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Coluna Entretenimento | Entrevista Ivanir Cella sobre a Feira do Mel de Santa Catarina
09 de Maio de 2023

Coluna Entretenimento | Entrevista Ivanir Cella sobre a Feira do Mel de Santa Catarina

Aproximar produtores e consumidores. Este é o propósito da tradicional Feira do Mel de Santa Catarina, que estará no Largo da Alfândega de 10 a 13 de maio. Confira a entrevista!

Por Entretenimento 09 de Maio de 2023 | Atualizado 09 de Maio de 2023

Começa amanhã a tradicional Feira do Mel de Santa Catarina

De amanhã (10/05) até sábado (13), o Largo da Alfândega, no centro de Florianópolis, será palco para a 22ª Feira do Mel de Santa Catarina que receberá 23 estandes somente com produtos catarinenses.

Serão mais de 30 marcas de produtos e uma grande diversidade de tipos de méis, distribuídos em 23 estandes. Melato de bracatinga, cosméticos, bebidas e tantos outros produtos estarão no evento que tende a ser um passeio doce.

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A Coluna Entretenimento conversou com o presidente da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), Ivanir Cella, sobre o evento que não apenas é uma opção de entretenimento como também é um mercado que movimenta muito o setor financeiro.

 

Feira do Mel de Santa Catarina

Tradicional Feira do Mel de Santa Catarina | Foto: divulgação

 

Confira a conversa, divirta-se e delicie-se!

Santa Catarina está muito à frente do Brasil em termos de produção de mel. Por que essa diferença e como se deu a cultura do mel no estado?
Realmente o estado produz mais mel por quilômetro quadrado, em relação ao Brasil. É uma média de 68 kg/km², em Santa Catarina, contra 4,8 kg/km² do país.

O que acontece aqui é que os povos indígenas locais celebravam as abelhas nativas e, mais tarde, outras espécies vieram com os imigrantes europeus. Sendo assim, temos uma tradição muito grande de produção de mel.

A tribo do Morro dos Cavalos têm as abelhas como deuses, inclusive por conta do tratamento que eles fazem para a saúde; entre os indígenas de Ibirama, por exemplo, apenas o pajé pode criar abelhas, pois elas são consideradas um animal sagrado.

Aliás, as abelhas são insetos sociais junto com as formigas, os cupins e as vespas. São comunidades de 60/80 mil indivíduos que precisam realizar tarefas de acordo com suas faixas etárias e sua hierarquia. Talvez essa característica do animal também se reflita na forma como acontece o associativismo na apicultura, que (no mundo!) só perde para a igreja e o futebol.

Santa Catarina implementou uma associação desde a década de 1950 fomentando a atividade pelo estado, isso fez com que a Epagri conseguisse uma participação de destaque e fortalecesse o setor. Os associados se ajudam e buscam muitas alternativas de divulgação de seu trabalho.

 

E qual a expectativa para a 22ª edição da Feira do Mel, que começa amanhã (10/05)?

São as melhores expectativas possíveis, neste ano a feira será ainda melhor que nos outros anos com a participação de mais produtores. Mais de 200 produtores de mel de Santa Catarina estarão representados com a participação de sete associações de produtores que têm unidades de envase coletiva. Isso significa que teremos méis de todas as microrregiões do estado.

A feira estadual, tradicionalmente, é feita em Florianópolis, mas cada cidade ou região também faz sua própria feira ao longo do ano.

 

Eu vi que estudantes da UFSC vão participar do evento dando dicas para identificar mel falso. O que é mel falso?

Na verdade é o falso mel. É interessante notar que o mel é uma das commodities mais falsificadas, inclusive historicamente falando, e daí vem o medo de muitas pessoas em consumir o mel, já que muitas usam como remédio mesmo.

O que eles fazem, em geral, é uma calda de açúcar misturada com glicose de milho para dar consistência. Depois de envasar o conteúdo e colocar um rótulo falso, vendem como se fosse mel.

A realidade é que existem pessoas que criam mel por conta própria e existem algumas leis que legalizam a produção autônoma de mel, mas o Ibama ainda está regulamentando. Mesmo para consumo próprio, o registro da criação nos órgãos competentes é o mais importante.

Já para a comercialização, de acordo com a legislação brasileira e mundial, o produto precisa ser inspecionado.

Na Feira do Mel, garantimos que todos os produtos são mel de verdade.

 

Qual é a diferença entre apicultores e meliponicultores?

Os apicultores são criadores da abelha apis mellifera, espécie vinda da Europa que foi cruzada com outra espécie vinda da África. Esse inseto usa o ferrão para a defesa de inimigos naturais, o que é importante para sua sobrevivência, mas dificulta o manejo.

Já os meliponicultores são os criadores das melíponas, abelhas sem ferrão, também conhecidas como indígenas ou nativas. Por não causarem nenhum acidente, como a que tem ferrão, é mais fácil o manejo.

 

Como surgiu a ideia de fazer uma feira que envolvesse tantos produtores?

A feira surgiu para aproximar o consumidor do produtor, pois o produtor precisa agregar mais valor à sua produção para além de vender para o supermercado. Por outro lado, o consumidor também prefere pagar um pouco menos do que ele paga para o supermercado.

O mel ainda é considerado um produto de quitanda e as pessoas acabam sentindo falta daquela característica colonial do mel. Durante a feira, elas percebem – dentre as mais de 100 variações de méis – que o produto tem as características originais/regionais mantidas.

 

Quando é a próxima edição da Feira do Mel?

Nossa feira presencial acontece sempre no mês de maio, no primeiro ou no segundo final de semana; mas desde o ano passado também temos a Feira Virtual do Mel que é de 1 a 30 de setembro.

Pelo site, que ainda será criado e disponibilizado, os consumidores de todo o Brasil podem acessar e conhecer todos os produtores. As pessoas podem comprar também, mas o volume de venda é feito na feira presencial mesmo.

A importância da feira online é a divulgação do produtor para todo o Brasil. Os consumidores podem consultar as marcas que estão no site, que são todas certificadas pelos órgãos competentes.

Fica o convite, então, para as pessoas conhecerem a Feira do Mel, prestigiarem os produtores aqui de Santa Catarina com a certeza de consumir, em primeira mão, uma das commodities que mais movimentam o mercado em exportação.

 

A organização é da Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (Faasc), Epagri, Sebrae, Senar, UFSC e prefeitura de Florianópolis. A feira conta com o apoio da Secretaria de Estado da Agricultura.

 

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