O exagero de cobranças, e aqui não cabe gênero – porque vale pras mulheres, homens, na fase do estudo e do apogeu profissional, explorando o mundo num intercâmbio ou desbravando a vida na maternidade – nos impele a buscar mais e mais referências em quem deu conta da vida real. Virou o cabo da Boa Esperança. Triunfou apesar das limitações. Encontrou uma fórmula pra conciliar trabalho e família, rotina castradora e cuidados com a saúde, amor próprio e contribuição ao coletivo. OK, bem sei: nenhum conselho opera no copiar-colar. Mas adoro me espelhar nos que têm sucessos pra contar.
Depois da Kim Phuc, Embaixadora da Paz pela Unesco; Mario Cortella, Bernardinho, Drauzio Varella, Coronel Leite, Augusto Cury e centenas de palestrantes que amei escutar, neste sábado foi a vez de ouvir a Monja Coen, missionária zen budista que tendo passado dos 70 anos mantém a produção em ebulição: como escritora, palestrante e porta-voz da paz. Convidada para encerrar o Ritos Despertar, que levou mais de 500 pessoas para uma imersão em “auto-iluminação” no Jurerê Sports Clube, a Monja compartilhou mensagens que merecem reflexão.
Começou, curiosamente, com o valor da frustração…
O quanto perdemos assumindo papéis, criando uma ideia falsa de nós mesmos no afã de aprovação.
Em vez de usufruir das diferenças, aprender com as reprovações, perceber a riqueza que reside no contraponto, quando o outro nos “completa” por não pensar como nós.
Depois, falou nos riscos do apego. Do quanto deter o controle prende as nossas mãos. Faz de nós prisioneiros do papel de dominador. Curiosamente “dominados” pela imposição de comandar… pessoas e situações.
Quando eu troco o olhar crítico pelo olho no olho, com empatia em vez de julgamento, quando eu abdico da razão pelo diálogo, quando o egoísmo cede ao bem comum, quando eu aceito a multiplicidade e comemoro a conquista do outro, eu ganho mais do que todos. Porque deixo de ser insignificante e passo a ter significado. Posso contagiar o coletivo. Como faz a Monja Coen.
Por trás da voz suave, vi a autenticidade… nas palavras, nas lições que inquietaram a minha mente e aqueceram meu coração. Percebi que as minhas “vontades” não podem provir da sociedade. Têm que emergir das minhas verdades. E isso cada um descobre por si… A sós… Designando um tempo só pra si.
Pra mim…
sucesso não é ter motorista, mas um amor sentado ao lado;
sucesso não é um cheque em branco, mas conhecer as rugas do banco onde espero sem pressa a chegada da filha perfeita;
sucesso não é subir no camarote, é preservar nosso dote: corpo são e mente forte;
sucesso não é ter fãs, mas amigos fieis; não são as regras rígidas, mas a razão pra fazer melhor;
não é seguir os outros, mas saber o que faz sentido pra mim…
Por isso, agora mesmo, acate este compromisso:
designar um tempo só… só pra si… até sincronizar inconsciente, ideias e intuição.
Um tempo só… só pra si… até sintonizar àquele momento em que a vida podia estacionar,
porque aí reside a verdade, as vontades e a prosperidade.
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