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Coluna Ana Lavratti: Se Inteligência Artificial é um caminho sem volta, cabe a mim acionar a escolta
12 de Novembro de 2018

Coluna Ana Lavratti: Se Inteligência Artificial é um caminho sem volta, cabe a mim acionar a escolta

Por Ana Lavratti 12 de Novembro de 2018 | Atualizado 12 de Novembro de 2018

 

OK. Confesso. Se eu entrei na faculdade em 1987,

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lá se vão mais de 30 anos.

Então trabalhei no jornal impresso. Na televisão.

No meu próprio escritório como Assessora de Comunicação.

Depois virei escritora.

Colunista social…

primeiro no jornal e agora em meio digital.

De Mestre de Cerimônias para o Mestrado na UFSC

foi só superar as provas de seleção.

E aproveitando a “prorrogação”…

aos 48 anos virei palestrante pró-motivação.

 

Quantas vezes, sob a mesma vocação,

precisei me reiventar pra não andar na contra-mão?

E quantas vezes, muitas mais, ainda vou recomeçar?

Quando me juntei as 12 mil pessoas inscritas no RD Summit 2018

tive muita dificuldade pra situar meu sentimento…

Dizem que a gente não sofre pelo desamparo em si,

mas sim pela sensação de não controlar aquela dor.

Comigo, tudo indica, deve ter sido assim!

Me sentindo meio indígena, apegada à tradição,

também alienígena, afeta à outra dimensão,

sei que tive receio do que vi por ali e do que vem por aí.

 

Da invasão de privacidade, com cada post projetado a um banco de dados.

Da indução exacerbada. Dos mecanismos invisíveis que conduzem meus dedos,

deduzem o que eu desejo, determinam por onde “navego”.

Tive medo do assédio em disfarces infinitos,

das estratégias pra que eu não perceba que não sou eu que decido

quais páginas vou abrir, os amigos que vou fazer, onde prefiro comprar.

Medo até do Tinder, da dependência de um radar

pra desvendar o brilho no olhar.

Tive medo do Uber. De quem na carona, com vista pro mundo real

só se dispõe a teclar, em hipnose visceral.

Sim eu tive medo da Inteligência Artificial!

 

De saber que bem ou mal

é um caminho sem volta

e cabe a mim acionar a escolta.

Ter a capacidade de mudar a rota

quando dados e dados e dados

escondidos sob links e links e links

definirem o que eu vou abrir,

o que eu vou sentir,

o que preciso comprar

e onde eu vou encomendar.

 

 

Dear mundo digital, perdoa a falta de lógica,

mas eu sou Ana… Analógica…

e pra mim, experiência antológica

é recusar os percursos propostos

e só clicar no que for do meu gosto.

Tenazmente. Conscientemente.

Trocando as armadilhas da bolha digital

que afasta o divergente e aproxima “o igual”

por uma piscina de bolinhas… a gargalhada visceral,

a certeza de que nem sob lavagem cerebral

relego minha autonomia e a primazia da vida real.

 

 

Para ampliar as imagens de algumas experiências reais e sensacionais no RD Summit, clique nas fotos da Galeria.

 

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