O Curupira
1. O Curupira é um animal que gosta de sentar na sombra das mangueiras para comer os frutos. Lá fica entretido ao deliciar cada manga. Mas se percebe que é observado, logo sai correndo, e numa velocidade tão grande que a visão humana não consegue acompanhar. “Não adianta correr atrás de um Curupira”, dizem os caboclos, “porque não há quem o alcance”.
A função do curupira é proteger as árvores, plantas e animais das florestas. Seus alvos principais são os caçadores, lenhadores e pessoas que destroem as matas de forma predatória.
Para assustar os caçadores e lenhadores, o curupira emite sons e assovios agudos. Outra tática usada é a criação de imagens ilusórias e assustadoras para espantar os “inimigos das florestas”.
Uma História de Curupira
Estava o Curupira andando pela floresta, quando encontrou um índio caçador que dormia profundamente. O Curupira estava com muita fome e cismou em comer o coração do homem. Acordou-o mas caçador, passado o fingiu que não estava com medo. O Curupira disse-lhe:
– Quero um pedaço de seu coração!
O Caçador, muito esperto, lembrou-se de que havia matado um macaco, e entregou ao Curupira um pedaço do coração do animal. O Curupira provou, gostou e quis comer tudo.
– Quero mais! Quero o resto! – exigiu.
O Caçador entregou-lhe o que havia sobrado, mas, em troca, exigiu um pedaço do coração do Curupira.
– Fiz sua vontade, não fiz? Agora você deve dar-me em pagamento um pedaço de seu coração, disse ele.
O Curupira não era muito esperto e acreditou que o Caçador havia arrancado o próprio coração, sem ter sofrido nenhuma dor e sem haver morrido.
– Está certo, respondeu o Curupira, empreste-me sua faca.
O Caçador entregou-lhe a faca e afastou-se o mais que pôde, temendo levar uma facada. O Curupira, porém, estava sendo sincero. Enterrou a faca no próprio peito e tombou, sem vida.
O Caçador não esperou mais, disparou pela floresta com tal velocidade que deixaria para trás os bichos mais velozes. Quando chegou à aldeia, com a língua de fora, prometeu a si mesmo não voltar nunca mais à floresta. Pensou:
“Desta escapei. Noutra é que não caio”
Durante um ano, o índio não quis saber de entrar na mata. Quando lhe perguntavam por que não saía mais da aldeia, ele se desculpava, dizendo estar doente.
O Caçador tinha uma filha que era muito vaidosa. Como haveria uma festa dentro de poucos dias, ela pediu ao pai um colar diferente de todos os que ela já tinha visto.
O índio, pai dedicado, começou a pensar num modo de satisfazer o desejo da filha. Lembrou-se, então, dos dentes verdes do Curupira. Daria um bonito colar, sem dúvida.
Partiu para a floresta e procurou o lugar onde o gênio havia morrido. Depois de algumas voltas, deu com o esqueleto meio encoberto pelo mato. Os dentes verdes brilhavam ao sol, parecendo esmeraldas.
Conseguindo vencer o receio, apanhou o crânio do Curupira e começou a bater com ele no tronco de uma árvore, para que se despedaçasse e soltasse os dentes.
Mas qual não foi sua surpresa quando, de repente, viu o Curupira voltar à vida! Ali estava ele, exatamente como antes, parecendo que nada havia acontecido!
Por sorte, o Curupira acreditou que o Caçador o ressuscitara de propósito e ficou todo contente:
– Muito obrigado! Você devolveu-me a vida e não sei como agradecer-lhe!
O índio percebeu que estava salvo e respondeu que o Curupira não tinha nada que agradecer, mas o animal insistia em demonstrar sua gratidão. Pensou um pouco e disse:
– Tome este arco e esta flecha. São mágicos. Basta que você olhe para a ave ou animal que deseja caçar e atire. A flecha não errará o alvo. Nunca mais lhe faltará caça. Mas, agora, ouça bem: jamais aponte para uma ave ou animal que esteja em bando, pois você seria atacado e despedaçado pelos companheiros dele. Entendeu?
