

Jackson Silva – Eu caí meio de paraquedas. Estudava na Escola Técnica com 16 para 17 anos e vi um anúncio de uma empresa de comunicação visual que trabalhava com eventos e precisava de alguém que soubesse mexer no Corel Draw. Como eu já dominava o programa eu respondi ao anúncio. A partir daí, comecei a trabalhar na questão da comunicação visual e a me desenvolver em designer. Esse foi meu início e considero que foi bem por acaso.
Hoje, meu trabalho já é mais voltado para a moda, uma área que me deu mais retorno, mas que também comecei meio ao acaso. Estava voltando de Portugal e um amigo meu, dono de uma estamparia, me convidou para atuar lá. Hesitei, porque nunca tinha trabalhado com serigrafia, mas arrisquei.
Cheguei lá, vi como era o princípio, e me senti em casa. Era tudo parecido com o que eu já tinha visto na comunicação visual. Na época em que o recorte ainda era importante, isso antes da comunicação digital, claro.
Essa empresa tinha alguns contratos com marcas locais, daí comecei a realizar meus trabalhos para eles e a me envolver nessa área de estamparia, voltada para moda. Foi assim que comecei.
Ao longo da carreira também mexi com designer de embalagem, designer gráfico em agências, designer têxtil e já estou no mercado há 15 anos.
AAqui – Então você aprendeu sobre a profissão através da prática e não de um curso?
J. S. – Não. Foi bem mais na questão prática mesmo, mas eu também fiz cursos. Minha formação acadêmica, claro, me deu embasamento teórico para a função que desempenho hoje. Porém, o domínio de ferramentas, pesquisa de tendência e de elementos foi na prática e na rotina de trabalho que eu desenvolvi experiência.
A parte acadêmica agregou também. Sempre foi um alicerce na hora de eu defender um trabalho meu.

J. S. – A Araçá surgiu quando voltei do interior de São Paulo, onde eu trabalhava em uma empresa têxtil. Quando eu voltei para Florianópolis eu já tinha um certo Knowhow no mercado de moda, já tinha alguns trabalhos em publicações renomadas, como Vogue, repercussão em alguns blogs, colunas de moda em jornais e sites da área, e decidi que não queria mais trabalhar para ninguém e montar o estúdio. Tinha a ideia de atender o máximo de clientes que eu pudesse no ramo da moda.
Aí veio a maior dificuldade é que no mundo da moda as pessoas prezam muito pela exclusividade. Quando um profissional trabalha no desenvolvimento do produto para determinada marca, eles não gostam que você trabalhe para outra, porque muito do teu traço e da tua forma de desempenhar o trabalho acaba se confundindo em trabalhos para outros clientes.
Diante dessa dificuldade, até mesmo porque a moda é sazonal, dividida por coleção pelas estações do ano, resolvi aumentar meu leque e comecei a atuar no estúdio não só com as estampas e passei a oferecer um full service para o cliente.
Além de eu desenvolver o produto, eu desenvolvo a campanha dele, porque ninguém melhor para se comunicar com o cliente do que aquela pessoa que fez parte da criação do produto. Aquela mesma pessoa que decidimos atingir na hora que fizemos o produto, eu consigo enxergar como alvo claro ao pensar uma campanha.
Outro caminho que encontrei foi passar a não trabalhar somente com moda. Hoje a Araçá atende fábricas de suplemento, distribuidora de suplementos, uma rede de loja de materiais elétricos, uma fábrica de camisetas. Claro que a grande força ainda está na moda, por mais que tenhamos aberto esse leque, tentando agregar outros clientes.
AAqui – Que tipo de serviço a Araçá está apta a oferecer ao mercado?
J. S. – Além dessa parte têxtil de desenvolvimento de estampas para moda, padronagem para tecido, seja ele para estofamento, cortinas – os trabalhos com estamparia fizemos tanto com estamparia tradicional de silk, como para estamparia digital -, também trabalhamos com fotografia (lookbook, editoriais de moda), vídeo (de bastidor, ou conceitual da marca), gerenciamento de redes sociais, identidade visual, papelaria, anúncios. Também desenvolvemos ações de marketing direto, como, por exemplo, a blitz que fizemos em diversas academias para mostrar os produtos de um dos nossos clientes.
AAqui – Qual é o ponto forte do estúdio? Onde que vocês se destacam?
J. S. – Nosso grande forte é a moda. O desenvolvimento de estamparia. Essa é a grande força da nossa empresa. O maior faturamento ainda vem através da prestação desse serviço.
A empresa tem outro ponto forte: temos gente nova, ligada em tendências, mas que também está a fim de inovar experimentar. O foco da Araçá é ser inovadora, criar novas formas de se comunicar de maneira arrojada e arriscando. Nós vemos o mercado como um laboratório aberto a experiências.
AAqui – Quem são os potenciais clientes da agência?
J. S. – Todo comerciante, toda empresa que tem necessidade de se comunicar através de redes sociais ou qualquer outra mídia, empresas que querem desenvolver produtos, embalagens. O pessoal da moda que precisa de estamparias, bordados, editoriais de fotografia. As marcas que estão ainda se lançando, essas podem procurar a Araçá e receberão uma consultoria sobre tendências, dicas de técnicas e tecnologias que melhor se aplicarão de acordo com o foco delas.
AAqui – Você disse que Araçá tem apenas dois anos. O mercado catarinense tem espaço para empresas com o perfil da Araçá?
J. S. – Realmente é um mercado que apresenta certa saturação. Tem empresas muito antigas e já consolidadas e também sempre tem empresários se lançando. Como temos essa questão da moda mais visceral e é o foco, aí apresentamos um diferencial. Eu não consigo encher uma mão citando exemplos de concorrentes, de outros estúdios focados na prestação deste serviço.
Na Araçá, o cliente pode chegar só com a ideia de fazer uma marca e conseguimos criar todo esse processo, desde o desenvolvimento de produto, qual o público-alvo que ele quer atingir, tendência, linguagem. Nós vamos assessorá-lo até na questão do tecido, qual técnica de estamparia que se aplica melhor para ele. E vamos além, prestando serviços de publicidade.
AAqui – Por que a Araçá atua com foco na moda?
J. S. – O grande lance da moda é que a cada seis meses tudo muda. As tendências, os traços, os elementos mudam. Isso é sempre muito motivador porque você não cai na mesmice. Sempre ocorre uma rápida reciclagem das ideias e você tem que desenvolver algo novo. Não é possível ficar preso à mesma coisa.
Por mais que o mercado da publicidade também se renove, ele não é tão rápido quanto o da moda. A moda permite experimentos e é muito dinâmica.
AAqui – 2014 será um ano muito rápido e cheio de grandes eventos, Eleições, Copa do Mundo, e geralmente quem fatura nesses eventos são as grandes marcas, como driblar essa realidade?
J. S. – Para nós a Copa do Mundo é bem-vinda. Um dos nossos clientes, o Grupo Sun Camisetas, que comercializa camisetas promocionais, de turismo e praia, por exemplo, solicitou estampas com o tema Copa do Mundo. Também tem os brindes que desenvolveremos para os nossos clientes. Nós, certamente, driblaremos bem a Copa do Mundo.
Outro evento que destaco para nós neste ano é o Arnold Classic, a maior feira fitness e de fisiculturismo do mundo que terá sua segunda versão brasileira esse ano no Rio de Janeiro. Dois dos nossos clientes participarão como expositores. Nós, é claro, viajaremos junto para cobrir, e isso refletirá na visibilidade da Araçá.




