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Coluna Inovação | Encontrar investidores, o maior desafio da indústria criativa
10 de Maio de 2018

Coluna Inovação | Encontrar investidores, o maior desafio da indústria criativa

Foto: Wall Street International

Quem acompanha de fora o mercado de inovação, em que volta e meia pipocam notícias sobre investimentos de alguns milhões em startups, pode pensar que os empreendedores que receberam esses recursos receberam um bilhete premiado e estão feitos na vida. Nada mais distante do mundo real.

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Já quem conhece na prática os percalços e as exigências que esses investidores e os fundos de capital de risco fazem às startups sabe que o negócio é doído (e doido também, caso o leitor tenha passado batido pelo acento agudo). Além da pressão para desenvolver um produto inovador e com potencial de crescimento em escala, é preciso cuidar da expansão do negócio, contratar pessoas, entender de marketing, finanças, tributação, vendas e o escambau. (Dica de leitura pra quem se interessa pelo assunto: o blog Captando Investimento, com ótimos artigos assinados por Rodrigo Ventura, sócio da gestora catarinense de venture capital Bzplan).

Há quem fique pelo caminho e quebre, há quem enriqueça. Mas o jogo, apesar de complexo, é claro como uma planilha de Excel. Mas o assunto da coluna é outro.  

No sábado, foi lançado em Florianópolis o Sebraelab Economia Criativa, um espaço que vai reunir diversas iniciativas ligadas a essa indústria que envolve artes, design, moda, comunicação, tecnologia, audiovisual etc. “A ideia é estimular a transformação cultural, atraindo pessoas interessadas em inovar e criar. Queremos gerar novas conexões envolvendo empresas tradicionais, startups tradicionais profissionais da classe criativa”, me disse Mariana Grapeggia, gerente de Empreendedorismo Inovador do Sebrae/SC. Ainda é o primeiro passo – ao longo do próximo mês é que deve ser lançado edital para seleção de projetos e ocupação dos espaços, na sede da entidade, na Capital.

O lançamento, que reuniu mais de 600 pessoas, incluiu workshops, palestras e vários debates ao longo do dia. Em um deles, um tema crucial foi à mesa: como é que se investe em negócios criativos? Aliás, onde buscar recursos para essa área, além dos editais públicos de fomento e de alguns poucos programas oferecidos por grandes corporações (como Itaú, Oi, Natura e outras)?

“Nessa área, o investidor não pode olhar apenas os números e projeções financeiras. O essencial é a visão da arte e aí os indicadores precisam ser outros. O que a empresa vai lançar, como ela pode bombar no mercado, o impacto que ela vai causar na sociedade e na cultura”, argumentou José Eduardo Fiates, diretor superintendente da Fundação Certi e que há mais de 20 anos busca negócios inovadores país afora para se encaixarem no ecossistema local de inovação. Para ele, não há investidores o suficiente para fomentar a economia criativa no país. Seria preciso, portanto, estimular novos mecenas e recorrer a alguns exemplos extremos: “quem é que não gostaria de ter investido, nos anos 1950, num jovem Tom Jobim e ser sócio hoje de todo aquele conjunto de músicas?”.

Bem, quando as primeiras empresas de tecnologia surgiram em Florianópolis, na década de 1980, não havia redes de investidores anjo, nem fundos de venture capital ou aceleradoras. O que tinha na época era um país com hiperinflação e uma obscena reserva de mercado imposta por lei. Foi o empenho de empreendedores que acreditaram em seus negócios que acabou gerando um mercado que hoje fatura R$ 11 bilhões por ano e que pode, sim, agregar num futuro próximo startups de pegada mais criativa. Até surgirem, em maior número, alguns mecenas interessados em fazer essa indústria girar.

Enquanto isso, rapaziada criativa, é preciso botar a mão na massa e não ficar esperando benesse de ninguém.
 

Vitória local no ProXXIma Startups

É de Florianópolis o projeto vencedor da 7a. edição do ProXXIma Startups, competição nacional voltada ao empreendedorismo no mercado de comunicação: a Feedz é uma plataforma de people analytics, em que gestores podem avaliar o engajamento de suas equipes, identificando sentimentos, frustrações e outros motivos que levam à redução de produtividade e rotatividade no ambiente de trabalho. Desenvolvida pelos empreendedores Gabriel Leite e Bruno Machado Soares, a Feedz oferece módulos como “termômetro de humor”, mural de celebrações, chat, pesquisas internas, espaço para dar e receber feedbacks, entre outras ideias.

Segundo Gabriel, 74% das pessoas estão infelizes nas empresas e o desafio dos gestores é justamente entender o que poderia ser mudado para estimular os colaboradores. O sistema é um SaaS (software como serviço) que permite algumas customizações de acordo com a necessidade do cliente, aplicável a pequenas, médias e grandes empresas.

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