O índio disse que sim e desde aquele momento não mais lhe faltou caça. Era só atirar a flecha e zás! O bicho caía. Tornou-se o maior caçador de sua tribo. Por onde passava, era olhado com respeito e admiração.
Um dia estava caçando com outros companheiros que não tinham mais palavras para elogiá-lo. O índio sentiu-se tão importante que, ao ver um bando de pássaros que se aproximava, esqueceu-se da recomendação do Curupira e atirou…
Matou somente um pássaro mas, como o Curupira avisara, foi atacado pelo bando enlouquecido pela perda do companheiro. De seus amigos, não ficou um: dispararam pela floresta, deixando-o entregue à própria sorte.
O pobre índio foi estraçalhado pelos pássaros. A cabeça estava num lugar, um braço no outro, uma perna aqui, outra longe…
Então, o Curupira apareceu, e ficou com pena dele. Arranjou cera e acendeu um fogo para derretê-la. Depois recolheu os pedaços do Caçador e colou-os com a cera. O índio voltou à vida e levantou-se:
– Muito obrigado! Não sei como agradecer-lhe!
– Não tem o que agradecer, respondeu o Curupira, mas preste atenção. Esta foi a primeira e ú1tima vez que pude salvá-lo! Não beba, nem coma nada que esteja quente! Se o fizer, a cera se derreterá e você também!
Durante muito tempo, o índio levou uma vida normal. Ninguém sabia do acontecido. Um dia, porém, sua mulher lhe serviu uma comida quente e apetitosa, tão apetitosa que o índio nem se lembrou que a cera poderia derreter-se. Engoliu a comida e pronto! Índio e cera derreteram. (Do site Lendas,Causos, Contos e Cantigas. Exposição eletrônica de trabalho “Cultura popular brasileira: cantigas, contos, causos e lendas” dos alunos do 6o ano B, turno vespertino da EM Prof. Leôncio do Carmo Chaves, Uberlândia, MG Orientação: Professores André L. B. Martins (Português) e Juliana Aquino (Matemática)
2. Outro dia o Estadão publicou artigo assinado por Srdja Popovic, diretor do Centro para Ação não Violenta Aplicada e cofundador do Movimento Sérgio Pró-Democraria OTPOR: e por Miladen Joksic, que trabalha para o Conselho Carnegie para Ética em Assuntos Internacionais e ex-militante do OTPOR.
O artigo leva o título de Por que Ditadores não gostam de piada, e tem muito a ver com o momento que a comunicação, hoje totalmente dominada pela tecnologia, está vivendo.
Com raro discernimento os autores mostram como o humor inteligente é imbatível.
3. O artigo passeia pelo Oriente Médio, faz uma pausa no Egito e anda, através do humor, pelo Norte da África, pelas Europa, pela Rússia e pelos Estados Unidos. Sempre demonstrando que graças a ele grandes movimentos sociais ocorreram, sem que os donos do poder pudessem fazer algumas coisas.
“Há uma razão para o humor integrar o arsenal dos manifestantes do século 21: ele funciona. Primeiro, o humor quebra o medo e constrói confiança. Ele também adiciona um necessário frescor que ajuda os movimentos a atrair novos membros. Finalmente o humor pode incitar reações desastradas dos adversários de um movimento”, afirmam.
4. Li o artigo, Lembrei-me de como a publicidade anda triste. Aquele humor que tornou o talento dos publicitários brasileiros reconhecidos e admirados em todo o mundo, simplesmente sumiu do mapa.
Andei perguntando por aí para gente mais entendida e inteligente do que eu porque isso acontece, e a resposta mais comum que ouvi foi “porque o cliente não quer arriscar, ele só aposta em peça que tem certeza de que vai dar resultado?
5. Quem disse que humor não dá resultado?
Você mesmo, que teve as paciência de me seguir até aqui, viu que comecei transcrevendo uma história sobre uma figura do nosso folclore, contada com simplicidade por um grupo de garotos.
E aposto que gostou.
