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Coluna Ana Lavratti: O poder que a gente detém quando se permite amar alguém
30 de Abril de 2018

Coluna Ana Lavratti: O poder que a gente detém quando se permite amar alguém

Por Ana Lavratti 30 de Abril de 2018 | Atualizado 30 de Abril de 2018

Às vezes a vida pira. Mas que sorte… ela gira… e o mundo muda pra melhor… 
Às vezes a vida estira… como se o dia, só de dores & danos, nunca fosse ter fim…

Mas então o amor ampara, e o tempo – que não para – conspira a nosso favor.

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Nesta época, há meio ano, eu morava no hospital!

Tentando obstinada desviar dos fantasmas da internação anterior.

Como vista exclusiva, tinha o sofrimento do meu amor…

breves escapadas, só da janela do computador.

 

Passando os dias desejando que os dias passassem,

pensava em tudo o que passamos desde o pré-diagnóstico aos 35 anos:

um tumor agressivo instalado na base da coluna,

um tipo incomum, tão profundamente encravado

que só pôde ser extirpado graças à excelência dos cirurgiões.

 

Desde então perdemos a conta dos riscos e sacrifícios.

Se é pra contar, vamos contar vantagem: os milagres.

Mais de 20 cirurgias com anestesia geral.

No quadril, pra biópsia, extração do tumor na coluna e controle da infecção.

Depois nas cordas vocais, pra compensar os calos da traqueostomia.

 

Mais de 20 dias em coma na UTI.

Três meses e meio de internação hospitalar.

Vértebras removidas, medula suturada,

parafusos meticulosamente encaixados.

A mesma simbiose precisa com que a

vida do Marcio se encaixa na nossa vida.

 

Passado meio ano, a ferida é tão profunda que resiste em fechar,

a dor é tão intensa que recusa aliviar,

apesar do cuidado e dos curativos.

Mas as chances gigantes de sequela… ufa… o pior foi vencido!

Porque naquele 25 de outubro de 2017

um “complô” de Marcios salvou a minha família.

 

Primeiro o cirurgião vascular Marcio Miyamotto, que desviou a circulação sanguínea, impedindo o choque  de 2015, na cirurgia de 15 horas.

Depois os cirurgiões ortopédicos, liderados pelo Professor Doutor Marcio Moura,

que é referência em Oncologia Ortopédica no Brasil

e justificou toda a nossa fé, devolvendo o nosso Marcio inteiro e em pé.

 

Nosso Marcio… que desprezou o pior prognóstico

concentrado na vitória, jamais no tormento ou no lamento.

Que poderia reclamar mas prefere resolver,

buscando todos os recursos, da alimentação à fisioterapia,

da medicação ao tônus mental… ao treino espiritual.

 

Às vezes a vida pira. Mas que sorte… ela gira… e muda o mundo ao redor… 
Às vezes a vida inspira… e revela o jardim que o choro fez brotar.  

Quando o amor ampara, nosso tempo – que não para – demonstra seu valor.

 

Passado meio ano de tantas mudanças,

o Marcio até poderia viver de memórias, mas é movido a motivos.

Nenhuma motivação provoca revolução.

Mas um motivo… ah… este sim leva à ação:

curar a si pra cuidar de nós. Conduzido

pelo poder que a gente detém quando se permite amar além,

amar alguém com tamanha verdade e tenacidade

que o mundo encolhe, desacelera e nos convence

que pra ser feliz, estar vivo é suficiente.

 

* Que privilégio, meio ano depois de ter as mãozinhas da Lara me consolando na longa espera de 13 horas, há meio ano, no centro cirúrgico, fazer das minhas mãos o mais orgulhoso aplauso: no programa SBT e Você, na etapa aberta do Floripa Tap no Open Shopping de Jurerê Internacional e na Noite de Gala do Floripa Tap, neste sábado do CIC. Para ampliar as imagens e acionar o slideshow , clique nas fotos da Galeria.

 

 

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