Quem está acompanhando os programas eleitorais gratuitos de rádio e televisão, deve pensar que está vivendo um “revival” de campanhas anteriores. O Brasil está mudando, a sociedade está mudando, o eleitor está mudando… mas parece que os políticos, não. Os programas eleitorais e os discursos de políticos em debates, sabatinas ou entrevistas continuam os mesmos: prometem solução para as mazelas da população, muitas vezes sem dizer como e em outras esquecendo que já tiveram oportunidades e não fizeram. Alguns ainda insistem na tática marqueteira de atacar o outro candidato.
Este tipo de comunicação enganou, por muitas eleições, o eleitorado brasileiro. Porém, esta manjada estratégia de discurso está no rol dos atos políticos que o eleitor abomina. O cidadão brasileiro, contribuinte com o pagamento de tantos impostos, não tem mais paciência para enganações, mentiras, propostas de dificílima execução e lavação de roupa suja em cadeia nacional. Sem dúvida esta é uma das razões pelas quais os votos nulos e brancos prometem bater recorde nesta eleição. Alie-se a isto candidatos investigados, alguns réus, as notícias recorrentes de corrupção, o desencanto com a economia e os serviços públicos ofertados e pronto: está aí a fórmula para o descrédito dos políticos.
Aproveitando que os velhos políticos estão com alto índice de rejeição, muitos novos candidatos (a maioria deles com as mesmas práticas da velha política; alguns deles, não) se apresentam com a “marca” da renovação. Mais uma vez o eleitor precisa estar muito atento, pois este rótulo é de fácil aplicação teórica, mas difícil comprovação prática. Nesta seara há de tudo. Políticos de início de carreira, com um mandato ou várias candidaturas frustradas nas urnas, mas que utilizam condenáveis ações para alcançar seus resultados, até os que não têm gabarito intelectual para concorrer a uma eleição para cargos tão importantes.
Diante de tudo isso, os horários eleitorais gratuitos de rádio e televisão tornaram-se praticamente obsoletos. O eleitor que quiser realmente conhecer um candidato tem a internet como aliada. Só não pode esquecer que a pesquisa deve ser profunda. Muitos têm rabo longo com a entidade profissional em que atuam, tretas insidiosas e desrespeitosas com o público nos Facebooks da vida, e até ficha de processos contra si. Aplicativos recentemente lançados sobre a vida pregressa dos candidatos, também pode auxiliar na decisão. Como cada vez menos vale a palavra do candidato/político, pesquisar sobre eles com profundidade pode ser uma boa oportunidade de mudar o quadro que aí está sem comprar gato por lebre.
A comunicação pode ajudar muito o eleitor ativo, aquele que busca informações. Até porque a comunicação passiva dos programas eleitorais e até de sabatinas ou debates, onde o político fala aquilo que lhe convém a um eleitor inerte, parece estar com os dias contados.
