Publicidade
Coluna Entretenimento | Entrevista Catalina Delgado, sobre o universo do samba
31 de Maio de 2023

Coluna Entretenimento | Entrevista Catalina Delgado, sobre o universo do samba

Samba é o tema de pesquisa do grupo de estudos de Catalina Delagado, que se apresenta neste domingo e, na terça-feira, receberá Tião Carvalho

Por Entretenimento 31 de Maio de 2023 | Atualizado 02 de Junho de 2023

A 2ª edição do projeto “Universo do Samba” encerra no próximo domingo com apresentação de Samba de Roda e Roda de Samba do grupo de estudos sobre o tema, liderado por Catalina Delgado e Felipe Bischoff.

 

Publicidade

Universo do samba

Grupo de estudos sobre o samba e seus subgêneros | Crédito da imagem: Sabrina Stahelin

 

Antes de significar um gênero musical, a palavra samba refere-se a uma festa, uma manifestação, uma comunidade, um encontro entre pessoas. Como explica a jornalista, pesquisadora de cultura popular e produtora cultural, Catalina Delgado, as pessoas não dizem que vão para um show de samba, “nós simplesmente vamos ao samba e, nessa frase, entendemos que vamos para a festa, a celebração conhecida como samba”, observa.

E foi a partir da curiosidade crescente sobre esta manifestação que é o samba que ela e o músico Felipe Bischoff deram início ao grupo de estudos sobre a festa que também é um gênero musical com muitos subgêneros.

Acompanhe o bate-papo com Catalina e saiba como surgiu o projeto “Universo do Samba”, que encerra sua 2ª edição no próximo domingo (4) com Samba de Roda e Roda de Samba, em frente ao Bar do Noel, no centro de Florianópolis, a partir do meio-dia.

 

Como surgiu o projeto “Universo do Samba”, que teve a 1ª edição em 2021?
Ainda durante a pandemia, quando os encontros ficaram mais flexíveis, começamos a nos encontrar com alguns poucos amigos para tocar e estudar Samba de Roda. Conforme íamos pesquisando e lendo sobre, a vontade de nos aprofundarmos foi crescendo coletivamente.

Fomos percebendo que não existem apenas os sambas Carioca, de Roda, Maxixe… é um universo quase infinito de estudo com muitos subgêneros. Depois que engravidei, senti um impulso ainda maior para continuar escrevendo o projeto.

Com a ajuda da Natalia Poli e o estímulo de todo esse universo se mostrando para gente, no nosso grupo de estudos que já estava com 10 alunos escrevemos o projeto que foi aprovado no edital Elisabete Anderle em 2021 e executado em 2022, e a segunda edição do edital no ano seguinte e que encerramos oficialmente no próximo domingo.

 

Você cita muito os mestres do samba. Quem são essas pessoas?
Quando escrevemos o projeto, pensamos muito na importância de dar reconhecimento a estes mestres e mestras da cultura popular. São pessoas que não têm o reconhecimento que devem ter, que trabalham com serviços diversos, porque não conseguem viver da cultura popular, da sua arte.

As nossas referências são nossos professores mesmo, como o mestre de capoeira que, de certa forma, é o berço do samba, e do mestre de samba mesmo.

Fazemos questão de citar eles e ter a presença deles nos grupos de estudo e apresentações, para que eles compartilhem suas experiências na dança, na percussão e nos diferentes subgêneros do samba.

 

Quem vocês trouxeram para estas duas edições do projeto?
Organizamos em 12 encontros para cada uma das edições. Para o ano passado, estudamos o Samba de Carnaval com o mestre de bateria Fabrício, Samba de Roda com os mestres Teo e André, aula de dança com a Simone Fortes.

Quando percebemos a diferença que foi ter esse professores junto nos dias de estudo, resolvemos trazer um mestre fixo. Então, neste ano, o mestre Teo de Barros dá início a todos os encontros. Durante a primeira hora, ele apresenta os batuques da Capoeira, do Congo de Ouro, Samba de Roda e compartilha suas experiências.

Ele, que é de Pernambuco, representa muito a figura do mestre mesmo, por sair dos padrões acadêmicos e ser um músico da cultura popular.

Nesta segunda edição, recebemos, também, a Dessa Ferreira, pesquisadora de Brasília, residente em São Paulo, que trouxe uma discussão com textos e bibliografias sobre o samba caboclo, indígena, usando como exemplo o Samba de Coco.

 

Grupo de estudos sobre o universo do samba | Crédito da imagem:
Sabrina Stahelin

 

Como se dá o estudo da música e seus subgêneros, na prática?
Depois da conversa com o mestre Teo, temos um momento de troca sobre os estudos dos materiais que lemos, ouvimos ou assistimos durante a semana e nos dividimos para estudar um subgênero que escolhemos para aquela semana, sendo que o estudo da percussão fica comigo, da harmonia com o Felipe e das melodias com Angela Coltri.

