Aconteceu de novo. É só pegar um táxi com o Conrado que, ao final da corrida, o motorista, intrigadíssimo, pergunta em que língua nós estávamos conversando.
Português brasileiro é uma língua linda e exótica. E, como toda língua exótica, pouca gente conhece.
E antes que se levantem os defensores do idioma (como se ele estivesse sofrendo algum tipo de ataque) bradando que a nossa é a sétima língua mais falada do mundo, quero lembrar que a primeira é o mandarim (alguém aí é fluente?) e que a segunda é o hindi (desafio alguém no Brasil achar uma escola que ensine isso).
Essas línguas são muito faladas só porque a população nativa dos seus países é grande, como no Brasil. Se a gente considerar as línguas mais faladas sem que o sejam necessariamente por nativos, o inglês ocupa o segundo lugar, e antes do português ainda temos o hindi, o espanhol, o russo e o bengali.
Além do Brasil e Portugal, o português é falado apenas em alguns países africanos. E deu. Mas é que realmente aprender português como segunda, terceira ou quarta língua é só para quem pode mesmo, pois o idioma é bem difícil (descobri, para minha surpresa, que a pronúncia é ainda pior que a gramática).
Meu professor de fonética, que fala 6 idiomas, só sabe do português brasileiro que é uma língua muito musical. Faz sentido. Um dos meus parceiros de Tandem (que também já fala 3 línguas) está estudando porque adora música brasileira.
Outra moça está namorando um brasileiro e minha terceira parceira quer aprender porque está inscrita num programa de ajuda humanitária na África. Ao contrário das outras línguas, as pessoas aprendem português por amor… ou então por amor. Não tem outro motivo (achei lindo isso).
Se o Brasil fosse do tamanho da Ucrânia, por exemplo, falar português não seria um problema, pois todos nós falaríamos com fluência pelo menos uma segunda língua (tenho uma amiga libanesa que foi alfabetizada em francês e árabe, normal nas escolas de lá; e eles ainda precisam aprender inglês, claro). Mas porque nosso país tem dimensões continentais e uma economia forte, não é uma necessidade tão premente assim aprender outro idioma. É possível viver tranquilamente uma vida inteira como monoglota, inclusive sendo um excelente profissional, coisa impensável em alguns países. Se por um lado é bem confortável, por outro nos isola muito do resto do mundo…
Enfim, uma pena. A língua portuguesa é linda, musical, poética, mas infelizmente não tem muita utilidade prática no resto do mundo. Como dizia Olavo Bilac, “Última flor do Lácio, inculta e bela/ És a um tempo, esplendor e sepultura”.
Pena mesmo, pois é a única em que que consigo escrever com real fluência, do fundo do coração (claro, é minha língua mãe) e isso reduz em muito meu número de leitores.
É que falar português, amigos, temos que reconhecer, é um luxo…
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Referências: Revista Galileu, Britannica e BBC.

