Com uma publicidade pesadíssima, o tão aguardado filme da Barbie, que marca a estreia da famosa boneca nos cinemas é um fenômeno, só no dia da estreia, no Cinesystem de Florianópolis 3.963 espectadores, em 9 sessões, lotaram as salas de exibição e um mar de pessoas vestindo roupas cor de rosa inundou o saguão do espaço como eu nunca tinha presenciado no cinema. Mas tem dividido a opinião dos críticos.
Enquanto alguns elogiam a iniciativa de trazer uma personagem icônica dos brinquedos para as telonas, outros apontam que o roteiro não correspondeu às expectativas do público mais maduro. Discordo. Barbie é um manifesto sobre saúde mental e um recado importante sobre o papel da mulher no mundo, uma luta contra o patriarcado e não é para as crianças entenderem ainda.
Vi pessoas chorando em diversas cenas do filme, o que me leva a refletir: o filme vai além da conscientização do masculino e mistura os sentimentos do espectador de forma brilhante. Fotografia, produção de objetos e figurinos impecáveis nos levam a um filme muito bem construído e destaco para as interpretações de America Ferrera, Margot Robbie e Ryan Gosling. Em uma crítica em que deu cinco estrelas, Clarisse Loughrey, da publicação britânica Independent, escreveu: “Barbie é um dos filmes mainstream mais inventivos, imaculadamente elaborados e surpreendentes da memória recente: uma prova do que pode ser alcançado até mesmo nas entranhas mais profundas do capitalismo”.
A diretora escolhida para dar vida a essa icônica personagem no cinema foi Greta Gerwig (atriz, roteirista e diretora norte-americana) conhecida pelo seu envolvimento com o movimento cinematográfico nova-iorquino Mumblecore e por filmes como To Rome with Love de Woody Allen e Frances Ha de Noah Baumbach. Greta começou sua carreira em 2006 como atriz no filme LOL em um pequeno papel e doze anos depois, em 2018, se tornou a quinta mulher a ser indicada ao Oscar de melhor direção, pelo filme Lady Bird, concorrendo também ao prêmio de roteiro original.
Sua visão única e arrojada foi considerada uma aposta promissora pelo estúdio e ela já foi convidada a dirigir as novas Crônicas de Nárnia renovando a franquia para atrair novos públicos. Os críticos que elogiaram o filme destacaram a coragem da diretora em abordar temas relevantes, como a importância da amizade, o poder da imaginação e a quebra de padrões de beleza. Além disso, a diretora trouxe um olhar fresco à narrativa, proporcionando uma sensação de nostalgia para os fãs mais antigos, enquanto busca a conquista do público jovem com sua mensagem inclusiva e inspiradora.
Alguns críticos consideraram que o roteiro do filme não conseguiu atingir a profundidade e a complexidade que a personagem da Barbie merecia. Alguns argumentam que a história se apoiou muito nos elementos estéticos e comerciais da boneca, em vez de explorar de maneira mais aprofundada sua personalidade e motivações. Isso deixou a desejar em termos de desenvolvimento de personagens e enredo.
No geral, o filme da Barbie dividiu a opinião, mas não se pode negar que a icônica boneca e a visão ousada da diretora trouxeram um novo significado. Enquanto alguns fãs podem se emocionar com a mensagem positiva e inspiradora transmitida pelo filme, outros podem sentir que faltou um maior aprofundamento na história da personagem. De qualquer forma, a estreia da Barbie nos cinemas abre portas para novas possibilidades de expansão dessa querida figura do mundo dos brinquedos.
Barbie
No fabuloso live-action da boneca mais famosa do mundo, acompanhamos o dia a dia em Barbieland – o mundo mágico das Barbies, onde todas as versões da boneca vivem em completa harmonia e suas únicas preocupações são encontrar as melhores roupas para passear com as amigas e curtir intermináveis festas. Porém, uma das bonecas (interpretada por Margot Robbie) começa a perceber que talvez sua vida não seja tão perfeita assim, questionando-se sobre o sentido de sua existência e alarmando suas companheiras. Logo, sua vida no mundo cor-de-rosa começa a mudar e, eventualmente, ela é expulsa de Barbieland.
Forçada a viver no mundo real, Barbie precisa lutar com as dificuldades de não ser mais apenas uma boneca – pelo menos ela está acompanhada de seu fiel e amado Ken (Ryan Gosling), que parece cada vez mais fascinado pela vida no novo mundo. Enquanto isso, Barbie tem dificuldades para se ajustar, e precisa enfrentar vários momentos nada coloridos até descobrir que a verdadeira beleza está no interior de cada um. Ano 2023. Direção: Greta Gerwig. Lançamento em 20/7 nos cinemas.
Trailer:
História
A boneca Barbie foi criada por Ruth Handler (que aparece no filme na bela interpretação da atriz Rhea Perlman) em 1959 e se tornou um símbolo da indústria de brinquedos e da cultura popular ao longo das décadas. Com seu visual versátil e uma ampla gama de acessórios, conquistou o coração de gerações de crianças ao redor do mundo, desafiando estereótipos e encorajando a imaginação. Ao longo dos anos, os fabricantes da boneca têm se adaptado para representar diferentes profissões, etnias e corpos, buscando refletir a diversidade da sociedade atual.
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