Jurados brasileiros em Cannes. Entrevista com Fernando Nobre – VP de Criação da Mullen Lowe Brasil.
10 de Junho de 2015

Jurados brasileiros em Cannes. Entrevista com Fernando Nobre – VP de Criação da Mullen Lowe Brasil.

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Dando sequência à Série Jurados Brasileiros em Cannes, hoje apresentamos a entrevista com Fernando Nobre, vice-presidente de Criação da  Mullen Lowe Brasil, que será jurado da Categoira Film, uma das mais disputadas por criativos do mundo inteiro.

 

Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados em Cannes?

Alegria com a notícia, em primeiríssimo lugar. Depois, orgulho e responsabilidade. Saber que a sua trajetória e o seu critério foram considerados suficientemente bons para que você fizesse parte de um grupo muito pequeno de pessoas que vão apontar os melhores filmes publicitários do ano, no mundo, dá um misto de orgulho e responsabilidade.

Como funciona o processo para a escolha dos jurados?

O Festival de Cannes tem representantes oficiais nos países. No caso do Brasil, quem representa Cannes é o Estadão (O Estado de S. Paulo, um grupo de comunicação com jornais, rádios, sites etc, com uma história marcada por sua credibilidade). São eles que, ao longo do ano, vão compondo listas com possíveis jurados do País nas mais diversas categorias. Mais detalhes do processo eu não tenho. Você teria que perguntar a eles 🙂 Só sei que recebi um e-mail com o convite deles para integrar o júri de Filme em Cannes 2015, fiquei muito feliz e aceitei na hora!

Quais requisitos serão considerados na Categoria que você vai julgar?

Eu sou jurado de filme, que hoje se divide em cinco grandes categorias: TV/Cinema Film, Online Film, Viral Film, Branded Content & Entertainment Film & Series, Events & Screens. Ou seja, a mídia clássica de Cannes também ganhou variedade e complexidade nos últimos anos. E cada categoria dessas de Filme tem suas peculiaridades. Mas falando em linhas gerais, sobre requisitos para avaliar, considero em primeiríssimo lugar a Ideia, a originalidade da abordagem, é a alma daquela peça. Junto com ela, quase que de modo indissociável, a Execução. Ou seja, que forma, que narrativa, qual o corpo que aquela Ideia tem. Isso somado à Relevância que a peça tem e à Pertinência dela para a marca e para o target; compõem basicamente os requisitos que levo em conta para julgar. 

Quantas vezes já esteve em Cannes. O que você imaginava que seria Cannes, correspondeu com suas expectativas?

A primeira vez que estive em Cannes foi em 1999. Século passado. Eu tinha 27 anos e era um dos Young Creatives brasileiros naquele ano. Ainda não era um mundo conectado pela internet como é hoje. Ou seja, eu conhecia pouco do que era o Festival. Tudo era novo, tudo incrível. Conhecer gente do mundo inteiro, ver os caras que eram minhas referências criativas, assistir long-lists intermináveis de filmes, desenvolver critério, enfim, foi uma experiência e tanto. Esse aí foi meu primeiro, mas de lá pra cá, já fui mais dez vezes a Cannes. E ao longo destes 15 anos, o Festival mudou muito e muitas vezes. Ficou ainda mais global, o digital ganhou força, os anunciantes passaram a frequentar, as palestras ganharam espaço, surgiu o Titanium, Integrated, Mobile e tantas outras categorias. Cannes sempre busca refletir as transformações pelas quais passam a indústria da comunicação, do marketing e da criatividade.

Qual é o aprendizado ou troca de experiências que você imagina ter lá com criativos de diversos cantos do mundo?

O critério, o olhar, tudo isso volta muito mais afinado depois de Cannes. Uma semana imerso nas melhores ideias do mundo, ouvindo gente inteligente, interessante, é sempre enriquecedor. Serve para te dar perspectiva. 

Por que o Brasil valoriza tanto Cannes? Um dos países com maior número de inscrições e também visitantes?

Isso vem lá de trás, dos anos 70/80. O Brasil já tinha uma cultura publicitária muito forte naquela época. Talentos de nível internacional. E que foram fundamentais não só para desenvolver a indústria da criatividade no País, mas também para inserir o Brasil no mapa da publicidade mundial. Quanto ao número de inscrições e visitantes, somos um país continental, um mercado enorme e, além do mais, adoramos uma festa!

Em 2014 sua agência foi uma das grandes vencedoras em Cannes. Cite alguns trabalhos que irão concorrer neste ano.

Inscrevemos diversas ideias, então vou destacar duas aqui.
“Verruga”, para o Clube de Criação de São Paulo. Um filme de 5’30”, quase um curtinha que fizemos para ressaltar a importância do Anuário do CCSP na carreira de todos nós, criativos brasileiros. “O Maior Banheiro do Mundo”, para Vim/Unilever. Uma big idea que criamos para aumentar o conhecimento da marca e do produto, usando para isso o Carnaval brasileiro e o “hábito” de milhares de foliões que fazem xixi na rua durante a festa.

Como as agências regionais podem se inspirar em Cannes e trazer resultados inovadores aos seus clientes?

Cannes é inspirador, indo ao Festival ou acompanhando à distância. Hoje em dia, é possível seguir quase tudo que acontece lá na Riveira Francesa, real time, estando longe de lá. Claro que igual não é: falta o vin rosé e a Croisette 🙂 Mas sério: todo mundo, de agências regionais a globais, sai inspirado de Cannes. Sai instigado, querendo fazer mais, melhor. Querendo fazer a diferença para as marcas, para a agência, para as suas carreiras. Algo que, se bem usado, gera um ciclo virtuoso em que todos ganham.

 

Fernando Nobre – VP de Criação da Borghi/Lowe
Com 23 anos de experiência em Propaganda, trabalhou como Redator na Salles/DMB&B, Lowe Lintas, F/Nazca Saatchi&Saatchi e FischerAmerica, onde criou a campanha “Experimenta”, que lançou a cerveja Nova Schin.  Em 2004 assumiu a Direção de Criação da JWT, cargo que ocupou pelos dois anos seguintes e que deixou para montar, com mais dois sócios, a Famiglia Publicidade. Em 2009 assumiu como Diretor de Criação da Borghi/Lowe e em 2011 como VP de Criação. Durante sua carreira, conquistou as mais importantes premiações internacionais e nacionais, incluindo 15 Leões em Cannes, D&AD, One Show, El Ojo, Wave, Clios, NY Festival e Anuário do Clube de Criação, entre outros.