por Gizele Leivas*
Muito se espera dos (e das) profissionais de marketing: que possamos resolver os problemas de venda, que possamos tornar um produto ou serviço mais conhecido, mais consolidado; enfim, as expectativas são altas, e nós, focados e obstinados, qualidades que nem sempre nos são atribuídas, vamos em busca de soluções que agreguem valor e inovem na vida das pessoas. Gostamos de pensar que fazemos a diferença.
Poucas profissões entendem para que serve o ócio criativo – nós sabemos e utilizamos esse tempinho com muita sabedoria. Para manter a mente elevada, focada e em constante criação, criamos estratégias e conseguimos atender às demandas cada vez mais exigentes, com prazos mais curtos e resultados imediatos, como somos demandados.
O dia a dia é corrido, para todo mundo. Talvez um dos maiores desafios que enfrentamos é o tal olhar fora da caixa: não deixar que a rotina atrapalhe nossa percepção para inovar, a vontade de fazer diferente (e melhor), surpreender sempre. É nisso que ócio criativo contribui. Experimente um cafezinho com um colega, um papo curto e despretensioso, depois me conte!
Trabalho em equipe, respeito aos colegas – ah, isso faz toda a diferença em grandes corporações e até mesmo na vida, né? Ao longo de anos à frente do Departamento de Comunicação e Marketing de uma instituição de saúde, foi possível desenvolver trabalhos diferenciados, com resultados excelentes, com espírito de equipe e alto índice de coleguismo. Concebemos, por meio de ferramentas de marketing, uma nova visão e abordagem para treinamentos, adotando uma profunda sinergia com as áreas técnicas afins. Engana-se quem pensa que consegue resolver os problemas sozinho, é fundamental fazer a engrenagem girar para alcançar um bom desempenho para a organização.
Saúde é um campo desafiador para o profissional de marketing, muito do que estudamos e a literatura nos aponta como certo não tem a mesma aplicação nessa área. O profissional precisa estar alinhado com a cultura da organização e com os códigos de cada especialidade, neles há uma imensa quantidade de proibições e orientações acerca das ações de marketing para cada segmento. Precisamos, ainda, refletir sobre o posicionamento que a marca deve tomar frente a um momento tão especial da vida do ser humano, muitas vezes de dor, pois nem sempre nossas equipes conseguem ganhar no jogo da vida.
Nos perguntamos constantemente como tornar a experiência de cada paciente em um momento “uau”. Será possível promover uma jornada do paciente encantadora? Por que nem sempre chegamos nesse patamar? Entendemos que pecamos no processo de comunicação, seja com nossas equipes, seja com o paciente. A comunicação é um dos segredos para o encantamento e para o sucesso. De pouco adianta uma estratégia supercriativa se não for devidamente comunicada. As pessoas precisam entender que você se preocupa com elas, e não somente com a doença que têm.
Avalie como está seu processo de comunicação, e não esqueça: o bom marqueteiro precisa ser marqueteiro de si próprio.
* Gizele Leivas, coordenadora de Comunicação e Marketing do Hospital Dona Helena, com MBA em Marketing pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Gama Filho (RJ)
