Nos últimos anos, como presente da profissão, tive a oportunidade de ir a dezenas de palestras, mas dezenas mesmo, com grande frequência. E cada uma, acredite, compartilha a fórmula perfeita… pra felicidade, pro sucesso, pro êxtase, pro êxito, pra uma vida feliz, pra ser rico e poderoso… Mudam os títulos, as técnicas, os exemplos, mas no fim tudo converge na mesma promessa de aproximar o que temos do que queremos…
Transformar
a família que temos,
o trabalho que temos,
a aparência que temos,
o status que detemos
naquilo que, a nosso ver, merecemos!
Somando as lições de atletas, gestores, filósofos, mágicos e cantores – todos palestrantes encantadores – às profecias que viralizam via redes sociais, somos golpeados todos os dias pelas mais contraditórias soluções.
Ora a plenitude reside na vida simples,
ora os bens acumulados justificam a existência.
Ora a disciplina é o segredo das conquistas,
ora o ócio criativo precisa constar na agenda.
Ora o “tempo” é meu maior patrimônio,
ora prosperar sem propósito é pura perda de tempo.
Ora minha aliada é a máxima autenticidade,
ora a liderança é um exercício calculado.
Ora um coach aponta os caminhos mais racionais,
em outra o que me move são constelações de ancestrais.
Tonta entre tantos discursos, pelo menos uma unanimidade tive a sorte de localizar!
Não importa o caminho, é o meu caminho. E com ou sem bússola, a peregrina sou eu.
Posso até encontrar atalhos, conseguir carona, acelerar ladeira abaixo, me dar uma trégua sob a copa frondosa da figueira, mas jamais terceirizar uma jornada que é minha. Por mais que me depare com um rochedo, um cânion, um cantil vazio no desamparo do deserto.
Pra mim, há 4 meses foi assim… Não havia “uma pedra no meio do caminho”, mas uma muralha tão alta que arrolhava o horizonte. No dia 25 de outubro de 2017 meu marido voltou ao centro cirúrgico pra mais uma bateria de cirurgias vascular-ortopédica-oncológica, aos 38 anos de idade. Entre a comprovação da reincidência do tumor, em maio, até a internação, cinco meses depois, pode-se imaginar o que passamos… A começar pelos fantasmas, também reincidentes, das mais de 15 cirurgias vivenciadas anteriormente.
Na longa, insegura e sofrida contagem regressiva, sabe o que nos salvou? #UmaAlegriaPorDia…
A cada manhã, junto com o festival de preces remetidas cheias de expectativas, eu me fixava em um momento daquele dia com o potencial de ser especial. Um agrado pra filha, encontrar uma amiga, conhecer um lugar, entregar um trabalho, provar uma comida, sentir a natureza, restaurar a beleza apagada na noite em claro… E quando o dia revelava que a insônia procedia, porque os riscos eram enormes, o orçamento era enorme, os transtornos pra conciliar filha dependente com marido doente eram enormes, eu parava e pensava na “alegria” do meu dia… Naquele momento recém-vivido ou que viria em seguida, onde eu me abasteceria.
Eleger #UmaAlegriaPorDia permitiu que eu trocasse o lamento pela atitude, o medo pela esperança, a apatia pela ação. Porque o foco estava sempre no palpável, no próximo e no possível. Na alegria que eu tinha ao alcance da mão e não no desespero que pairava sobre os ombros.
Privilegiar #UmaAlegriaPorDia mesmo sabendo que o sofrimento viria, e se prolongaria, me nutriu de forças pra enfrentar valente e confiante aquele 25 de outubro. Pela simples mágica de que aceitar uma experiência negativa é por si uma experiência positiva. Ao confirmar o problema, pousei mas não repousei sobre ele… Expulsei qualquer tendência de sofrer com antecedência, otimizei toda chance de ser feliz e mantive a vida ativa. Xô prostração e preguiça. Nada de protelar e procrastinar. Aqui o sofá não sabe o meu DNA!
Para ampliar as imagens e acionar o slideshow , clique nas fotos da Galeria.
ACOMPANHE MAIS POSTS by #ANALAVRATTI NO INSTAGRAM @analavratti e no FACEBOOK @fanpageanalavratti
