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Coluna Ana Lavratti: Uma amiga muda a vida
28 de Maio de 2018

Coluna Ana Lavratti: Uma amiga muda a vida

Por Ana Lavratti 28 de Maio de 2018 | Atualizado 28 de Maio de 2018

Certa ocasião, num Verão opaco por mais que o azul dominasse o céu, tentando quase em vão contornar a cortina de dor que sugava da vida toda cor, fiz uma amiga.

 

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Recém-chegada de São Paulo, lotada de triunfos, incluindo a estada a trabalho no Plaza Athénée em Paris; lotada de sonhos, como estudar em Yale, a universidade centenária onde encaixou o Doutorado, logo virou best friend forever, com quem as horas passavam voando.

 

E tantas vezes me senti à vontade pra repetir meus traumas – a perda da minha mãe simultânea ao diagnóstico de um câncer simultâneo à maternidade com bebê no colo – que ela já via o roteiro por outro ângulo: via a força sob a doença, a competência sob a letargia, o amor sobre tudo.

 

Desmistificando o impossível, empurrando lá pra cima a minha auto-estima, fez brotar a coragem pra tentar o Mestrado na mesma UFSC onde ela e o meu marido cursavam Doutorado. E acreditem: não só estudei de graça como conquistei bolsa de estudos em concorrida seleção.

 

Logo eu… que escondia as asas dentro do roupão! Mas uma amiga muda a vida… E a Cynthia, que não tardou a conquistar um cargo efetivo do outro lado do Brasil, deixou feito cometa um rastro de luz por aqui.

 

Um ano mais tarde, a Páscoa em família foi em Foz do Iguaçu, e o “encontro” já se deu no check-in. Da minha idade, com a filha da idade da minha filha, a turista de Curitiba passou a dividir conosco todos os programas e refeições do resort, enquanto as meninas se divertiam na recreação.

 

A empatia era tão sincera que logo extrapolamos as fronteiras do hotel, lotando um carro de risadas rumo aos pontos turísticos. No voo de volta, sentada do meu lado, ela já era best friend forever, ainda que o frio ocultasse seu segredo sob o casacão.

 

Até hoje, não sei se é anjo, se é fada, mas sei que é alada! Uma amiga com asas… Porque mais de um ano depois, quando enfim encontramos em Curitiba o melhor especialista pra extrair de dentro do osso o tumor que imobilizava o meu marido, ela pôs tudo o que tinha à nossa disposição.

 

Na casa dela, passei os piores 23 dias da minha vida, incluindo os 19 em que o Marcio “dormia” e definhava no leito da UTI. Quando voltava à noite, devastada, ela me esperava com sopa morna e uma acolhida tão quente que mesmo com o futuro à deriva era impossível não dormir em paz.

 

Mobilizando a filha, a empregada, a sogra, o ex-marido, o namorado, proporcionou pra minha filha o melhor cuidado enquanto eu cuidava do Marcio. Dela, tirei até o sangue, negativo e compatível à demanda gigante de quem consumiu 14 bolsas na longa e turbulenta cirurgia de 15 horas.

 

Da amizade “de infância” forjada em um feriado, tirei a esperança que me manteve inteira quando tudo ao redor parecia ruir. E depois de tanto explorar, ainda ganhei bis! Porque a longa internação de três meses em 2015 exigiu novo round, elevando pra 20 o total de cirurgias no final de 2017.

 

Conciliando trabalho em tempo integral com o Doutorado em arquitetura, a Gisele foi como arco-íris, surpreendendo em pleno temporal, cuidando de nós em casa e no hospital, propondo os escapes que restauravam o astral: no clube, no parque, na academia, no shopping vestido pro Natal.

 

Uma amiga muda a vida. Uma conversa muda a vida. Uma história ouvida, também muda a vida.

 

Por isso, aceitei o convite da ACIF Mulher, da Rede da Mulher Empreendedora e do Núcleo da Mulher Empresária da Associação Comercial e Industrial de Itajaí pra compartilhar momentos que não se perdem no tempo. Onde me convenci do poder do amor, da amizade e da sororidade. Da força que emerge quando as mulheres se congraçam por uma causa, se abraçam em merecida pausa, entrelaçam medos, sonhos e talentos sem cobranças, sem pôr na balança o que empresto e o que arremato, sem pactuar herança pra se sentir irmã.

 

Encontros como estes, da ACIF Mulher, da RME e do NuME têm sido o berço de grandes parcerias e permanentes aprendizados: partilhar em vez de comparar, compreender em vez de condenar, somar em vez de disputar! Minhas palestras, no dia 8 de junho em Florianópolis e no dia 19 de junho em Itajaí, tratam da “Dádiva da Vida: na saúde e na doença, peça, mereça e agradeça”, em eventos especialmente criados para impulsionar amizades e gerar networking.

 

Se uma amiga muda a vida, imagine o poder que emana de amigas reunidas… convencidas… de que nenhum entrave doloroso sobrevive ao antídoto mais poderoso: o bem-me-quer de quem também quero o bem.

 

 

Clique nas fotos para acionar o slideshow da reunião da ACIF Mulher na Sala da Presidência da ACIF.

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Clique neste link aqui para efetuar a inscrição para o evento de aniversário do NuME, em Itajaí.

 

 

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