Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados em Cannes?
Incrível! O Festival de Cannes é grande, importante e tem prestígio. Esta será minha primeira experiência como jurado em Cannes. Mas já participei de júris de outros importantes festivais, como D&AD e Clio. E, claro, tem o CCSP (Clube de Criação de São Paulo), que adoro, além de ser genuinamente brasileiro. Destaco ainda um júri latino que participei. O tempo que passamos juntos foi decisivo para formar uma amizade que tenho até hoje com alguns dos colegas que conheci lá. Então, é provável que eu saia desse júri de Cannes com novos amigos. Pelo menos, assim espero!
Quais requisitos serão considerados na categoria que você vai julgar?
Em Press os trabalhos devem ser inspiradores, relevantes, originais, com um craft impecável e com uma ideia “matadora”. Por isso, vou procurar agir como sempre ajo quando participo de um júri: serei atuante, comprometido e empenhado. Tentarei ter um olhar aberto às novas ideias e aos novos conceitos, sempre considerando a relevância e a pertinência das peças.
Quantas vezes já esteve em Cannes como jurado e participante?
Como disse, esta será minha primeira vez como jurado em Cannes, mas já fui jurado de outras importantes premiações. Como participante, já fui 13 vezes a Cannes. A primeira vez que eu participei do Festival foi como diretor de arte representante do Rio de Janeiro no Young Creatives [hoje Young Lions] de 1997. Naquela época, eu trabalhava na Artplan.
Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo?
Bem, além de sair de lá com novas amizades, eu tenho certeza que ganharei uma bagagem cultural enorme como jurado em Cannes. Nos júris, em geral, existe muita diversidade, gente diferente com culturas diferentes; debates e discussões sobre ideias e temas. Isso ajuda a afinar o critério e abrir a cabeça para outros pontos de vista. São experiências que normalmente se guarda para sempre. Curto muito. Apesar das incontáveis doses de café que é preciso ingerir para se manter atento, é um trabalho muito satisfatório. Há ideias boas e ruins, mas é assim que se constrói parâmetros, se afina o senso de julgamento e se detecta tendências.
Por que o Brasil valoriza tanto Cannes? Um dos países com maior número de inscrições e também visitantes.
Porque Cannes é o maior festival de criatividade do mundo! E não é só o Brasil que o valoriza. O mundo todo é unânime em apontar o Festival de Cannes como sendo o festival que dita o mercado mundial. As principais agências, holdings e executivos de comunicação do mundo estão todos lá, concorrendo aos prêmios, participando das palestras e fazendo networking.
Press é uma categoria na qual o Brasil mais inscreve e sempre conquista bons resultados. Qual a expectativa do Brasil neste ano?
Acredito que o Brasil terá menos trabalhos inscritos nessa categoria este ano. Ainda assim, a expectativa é alta em relação ao desempenho do Brasil, uma vez que há anos o País é líder na categoria. A maioria das pessoas respeitam a integridade e a força do Brasil em Cannes, especialmente em Press.
Na sua opinião, quais trabalhos brasileiros têm chance de sucesso neste ano?
Impossível apontar agora quais os trabalhos que têm chance de ganharem Leões porque ainda não vi todos. E por isso, prefiro não emitir uma opinião prévia sobre isso. De qualquer forma, criei um e-mail só para receber os trabalhos de Press: [email protected].
Qual a sua expectativa com o Festival Lions Innovation, que foi lançado neste ano?
Espero que seja um marco no Festival de Cannes e não somente mais uma categoria dentro do Festival.
Como as agências regionais podem se inspirar em Cannes e trazer resultados inovadores aos seus clientes?
Por meio de ideias simples, bem executadas e fortemente ligadas a um propósito. Sempre digo que as campanhas têm que ter relevância para os clientes e para as marcas. Se existe isso, a campanha será um sucesso em qualquer lugar! O crivo criativo e a qualidade de ideias podem vir de qualquer lugar. Por isso, é preciso estar atento às tendências e novidades, além de “alimentar” a mente com produtos culturais. Ler livros, ir à exposições, shows e cinema são essenciais para uma mente criativa. E quanto mais diversificada e global forem essas referências culturais, melhor! Afinal uma ideia que surgiu lá no Japão pode servir de inspiração para um profissional do interior do Rio Grande do Sul, por exemplo. Vou puxar a sardinha para o meu lado, mas o slogan da F.biz traduz bem isso: estar “aberto ao novo como as ideias”.
Guilherme Jahara cursou Comunicação Visual na PUC-RJ. Ele possui uma vasta experiência e atuou em algumas das principais agências do País. Jahara já ganhou dezenas de Leões em Cannes e diversos prêmios internacionais e nacionais importantes. Além disso, ele foi o responsável pela direção de arte do 37º Anuário do CCSP. Em 2013, esteve entre os 10 diretores de arte mais importantes do mundo segundo o Advertising Age e foi eleito o Melhor Diretor de Arte pela ABP (associação Brasileira de Propaganda). No ano seguinte, apareceu novamente no ranking do Advertising Age, só que desta vez, como um dos dez diretores de criação mais premiados do mundo. Em sua carreira, atendeu também grandes clientes.
