Publicidade
Coluna Ana Lavratti: O amor não é fácil. É fábula!
11 de Junho de 2018

Coluna Ana Lavratti: O amor não é fácil. É fábula!

Por Ana Lavratti 11 de Junho de 2018 | Atualizado 11 de Junho de 2018

Naquela noite, há 16 anos, eu tinha decidido encontrar o amor.

Um amor instantâneo e irreversível. Infinito e eterno.

Publicidade

À primeira vista. A se perder de vista…

Certa de que ele existia, e mesmo se insistia em “atrasar”, um dia estaria lá.

 

Fazia bem pouco que eu havia levado minha irmã a um bar na Lagoa, e o clima, em 2002, era exatamente este, de prévia de Copa do Mundo.

Ali, diante da minha torcida mais genuína, minha irmã conheceu o Fernando. E antes mesmo do Brasil vencer a Copa, o amor já vencia de goleada.

Quatro anos mais moça do que eu, a Daniela não precisou de quatro meses pra ganhar uma aliança.

Assistindo de camarote a todos os dribles do amor, que crescia imune à distância que separava as cidades onde eles viviam, não pude evitar o insight: e o meu par, continuaria à parte?

 

Completamente distraída pela “vida que eu sempre quis”, morando na Beira-Mar Norte, com um Mercedes na garagem, diariamente maquiada na telinha da TV, percebi de repente que não basta chutar pra marcar o pênalti.

É preciso técnica, sorte, e acima de tudo, a oportunidade pra fazer o gol. Pra ter um amor, antes eu tinha que dar chance ao amor. O que, no meu caso, era sinônimo de baixar a bola! Ter mais tempo livre e menos medo de dividir minha vida.

Mudar a mente, ciente que a vida a dois não segmenta os sonhos… Ela sedimenta o melhor de nós.

Porque o placar do amor tem regras próprias: quanto mais a gente distribui, mais ele multiplica.

 

Então adivinha…

Sem temer encontrar, amar, casar e perpetuar o novo ar em forma de família, voltei ao John Bull, justamente o bar onde a minha irmã virou o jogo.

Assim que vi o Marcio já não havia volta. Era estudante na graduação, nascido 10 anos depois de mim, e daí, não importa!

Às margens da Lagoa, o MARcio com MAR no nome, com o MAR tingindo a íris, virou meu MARido num piscar de olhos.

 

Lá se vão 16 anos. No mar que mora no olhar, já vi marolas e maremotos, brilho de diamante quando nossa filha nasceu e o breu dilacerante nas jornadas na UTI… Mas nunca vou esquecer de quando nos olhamos pela primeira vez. De quando enfim entendi cada passo e tropeço que me levaram até ali.

Depois de um ano morando na Alemanha, decidido a voltar logo pra Europa, ele me viu, veio e venceu no escanteio.

Destronando antigas certezas. Derrubando as próprias defesas. Decidimos formar um time. Porque o amor não é fácil. É fábula!

E só funciona quando vestimos o mesmo uniforme, respeitamos as mesmas regras, e mesmo ocupando posições distintas, avançamos juntos em uma direção: superando cada entrave, mirando sempre a mesma trave, assegurando ao outro o melhor passe, em generoso conclave.

 

Ao te ver, já não podia arremeter, apenas ser…

 

Ao se revelar, amortecendo a retina

e se desdobrar à luz da minha rotina,

nosso amor luzia em dupla aura,

de improvável… como sempre

ou de possível… como sonho.

 

A ilusão pedindo coragem,

a proteção clamando distância

e a clemência, santa ingênua,

engenhando a permanência.

 

Meu coração desregrado,

tatuado por turbulências

ansioso pelo repouso

tateava um campo de pouso.

 

Porém descrente, receoso…

evitou aterrissar.

Tentou protelar, adiar,

fugir da fábula escrita a giz. 

 

Mas fadado ao final feliz

já não podia arremeter, apenas ser,

sem seguros, promessas ou fiança

o lado de dentro da tua aliança.

ACOMPANHE MAIS POSTS by #ANALAVRATTI NO INSTAGRAM @analavratti e no FACEBOOK @fanpageanalavratti

WhatsApp
Junte-se a nós no WhatsApp para ficar por dentro das últimas novidades! Entre no grupo

Ao entrar neste grupo do WhatsApp, você concorda com os termos e política de privacidade aplicáveis.

    Newsletter