Foto: ZCO Corporation
O ambiente de inovação cresceu de maneira acelerada nos últimos anos em Santa Catarina. Sede das maiores entidades, bancos de fomento e gestoras de capital de risco, Florianópolis acabou puxando boa parte desse movimento, mas seria incorreto dizer que o avanço não vem beneficiando também outras cidades. As iniciativas que vem dado certo na Capital – como a criação de uma rede de investidores anjo, eventos e programas de apoio ao empreendedorismo (StartupSC, Sinapse da Inovação, Startup Weekend) e o desenvolvimento de centros de inovação – já estão sendo replicados estado afora.
Isso resulta em uma série de novas startups surgindo e maior demanda por espaços de inovação, eventos de relacionamento, empreendedores e profissionais capacitados e, por último mas não menos importante, recursos para ajudar estes novos negócios a decolar. A falta de dinheiro disponível para investir em startups é considerado um dos maiores gargalos para o desenvolvimento do setor em Santa Catarina. Foi o que levou à criação de um fórum, capitaneado pela Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), envolvendo os principais investidores, fundos de capital de risco, aceleradoras e grandes empresas, com o objetivo de entender as demandas do mercado de inovação, estruturar ações e aumentar o volume de recursos disponíveis para investir em startups.
“Somente na Grande Florianópolis, estimamos que há R$ 280 milhões para capital de risco, somando todos os investidores e fundos em atividade na região. Queremos, em cinco anos, que este volume chegue a R$ 1 bilhão“, anunciou Marcelo Wolowski, sócio diretor da gestora de venture capital Bzplan, e que será um dos líderes do fórum, junto com Marcelo Cazado (Rede de Investidores Anjo/Acate e gestora Inseed) e o vice-presidente de Mercado da Acate, Silvio Kotujansky. O lançamento é nesta quinta-feira, 28 de junho, em Florianópolis.
“Temos muitas startups, o que é um bom sinal, não temos massa crítica de investidores, especialmente em cidades menores. A falta de experiência neste mercado de inovação é um fator crítico”, me disse Marcelo Cazado, o que explica a necessidade de uma articulação conjunta. O cenário macroeconômico do Brasil, com perspectiva de crescimento, juros baixos e maior atratividade em investimentos de maior risco, aponta para o aumento do volume de recursos destinados a venture capital.
De acordo com a pesquisa apresentada pela aceleradora paulista ACE – que anunciou a chegada em Florianópolis no segundo semestre – o Brasil conta com um total de 8 mil investidores anjo, que colocaram cerca de R$ 85 milhões em novos negócios. Uma fração do que representa o mercado nos Estados Unidos, onde há 290 mil investidores, que aportaram em startups mais de US$ 20 bilhões.
Fundo Criatec 3 aposta em mais uma startup de Florianópolis: Knewin
“Fizemos oito investimentos em empresas de Santa Catarina e todos deram certo. Nenhuma outra região do país teve uma taxa de sucesso de 100%“, aponta Gustavo Junqueira, diretor da gestora Inseed. Isso se deve, segundo ele, ao nível muito alto de tecnologias desenvolvidas na região em função de conhecimento profundo dos empreendedores envolvidos. A capacidade de atração e retenção de talentos é outro diferencial regional: “a oferta em Santa Catarina é muito interessante: há uma junção de tecnologia de ponta e qualidade de talentos”, opina.
A Inseed já colocou mais de R$ 20 milhões em empresas inovadoras do estado. A mais recente delas é a Knewin, de Florianópolis, que desenvolve uma plataforma de recuperação de informação e recebeu aporte de R$ 3 milhões para ganhar escala global. A empresa, fundada em 2011, monitora mais de um milhão de fontes noticiosas (jornais impressos, online e programas de rádio e TV) e é utilizada por assessorias de comunicação no setor público e privado, além de provedoras de clipping (pesquisa e armazenamento de notícias).
Um dos cotistas do fundo Criatec 3, que investiu na Knewin, é o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). É a primeira vez que a instituição entra em um fundo de capital de risco – e a experiência tem sido positiva, avalia Felipe Castro Couto, gerente de Planejamento: “nós avaliamos as empresas, participamos do comitê de investimentos, continuamos com outras linhas de fomento e temos interesse em participar de outros fundos”.
E assim o Clube do Bilhão vai ganhando novos sócios.