Ao final, reunimos todos novamente, para tocarmos juntos e entendermos o resultado dos estudos.

A cada encontro, que é semanal, temos três horas de estudo, mas é comum que a gente acabe passando desse tempo estabelecido.

Nestes encontros, estudamos muito o Choro Sambado, que é um subgênero que, em princípio, não parece que vem do batuque, né? Mas o Pixinguinha, morava em uma pensão e atrás dessa pensão, tinha a casa das tias, que era um terreiro de candomblé. Então ele não ficava apenas fazendo/estudando o choro, ele também ia fazer sua batucada e trazia a influência do batuque para a sua música.

Assim, tudo se misturava e, por isso, temos tantos subgêneros no samba. Todas essas influências foram criando os mestres do samba e os subgêneros dessa música que surge como um encontro.

Já somos mais que um grupo de estudos, porque criamos laços de amizade e parceria. É um movimento mesmo, acabamos cozinhando juntos e compartilhando nossas vidas.

 

Essa proximidade que vocês criaram e a possibilidade de estudar um movimento como o samba, traz algum resgate do início da história do samba?
Sem dúvidas! Esse ambiente que criamos nos remete muito às tias e às vovós, as mulheres que lá nos séculos XIX e XX faziam a festa acontecer mesmo.

Elas sediam suas casas, organizavam o espaço e cozinhavam, para que os homens pudessem tocar tambor, pandeiro… os instrumentos do samba.

Atualmente as funções são divididas, porque a mulher está ocupando papéis também na parte musical e os homens também cozinham e organizam as festas.

 

Uma mudança importante como um todo, né? Vocês têm um material muito rico de estudo destes dois anos de projeto. Além da apresentação, quais são os planos com todo esse material?
Temos sim, já estudamos nove subgêneros do samba e temos a vontade de documentar todo esse conhecimento de forma escrita e/ou audiovisual, porque realmente é muita coisa e não existe muito material documentado nessa área.

Ainda vamos tentar fazer mais esse projeto, mas ainda é uma demanda a ser desenvolvida, porque é muito trabalho mesmo e temos que considerar nossas logísticas e organização para dar conta do que nos propusermos a fazer.

 

Onde aconteceram estes encontros? Qualquer pessoa podia participar?
No ano passado fizemos na Lagoa da Conceição e no Monte Cristo. Neste ano está concentrado no Instituto Arco-Íris, que fica no centro.

Esse lugar acolhe diferentes projetos que trabalham com cultura popular, reabilitação, projeto para idosos e pessoas em situação de rua.

Foi uma experiência muito enriquecedora estar no Instituto, porque durante os encontros pudemos acolher diversos públicos que o frequentam, mesmo que de forma passageira. Tivemos pessoas que compartilharam histórias e experiências que foram enriquecedoras para o grupo, inclusive para cada um sair da sua própria realidade mesmo e enxergar outras realidades.

 

E qual o reflexo desses encontros e trocas na vida das pessoas que participaram?
Ah, temos vários! Tem quem já esteja criando seus próprios projetos, outras pessoas que se reencontraram com a música, quem vai para se sentir confortável e acolhido. Em geral, os participantes agradecem muito todo o aprendizado de vida mesmo que o projeto acaba proporcionando.

 

O que podemos esperar da apresentação de domingo, no centro?
Vamos apresentar seis músicas que estudamos ao longo do desenvolvimento do projeto e algumas da primeira edição, porque conta a parte histórica do samba e do projeto.

Escolhemos encerrar oficialmente com uma Roda de Samba, liderada pelo mestre Teo, e um Samba de Roda, do mestre André Farias, um dos precursores do subgênero em Florianópolis, que traz o estilo tendo sua origem no terreiro, embora existam diferentes vertentes para o subgênero.

Mas, como um bônus para as pessoas que participaram do projeto ou quem tiver interesse, na terça-feira (6/6), vamos receber o mestre Tião Carvalho, que vai encerrar os encontros do grupo de estudo com uma oficina. Foi uma parceria linda que surgiu há pouco tempo, então pedimos uma contribuição para quem for participar, para conseguir cobrir parte dos custos dele.

 

Grupo de estudos sobre o samba e seus subgêneros | Crédito da imagem: Sabrina Stahelin

 

Fica o convite para todos irem prestigiar a apresentação e sentir toda essa energia que compartilhamos durante nossos estudos e queremos passar para vocês também! O evento é gratuito.

 

Crédito da imagem em destaque: Pixabay

 

Envie sugestões de entrevista para [email protected].

WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter