com outro “obrigado”. A senhorinha que estava atrás de mim na fila, com todo jeito de nativa, já com mais de seus 70 anos, soltou um “e ainda quer brigar?”… e pôs-se a rir.

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O povo de Floripa comunica bastante. Pergunta, responde, interage. Em poucos dias já me senti em casa. É agradável, é divertido. E não precisa ser nativo. Quem vem para cá entra na onda e também interage bastante. Gaúchos (tem em penca aqui e, sabe-se, gostam de uma prosa…), nordestinos, gente de todos os cantos de Santa Catarina… aqui todo mundo gosta de falar. Parece que aqui o papo flui leve, solto. Bem mais do que o trânsito em alguns horários, claro. A turma já me avisou que vai piorar. “Espera só a volta das aulas”, ameaçam. Espero, sim.

O povo de Floripa comunica fácil que é a cidade mais cara do estado. Experimente contratar um serviço. Pronto. Você já vê a diferença. Provavelmente o profissional prestador de serviço cobra pelo fato de você tirar a oportunidade dele estar na praia (rssss). Mas o povo de Floripa comunica também que você é bem vindo. Tudo bem que, às vezes, numa linguagem “istepô” que fica até difícil compreender de tão rápido saem as palavras. Viver no bairro João Paulo é experimentar um tanto disso. Segunda maior colônia de pescadores da ilha, segundo os nativos daqui se orgulham em dizer, são eles, os pescadores, que disparam tantas palavras em tão pouco tempo que mais parece um dialeto. Quase mais fácil entender russo (brincadeirinha…).

Talvez seja possível explicar esta natural interatividade comunicativa pelo próprio astral da cidade. Em cada canto é possível vê-la comunicar suas belezas naturais com tanta exuberância, que é difícil não se encantar. Tudo bem, Floripa tem (muito) mar. Mais de meio caminho andado para deixar tudo mais bonito, tudo mais visualmente agradável. Mas esta beleza também
comunica, como se quisesse encantar através da magia, como se quisesse conquistar pelo canto da sereia. Ela te chama, convida-te para olhar, dançar, sonhar. As belezas de Floripa falam com os nossos olhos e escorregam para o coração. Combinam com sua gente.

A cidade respira, pulsa… e se comunica. Se você puder ver um por de sol assim, como o das fotos, já foi fisgado. Se puder ver este por do sol várias vezes, dia após dia, foi conquistado. Floripa é assim, como sua gente. Comunica e, comunicando, conquista.a

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