2014 vai ser ótimo!
10 de Janeiro de 2014

2014 vai ser ótimo!

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Eu sou um otimista incorrigível. Cheguei a pensar, a certa altura da vida, que poderia ser vítima de alguma patologia mental, ainda que moderada. Mas não. O meu otimismo tem se mostrado saudável. E me atrevo a pensar que ser otimista, isso sim, é que é ser normal. Afinal de contas, não fosse o otimismo, não haveria a fé nem a esperança; não haveria a confiança nem a motivação. O otimismo tem seu aspecto alienante? Pode ser, mas e daí? Quer tese mais “alienada” do que a assertiva que diz que “por não saber que era impossível foi lá e fez”? O “não saber que era impossível” é pura alienação; o “foi lá e fez” é puro otimismo. Aos sessenta anos, vou chegando à conclusão de que, tirante os fenômenos naturais (e suas fabulosas tragédias), o resto é subjetivo. Os cenários de mercado, por exemplo, são contingências tão relativas que beiram a ficção. Meras contingências quase ficcionais e que geram percepções as mais diversas. E aí reside seu encanto. Em que pesem as opiniões sinistras, o que vale é o acordo tácito e implícito entre os otimistas. É ele que move o moinho – o otimismo é o único combustível que jamais pode faltar. Diferente do inteligente, do esperto, que sabem as regras para se proteger do infortúnio, o otimista é um ingênuo que tudo vê pela lente do encantamento. Por isso, todos os otimistas são ricos, tenham ou não tenham dinheiro. E todos os espertos pobres são infelizes. Compreensível. Não deve ser fácil dedicar a vida a ser esperto e continuar pobre. O otimismo é bom porque é versátil, não depende das circunstâncias, ele se basta. Quando as coisas ficam de fato muito pretas e o seu otimismo é colocado a uma prova mais dura, o otimista puxa sua arma secreta: a consciência da relatividade de tudo. É como o céu e as nuvens. Agora, estão compondo um tipo de arranjo; daqui a pouco será outro. Sem medo de errar, eu digo que 90% dos problemas são criações das nossas mentes. Os outros 10%, os de verdade, são as catástrofes naturais e as doenças incuráveis. Quando um determinado arranjo das nuvens no céu incomoda, fica fotografado na mente e aí gera uma porção de atitudes reativas e pessimistas. E cegamos para a evolução natural das coisas. Em meia hora, o céu será outro, mas na nossa mente terá estancado naquele momento incômodo. E teremos tomado uma porção de iniciativas, já incompatíveis com o novo cenário. Uma trapalhada genuinamente pessimista. O otimista erra? Erra, mas geralmente avançando. O pessimista acerta? Acerta, mas geralmente parando. Já engraçado é o realista, quem, de fato, não existe. Ninguém mais irreal que o realista, é um conceito de pura soberba. Não por acaso, usa-se a expressão “estar sendo mais realista que o rei”. Todo aquele que se diz realista, na verdade “é mais realista que o rei”, é um presunçoso. De fato, só há duas condições de encarar a vida: com pessimismo ou com otimismo. A realidade é simplesmente a percepção advinda desses olhares. Ou seja, cada um faz a sua. Espero que, em 2014, a sua seja tão boa quanto vai ser a minha.

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