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Coluna Ozinil Martins | A leniência com o errado
17 de Fevereiro de 2019

Coluna Ozinil Martins | A leniência com o errado

Por Prof. Ozinil Martins de Souza 17 de Fevereiro de 2019 | Atualizado 17 de Fevereiro de 2019

O fato de ser o Brasil um país acostumado com a violência gera fatos como os que hoje estamos lamentando. O recente incêndio do Museu nacional com perda de acervo e todas as suas consequências; o desastre ambiental de Mariana com mortos e vasta degradação ambiental; a repetição do fato 3 anos após em Brumadinho com todas as mazelas que acompanhamos e agora o incêndio no CT do Flamengo com 10 jovens mortos e 3 feridos, um com gravidade, são fatos do cotidiano dos brasileiros, que impactam, absurdamente, no primeiro momento e, depois caem no esquecimento, pois são substituídos por outros fatos mais graves. Apesar de termos no Brasil uma das melhores legislações ambiental do mundo, ela não é cumprida; como não são cumpridas as legislações em várias áreas das atividades econômicas. Todos os fatos relatados podem e devem ser caracterizados como criminosos, pois foram permitidos pela ganância de empresários inescrupulosos associados à leniência de órgãos públicos que não cumpriram seu dever de fiscalizar e punir. Até quando veremos a repetição de episódios como os citados? Para sua reflexão!  

A impunidade que nos assombra
A impunidade é, sem dúvidas, a causa de grande parte dos problemas brasileiros e, vem de longa data. Recordem-se de dois grandes incêndios ocorridos no país. O do Edifício Andraus no dia 24.02.1972 com 16 mortos e 330 feridos e do Edifício Joelma no dia 1º fevereiro de 1974 com 187 mortos e mais de 300 feridos. Com intervalo de dois anos, dois incêndios de proporções gigantescas e com muitos mortos. As cenas passadas ao vivo na televisão mostravam as pessoas jogando-se do alto dos prédios para não morrerem queimadas; era a opção que lhes sobrava. Perguntem se alguém foi punido? Se os inquéritos apuraram responsabilidades? Assim está acontecendo com Mariana, pois já caiu no esquecimento e acontecerá com os demais exemplos citados na coluna. O caso mais sintomático é o do Museu Nacional, pois os funcionários sabiam das gambiarras feitas e dos valores necessários para a correção dos problemas; não havia dinheiro para as correções, mas aconteceu então um milagre e o dinheiro, depois do incêndio, apareceu em profusão. Assim funciona o país!

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Assim se oficializa a impunidade
O Deputado Valdir Cobalchini, do MDB, encaminhou projeto de lei que prevê a proibição de fiscalização nas rodovias em SC através de radares e, vai mais longe, proibindo a compra pelo estado de radares. Sua alegação é de que a finalidade principal é aumento de arrecadação. Assim começa a impunidade que provoca grandes tragédias, que na verdade, não são tragédias, são consequências das fragilidades proporcionadas por legislações inadequadas. Se as pessoas que dirigem respeitarem as placas indicativas de velocidade existentes nas estradas, qual a dificuldade em instalar radares para punir aqueles que não o fazem? Parece claro que o deputado age em favor de criar mais insegurança nas estradas e o aumento da mortandade a que já nos habituamos, principalmente, em feriados prolongados. Caberia ao deputado explicar a seus eleitores o total de pontos acumulados em sua carteira nacional de habilitação ao invés de propor uma lei que só traria mais insegurança às estradas. Afinal são mais de 50 mil mortos no trânsito brasileiro por ano, fora os que ficam inválidos permanentemente.

Curtas
Enquanto todas as instituições governamentais queixam-se de falta de funcionários para exercer as fiscalizações de cada setor, somente o Senador da Republica – Fernando Collor de Mello – tem mais de 80 assessores em seu gabinete no senado. Temo que o problema se repita Brasil afora!
Enquanto não passarmos o país a limpo no tocante a privilégios e a impunidade fatos lamentáveis como os que estamos vivendo continuarão a repetir-se. Pesquisem e vejam quantos assessores cada deputado catarinense tem direito durante seu mandato.
O dinheiro seria muito melhor aplicado em Câmaras de vereadores, Assembleias, Câmara e Senado federal se houvesse equipes de profissionais concursados e em número limitado para atender a vereadores, deputados e senadores em suas necessidades legislativas. Seria um “pool” de funcionários qualificados atendendo a todos interessados.
Quando uma família entrega um filho a um clube de futebol, a uma escola ou a qualquer instituição que abrigue crianças a responsabilidade objetiva passa a ser da instituição. Portanto, o Flamengo tem uma responsabilidade imensa junto às famílias dos meninos vitimados, que estavam sob sua guarda. 

Educação
“A vida é amarga e doce. Por isso não há outra forma de descrevê-la senão captando esses dois sabores.” Jim Harrison

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