Às vezes a vida pira. Mas que sorte… ela gira… e o mundo muda pra melhor…
Às vezes a vida estira… como se o dia, só de dores & danos, nunca fosse ter fim…
Mas então o amor ampara, e o tempo – que não para – conspira a nosso favor.
Nesta época, há meio ano, eu morava no hospital!
Tentando obstinada desviar dos fantasmas da internação anterior.
Como vista exclusiva, tinha o sofrimento do meu amor…
breves escapadas, só da janela do computador.
Passando os dias desejando que os dias passassem,
pensava em tudo o que passamos desde o pré-diagnóstico aos 35 anos:
um tumor agressivo instalado na base da coluna,
um tipo incomum, tão profundamente encravado
que só pôde ser extirpado graças à excelência dos cirurgiões.
Desde então perdemos a conta dos riscos e sacrifícios.
Se é pra contar, vamos contar vantagem: os milagres.
Mais de 20 cirurgias com anestesia geral.
No quadril, pra biópsia, extração do tumor na coluna e controle da infecção.
Depois nas cordas vocais, pra compensar os calos da traqueostomia.
Mais de 20 dias em coma na UTI.
Três meses e meio de internação hospitalar.
Vértebras removidas, medula suturada,
parafusos meticulosamente encaixados.
A mesma simbiose precisa com que a
vida do Marcio se encaixa na nossa vida.
Passado meio ano, a ferida é tão profunda que resiste em fechar,
a dor é tão intensa que recusa aliviar,
apesar do cuidado e dos curativos.
Mas as chances gigantes de sequela… ufa… o pior foi vencido!
Porque naquele 25 de outubro de 2017
um “complô” de Marcios salvou a minha família.
Primeiro o cirurgião vascular Marcio Miyamotto, que desviou a circulação sanguínea, impedindo o choque de 2015, na cirurgia de 15 horas.
Depois os cirurgiões ortopédicos, liderados pelo Professor Doutor Marcio Moura,
que é referência em Oncologia Ortopédica no Brasil
e justificou toda a nossa fé, devolvendo o nosso Marcio inteiro e em pé.
Nosso Marcio… que desprezou o pior prognóstico
concentrado na vitória, jamais no tormento ou no lamento.
Que poderia reclamar mas prefere resolver,
buscando todos os recursos, da alimentação à fisioterapia,
da medicação ao tônus mental… ao treino espiritual.
Às vezes a vida pira. Mas que sorte… ela gira… e muda o mundo ao redor…
Às vezes a vida inspira… e revela o jardim que o choro fez brotar.
Quando o amor ampara, nosso tempo – que não para – demonstra seu valor.
Passado meio ano de tantas mudanças,
o Marcio até poderia viver de memórias, mas é movido a motivos.
Nenhuma motivação provoca revolução.
Mas um motivo… ah… este sim leva à ação:
curar a si pra cuidar de nós. Conduzido
pelo poder que a gente detém quando se permite amar além,
amar alguém com tamanha verdade e tenacidade
que o mundo encolhe, desacelera e nos convence
que pra ser feliz, estar vivo é suficiente.
* Que privilégio, meio ano depois de ter as mãozinhas da Lara me consolando na longa espera de 13 horas, há meio ano, no centro cirúrgico, fazer das minhas mãos o mais orgulhoso aplauso: no programa SBT e Você, na etapa aberta do Floripa Tap no Open Shopping de Jurerê Internacional e na Noite de Gala do Floripa Tap, neste sábado do CIC. Para ampliar as imagens e acionar o slideshow , clique nas fotos da Galeria.
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