No conforto da ferradura
05 de Fevereiro de 2013

No conforto da ferradura

Publicidade

Às vezes me pergunto: quem inova mais, o homem ou a tecnologia? Espere, deixa-me explicar este difícil questionamento, antes que você parta para o raciocínio lógico de que foi o homem que inventou a tecnologia! Sim, claro, esta certeza é irrefutável, ao contrário da pergunta popular sobre quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?

Mas, pare um pouco para refletir sobre o óbvio.

Publicidade

A tecnologia utilizada em pesquisa e trabalhos em arquitetura, medicina, engenharia, farmacologia, etc.etc. permite a precisão de análises e cálculos a uma velocidade fantástica, ao contrário de 30 anos atrás, quando o tempo pesava muito no trabalho. Um cálculo de concreto, por exemplo, ocupava o engenheiro por mais de uma semana; hoje, o computador só precisa de alguns minutos. A tecnologia cada vez mais enseja o aprimoramento da própria tecnologia, dos processos de automação e formata modelos que se multiplicam em questão de horas. Logo, o homem se utiliza da tecnologia para ousar nos avanços técnico-científicos.

Em nível de ciência e tecnologia, não há dúvida de que os avanços ampliam a comodidade, o lazer, a ociosidade e, sobretudo, o consumo. Imagine, uma geladeira em 1974 custava o equivalente à cotação atual de 2 mil dólares, e o difícil é saber quem não possui um refrigerador, tevê, micro-onda e mesmo um carro na garagem.
O que nos reservam os avanços tecnológicos nos próximos sete anos?

A previsão é de que em 2020 haverá um supercomputador que excederá a capacidade computacional do ser humano. Imagine, por exemplo, o computador desenvolvendo projetos em um dia, quando o ser humano poderia levar um mês? Já pensou um computador instalado, em forma de robô, em uma agência de publicidade e nele armazenássemos informações do cliente para ele propor uma campanha e um plano de mídia? Acha difícil? Não, o computador já ajuda e muito o pessoal de criação, só ainda não dá ideias sui generis. E, certamente, dentro de sete anos o computador de criação e planejamento de campanha vai levar uma vantagem: não copiará e fugirá à mesmice.

Vamos a um exemplo lógico. Se abastecermos o computador com informações de um banco, com certeza a proposta de campanha não contemplaria jogador ou artista para convencer o cidadão a depositar seu dinheiro ou fazer negócio no Banco do Brasil, Santander ou em outras empresas financeiras, não é mesmo? Ou será que o computador terá a imaginação fértil de mostrar um pipoqueiro para convencer o consumidor a comprar carro novo?

O grande problema é que criamos o computador para facilitar nossas atividades, dar velocidade aos nossos trabalhos e compromissos e, no entanto, queremos viver na velocidade dele. Por isso, estamos copiando, repetindo, anuviando, sonhando, longe de inovar. Falo do nosso dia a dia. Na publicidade, o setor que mais foge à obviedade da criação é a loja de varejo, que continua vendendo pondo preços e produtos na tela e nos impressos. O restante devaneia. Ainda apostam na persuasão do subconsciente. Ora, ora, vivemos na esquizofrenia da velocidade e não há mais tempo para incubar ideias.

Bem, agora concluo o que disse no começo: cuidado, a máquina já está nos passando a perna. Daqui  a pouco o robô vai nos recomendar passar uma semana no Havai. “E deixe comigo; não me aporrinha”, diria ele em uma mensagem, que vai virar rotina. Aí, meu amigo, só há uma forma de fugirmos a esse risco: acordar-se logo porque o conforto da ferradura está virando sela de espinho.

NO CONFORTO DA FERRADURA
Laudelino José Sardá

Às vezes me pergunto: quem inova mais, o homem ou a tecnologia? Espere, deixa-me explicar este difícil questionamento, antes que você parta para o raciocínio lógico de que foi o homem que inventou a tecnologia! Sim, claro, esta certeza é irrefutável, ao contrário da pergunta popular sobre quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha?
Mas, pare um pouco para refletir sobre o óbvio.
A tecnologia utilizada em pesquisa e trabalhos em arquitetura, medicina, engenharia, farmacologia, etc.etc. permite a precisão de análises e cálculos a uma velocidade fantástica, ao contrário de 30 anos atrás, quando o tempo pesava muito no trabalho. Um cálculo de concreto, por exemplo, ocupava o engenheiro por mais de uma semana; hoje, o computador só precisa de alguns minutos. A tecnologia cada vez mais enseja o aprimoramento da própria tecnologia, dos processos de automação e formata modelos que se multiplicam em questão de horas. Logo, o homem se utiliza da tecnologia para ousar nos avanços técnico-científicos.
Em nível de ciência e tecnologia, não há dúvida de que os avanços ampliam a comodidade, o lazer, a ociosidade e, sobretudo, o consumo. Imagine, uma geladeira em 1974 custava o equivalente à cotação atual de 2 mil dólares, e o difícil é saber quem não possui um refrigerador, tevê, micro-onda e mesmo um carro na garagem.
O que nos reservam os avanços tecnológicos nos próximos sete anos?
A previsão é de que em 2020 haverá um supercomputador que excederá a capacidade computacional do ser humano. Imagine, por exemplo, o computador desenvolvendo projetos em um dia, quando o ser humano poderia levar um mês? Já pensou um computador instalado, em forma de robô, em uma agência de publicidade e nele armazenássemos informações do cliente para ele propor uma campanha e um plano de mídia? Acha difícil? Não, o computador já ajuda e muito o pessoal de criação, só ainda não dá ideias sui generis. E, certamente, dentro de sete anos o computador de criação e planejamento de campanha vai levar uma vantagem: não copiará e fugirá à mesmice.
Vamos a um exemplo lógico. Se abastecermos o computador com informações de um banco, com certeza a proposta de campanha não contemplaria jogador ou artista para convencer o cidadão a depositar seu dinheiro ou fazer negócio no Banco do Brasil, Santander ou em outras empresas financeiras, não é mesmo? Ou será que o computador terá a imaginação fértil de mostrar um pipoqueiro para convencer o consumidor a comprar carro novo?
O grande problema é que criamos o computador para facilitar nossas atividades, dar velocidade aos nossos trabalhos e compromissos e, no entanto, queremos viver na velocidade dele. Por isso, estamos copiando, repetindo, anuviando, sonhando, longe de inovar. Falo do nosso dia a dia. Na publicidade, o setor que mais foge à obviedade da criação é a loja de varejo, que continua vendendo pondo preços e produtos na tela e nos impressos. O restante devaneia. Ainda apostam na persuasão do subconsciente. Ora, ora, vivemos na esquizofrenia da velocidade e não há mais tempo para incubar ideias.
Bem, agora concluo o que disse no começo: cuidado, a máquina já está nos passando a perna. Daqui  a pouco o robô vai nos recomendar passar uma semana no Havai. “E deixe comigo; não me aporrinha”, diria ele em uma mensagem, que vai virar rotina. Aí, meu amigo, só há uma forma de fugirmos a esse risco: acordar-se logo porque o conforto da ferradura está virando sela de espinho.

Publicidade
WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter