ARTIGO | Resiliência: a chave é saber como se reenergizar
24 de Maio de 2019

ARTIGO | Resiliência: a chave é saber como se reenergizar

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por Robson Freire*

Por vezes, fico admirado ao notar como algumas pessoas superam problemas difíceis. Há quem enfrente infelicidades, baques e perdas quase irreparáveis, no entanto, são capazes de se levantar com agilidade que as tornam ainda mais fortes para seguir a caminhada. Você também já percebeu isso? Conhece alguém assim? Elas nos inspiram, não é mesmo?

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Estas pessoas são resilientes, ou seja, possuem características que demonstram capacidade de empatia, força de vontade, determinação e uma energia interna contagiante. Porém, apesar disso, o entendimento sobre o que é resiliência tem sido frequentemente confundido com a capacidade de resistir a coisas negativas, ou ainda, ser uma pessoa perseverante. Desde cedo, aprendemos que devemos ser fortes mediante ao estresse, aos conflitos e às pressões que a vida nos impõe sem fraquejar, não é assim?  Contudo, lidar com a exaustão e excesso de quedas, derrotas, dores e perdas necessariamente não é resiliência.  Muito embora, faça sentido encararmos estas situações como forma de aprendizado, não se trata apenas de evitá-las como sugerem algumas literaturas e profissionais.

O conceito de resiliência está ligado à habilidade de controlar sua resposta a situações física ou mentalmente estressantes, ou ainda, à maneira que temos de retornar ao estado normal. Tendo em vista esta capacidade de controle perante a determinadas situações, o nível de resiliência de um indivíduo pode determinar sua condição de ter êxito na vida, ou não. 

 

Resiliência está muito mais ligada
à maneira que você se recarrega,
do que ao quanto você resiste.

 

A maioria das pessoas presume que, simplesmente basta parar aquilo que está fazendo, ou mesmo fazer outra coisa para que o cérebro automaticamente se reestabeleça. Na verdade, isso pode ser um equívoco. Inúmeras pesquisas confirmam que existe uma correlação direta entre falta de descanso e aumento da incidência de problemas de saúde. Quando nosso corpo está em desequilíbrio devido ao excesso de esforço, é preciso uma grande quantidade de energia para superar esta fase de baixa motivação e sobrepujar o esgotamento, garantem Jim Loehr e Tony Schwartz, neurocientistas da Universidade de Harvard. Fato conhecido como supra regulação, que também pode acentuar ainda mais a exaustão. Logo, quanto mais tempo estiver na zona de empenho, mais tempo irá precisar para se recuperar.  

O gráfico a seguir estabelece uma relação entre tempo e esforço e aumento da felicidade, sugerindo várias atividades que você pode experimentar para se reenergizar. Para Zijlstra, Cropley e Rydstedt existem duas formas para se recuperar a resiliência: a interna e a externa. A primeira diz respeito a pequenas pausas, seja no cotidiano doméstico ou no trabalho, para deslocar a atenção para outras tarefas. A segunda está ligada a um total desligamento físico e mental da tarefa ou condição de trabalho que executa, por exemplo, desfrutar verdadeiramente dos finais de semana, feriados e férias. Nosso cérebro precisa de descanso tanto quanto nosso corpo.


Vale observar que retornar ao estado normal compreende ainda saber transformar o estresse em energia produtiva. Outra dica, em alguns casos, é fazer uma autointervenção cognitiva e reprimir os pensamentos derrotistas, passando a adotar uma atitude positiva e otimista. Então, resiliência está muito mais ligada à maneira que você se recarrega, do que ao quanto você resiste. Steven Southwick e Dennis Charney, cientistas da Yale University School  of Medicine também indicam quatro estratégias para potencializar sua resiliência: 1) aceite desafios e saia da zona de conforto, vá um pouco além do que você faz normalmente; 2) medite, e desenvolva uma visão positiva do mundo, não se prenda ao passado;  3) conecte-se às pessoas que te fazem bem e você ama; 4) valorize pequenas conquistas e tenha gratidão pela vida, isso  aumenta sua motivação, determinação, produtividade e, por consequência, a sua felicidade. E então, o que você está esperando para potencializar o seu nível de resiliência?

* Robson Freire, professor da Escola de Artes, Comunicação e Hospitalidade da Univali e pioneiro na proposição de desenvolver e lecionar a disciplina Felicidade em nível acadêmico no Brasil 
 

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