
Rogério Caetano em Florianópolis | Crédito: Sabrina Stahelin
Rogério Caetano, premiado virtuose e referência no violão 7 cordas, esteve em Florianópolis para ministrar um workshop voltado para o instrumento. Na oportunidade, ele abordou seu método, “Sete Cordas, Técnica e Estilo”, criado em parceria com o compositor e arranjador brasileiro, Marco Pereira. Depois, ele ainda fez um show em que apresentou peças solo de sua autoria e outras músicas do repertório brasileiro.
O músico, compositor, arranjador e produtor musical, indicado ao Grammy Latino de Melhor Álbum Instrumental de 2021 (pelo disco Cristovão Bastos e Rogério Caetano, com Cristovão Bastos), tem 11 álbuns e é um dos expoentes do violão 7 cordas na atualidade. Parceiro de músicos como Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, Marco Pereira e Eduardo Bastos, entre tantos outros, Rogério vem difundindo a sua arte no Brasil e no exterior, e conversou com a Coluna Entretenimento sobre seu trabalho.
Leia a entrevista e já fique atenta(o), porque o músico tem convite para voltar e se apresentar por aqui em breve.
Rogério, como foi fazer o concerto e o workshop aqui em Florianópolis?
Fazer o workshop em Florianópolis foi maravilhoso. É a segunda vez que realizo um workshop na cidade. A primeira vez foi quando eu participei do festival Floripa Instrumental, em 2014, e dessa vez foi melhor ainda, porque tinha mais pessoas que já tocam muito bem. Então, para mim, foi uma alegria poder ter a oportunidade de trocar ideias e informações sobre música com as musicistas e os músicos de Florianópolis. Eu fiquei muito feliz!
Como começou seu interesse pelo violão especificamente e como você foi conquistando essas parcerias?
Então, eu comecei a tocar muito novinho e meu primeiro instrumento foi o cavaquinho, aos seis anos; aos sete, eu já tinha um repertório de choros, muita coisa do Waldir Azevedo principalmente, Jacob do Bandolim, Pixinguinha… e, a partir daí, passei para o violão de sete cordas, ali pelos 11/12 anos e fui direto para o violão de sete cordas de aço. Desde então eu toco esse instrumento que é o instrumento da minha vida, meu xodó com a música brasileira é o som desse instrumento tão nosso, né?!
Como é o desenvolvimento da música instrumental brasileira aqui no Brasil mesmo?
A música instrumental no Brasil, atualmente, é bastante difundida. Existem vários festivais que trazem uma efervescência de artistas desse segmento com uma qualidade muito grande. Tem uma geração de músicos e musicistas realmente muito especial. Então a música instrumental brasileira é fortíssima, com certeza uma das expressões musicais mais fortes do mundo é a música instrumental brasileira.
Qual é a importância da música instrumental brasileira para o mundo? Você já fez parcerias internacionais também?
A música instrumental brasileira tem características muito próprias. É de uma riqueza harmônica muito grande e, atualmente, todos os músicos improvisam, são compositores, são produtores dos seus próprios trabalhos, então ela é muito respeitada internacionalmente. Vários músicos de outros países fazem intercâmbio aqui no Brasil com os músicos brasileiros, e quando a gente toca lá fora, eu já tive a oportunidade de ir várias vezes para a Europa e para os Estados Unidos, a plateia é sempre repleta de grandes músicos, porque eles respeitam os instrumentistas brasileiros e a nossa música. O que apenas reforça o fato de que a música instrumental brasileira tem uma força muito grande e é altamente respeitada fora do Brasil.
Já fiz algumas parcerias internacionais, sim! Tenho uma música feita em parceria com o Antoine Boyer, um violinista francês maravilhoso; gravei também com Yotam Silverstein, um guitarrista israelense muito craque… enfim, tenho grandes amigos reconhecidos mundialmente e é sempre um prazer encontrá-los e, quando possível, fazer parcerias com eles.
A música instrumental, em geral, ainda fica restrita a um público de classe social específica? É possível ampliar esse público?
Eu acho que a música instrumental brasileira tem alcançado grandes espaços nesses festivais que, geralmente, abrangem um número grande de pessoas. Mas, infelizmente, uma realidade é que a música instrumental brasileira não é difundida nos veículos de massa.
Por outro lado, eu acho que a música tem que ir aonde o povo está. Para fazer este movimento, eu participo de um projeto muito bem sucedido aqui no Rio de Janeiro, que se chama Choro na Rua, que tem uma importância social para a cidade do Rio de Janeiro enorme. O projeto acontece na Praça Santos Dumont já teve público de mais de cinco mil pessoas assistindo às pessoas tocando choro; em Niterói também, as apresentações são sempre lotadas, muita gente curtindo os shows, as pessoas se emocionam, choram, riem, dançam, aplaudem… então é música para se ouvir, para dançar para aplaudir!
Sempre que as pessoas têm acesso a este estilo de música, elas vão curtir, porque é uma música maravilhosa, que cativa a todos.
E quais são seus próximos trabalhos? Quando pretende voltar para Florianópolis?
Então entre os meus próximos trabalhos, vai sair um que já está gravado, que é exatamente do Choro na Rua, pela gravadora Biscoito Fino; tem um projeto também em homenagem ao Waldir Azevedo que eu vou gravar em parceria com o violonista Gian Correa, de São Paulo; e tem um trabalho meu, autoral, novo, que eu quero fazer que vai se chamar Regional do Caetano, que é um grupo instrumental, na realidade um quinteto, formado por mim no violão de sete cordas, o Luis Barcelos, no Bandolim de 10 cordas, o Marcos Tadeu na percussão, a Sheila Barros também na percussão e a Ana Rabelo no cavaquinho.
Ah, eu quero voltar para Floripa o mais breve possível! Gosto muito dessa terra, onde me sinto tão bem, tenho amigos e parentes aí! Inclusive recebi novo convite para participar do Floripa Instrumental e assim que rolar a confirmação de quando vai ser, com certeza será uma alegria voltar a tocar e visitar Floripa!
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