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Coluna Eduardo Boechat | E… Mais um ano que começa
02 de Janeiro de 2023

Coluna Eduardo Boechat | E… Mais um ano que começa

Quais são as perspectivas para 2023?

Por Eduardo Boechat 02 de Janeiro de 2023 | Atualizado 02 de Janeiro de 2023

 

Todo fim de ano a gente fica mais nostálgico. Cai a ficha de que o tempo está passando. Revemos o que fizemos no ano que está acabando e tentamos projetar o ano que está por vir. Esse exercício é sempre interessante. Mesmo que eventos aleatórios, como guerras, pandemias e eleições, acabem por mudar o rumo da história. Porém, ter um Norte, um plano de ação, é importantíssimo. E vale para todo mundo. Quem trabalha no mercado financeiro, as empresas e, também, qualquer pessoa. Para um barco que não tem direção, qualquer vento é favorável. E nós temos que ter o caminho, para distinguir o vento bom e o vento ruim. Então, vamos testar a minha bola de cristal? Correndo o risco de estar totalmente errado, nesse momento, descrevo o que parece ser o mais provável, na minha opinião.

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A guerra da Ucrânia não parece ter uma solução rápida. Já tivemos momentos em que parecia que a paz poderia ser reestabelecida e tudo voltou à estaca zero. Não sou especialista em relações internacionais. No máximo, um apaixonado por História e em tentar enxergar o futuro, olhando para o passado. Então desisto de acertar quando a situação ficará mais calma. Porém, alguma luz no fim do túnel já aparece na Europa. Eles estão conseguindo fazer uma substituição interessante de sua matriz energética. Buscando alternativas, algumas que contrastam com o discurso ecológico politicamente correto. Preço do gás já voltou para patamares pré-guerra. A principal economia, a Alemanha já mostra queda importante dos índices de inflação no atacado. Porém, juros ainda em alta, o que deve provocar recessão nos próximos meses. Inglaterra idem.

China tem a questão da covid. Se farão mais lockdowns. PIB 2022 foi impactado e, o de 2023, com toda certeza, também sofrerá. E some a isso um pouco dessa antipatia recente dos investidores externos, resquício do pós início da guerra da Ucrânia e a maneira que várias multinacionais perderam dinheiro com saídas atabalhoadas da Rússia. Essa pressão nos governantes chineses pode provocar uma necessidade de resposta em outras frentes, como Taiwan e Hong Kong. Enfim, 2023 começa com mais perguntas do que respostas e eu também não espero nenhum coelho saindo dessa cartola.

Guardei o melhor para o fim. EUA e Brasil. Em ambos, a expectativa dos agentes econômicos é muito baixa. Nos EUA, acredito que podemos ter um 1º semestre mais complicado. Talvez se arrastando para o ano todo. Inflação em níveis ainda bem elevados, juros subindo, mercado imobiliário sofrendo bastante. Os americanos não estão acostumados com essa situação e ficam achando que, a qualquer momento, tudo se resolve. Dificilmente teremos queda de juros em 2023. Pelo contrário. Ainda teremos mais altas de juros. Hoje, a economia americana roda quase que em pleno emprego e com aumento de salários. Enquanto números de emprego não mostrarem alguma reversão, a gente não deve ver uma virada consistente dos índices de inflação. Mas essa é uma expectativa amplamente esperada. Então talvez os preços dos ativos já embutam a maior parte do movimento.

E o nosso Brasil? Aqui está tudo tão fácil, mas tão fácil, que basta o novo governo não errar muito que as coisas devem seguir bem. De 2016 a 2022 tivemos muitas coisas boas que foram aprovadas. Reforma trabalhista, que derrubou o número de processos e regulamentou muita coisa. Lei das Estatais, que tornou mais eficaz a administração dessas empresas. Teto de Gastos, que é uma conquista fenomenal e que conseguiu reduzir a relação dívida/PIB consistentemente. Reforma da Previdência, que se não foi a reforma dos sonhos, melhorou bastante a situação do ponto de vista de capacidade de pagamento. Marco do Saneamento. Enfim, novas leis que estão mostrando agora que o caminho está correto. Desemprego caindo todo mês, PIB em alta, superávit primário (não acontecia há 10 anos), mesmo depois de uma pandemia, que parou o mundo por quase 3 anos, e uma guerra na Europa.

Dito isso, hoje vivemos uma espécie de “negacionismo econômico”. Temos um problema fiscal de curto prazo, que deveríamos lidar enxugando a máquina. Ao invés disso, vemos o Teto de Gastos sendo atacado frontalmente, como se esse fosse o problema no País. Todos nós temos orçamento em casa. Para o Brasil ter educação, saúde, auxílio aos mais pobres (tudo altamente justificado e com meu apoio, inclusive), temos que fazer escolhas. A Reforma Administrativa está aí. Privilégios devem ser confrontados imediatamente. Corporações, que por décadas dominam o Orçamento da União, deveriam ceder espaço. Ao invés disso, teremos uma Reforma Tributária que somente deve chancelar mais aumento de impostos. A PEC do Estouro é uma Fake News de que seria em favor dos mais pobres. A continuar no caminho que parece que iremos trilhar, teremos mais dificuldades nos próximos anos.

Assim, para 2023, sigo acreditando que investimentos em ativos com juros pós-fixados seja o melhor caminho. Outro ponto importante seria, na medida do possível, que as pessoas tivessem poupança em dólar, fora do Brasil. A bolsa parece bem descontada, com ativos baratos, já precificando esses possíveis erros de gestão macroeconômica. Se o novo governo não cometer esses erros, que inclusive são reincidentes de gestões anteriores, teremos espaço para melhora significativa. Mas esse ainda não é meu cenário-base.

 

O mundo é dinâmico. Temos fatos novos todas as semanas. Deixo o convite para vocês assistirem ao meu programa semanal no YouTube da ActivTrades. O programa se chama “Markets Warm Up”, onde faço literalmente um aquecimento para a semana, todas as segundas, ao vivo, às 09 da manhã. Deixem comentários, perguntas, sugestões. Vamos fazer juntos um espaço em que possamos discutir idéias e alternativas para o Brasil, além de comentar operações que possam ser lucrativas.

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