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Valei-me São Design Thinking
10 de Janeiro de 2012

Valei-me São Design Thinking

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Por Ligia Fascioni 10 de Janeiro de 2012 | Atualizado 03 de Dezembro de 2021

 


Foto: Andy Anderson

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Dia desses dei uma entrevista sobre design thinking para uma revista de varejo e a jornalista perguntou sobre a economia e o lucro que a empresa poderia obter aplicando essa abordagem. Respondi, sem titubear, que nenhum profissional sério poderia responder a essa pergunta em termos absolutos. O design thinking baseia-se no risco, não há como se ter garantias. Pode dar muito certo ou muito errado; como saber?

Foi o que bastou para disparar uma saraivada de e-mails malcriados vindos de todas as partes em direção à minha caixa postal. Um dos que mais me chamou a atenção foi o de um designer reclamando que, depois de tanto tempo de luta, finalmente a profissão passou a ter seu merecido status. E eu estraguei tudo, pois é óbvio que quem usa design sempre tem benefícios (seguiu-se, claro, a clássica frase de que não devia dar palpites sobre isso, uma vez que sou engenheira e não designer).

Um outro escreveu indignado dizendo que era uma irresponsabilidade de minha parte afirmar uma coisa dessas, pois ele sempre garantia resultados em seus projetos e agora os clientes poderiam duvidar da técnica; o sujeito ainda cunhou a expressão anti-marketing para descrever o que eu estava fazendo.

Um terceiro, pequeno empresário, disse que leu a entrevista todo empolgado, mas quando chegou nessa parte desistiu de aplicar o método, uma vez que, no Brasil, há que se ter muito cuidado em aplicar dinheiro sem ter garantias concretas. E ainda me agradeceu por eu ter aberto os seus olhos (?!).

Sério, não sei se fico mais triste pelos designers, que parecem não terem lido a entrevista (e se leram, não entenderam) ou pelo empresário, fadado a falir (se ele não queria correr riscos, por que abriu uma empresa?).

Lembrei disso porque essa semana li um texto sensacional da Helen Valters no ótimo Co.Design (achei no twitter, para quem acha que lá só tem BBB…) onde ela fala com todas as letras: "Design thinking não é uma cura milagrosa: ele não vai salvar você". Mas depois do balde de água fria, ela emenda que ele pode ajudar, e muito.

A primeira coisa que Helen deixa claro (que parece ainda estar bastante confuso na cabeça de alguns profissionais), é que design thinking não é design. O design thinking não substitui o trabalho que os designers normalmente fazem: é preciso continuar projetando embalagens, marcas, produtos, sites, peças gráficas e por aí vai, da mesma maneira como os designers sempre fizeram.

design thinking é uma ferramenta de inovação; é uma abordagem predominantemente de gestão, que se vale de técnicas que os designers usam para resolver problemas. A confusão é tão grande, mesmo lá na terra do Tim Brown, que Don Norman já chegou a dizer que design thinking era um termo que deveria morrer para não causar mais estragos.

Por outro lado, o design thinking, seja lá com o nome que tiver, embute um potencial excepcional para ajudar organizações, desde que elas não pensem que isso é algum tipo de mágica. O design thinking é um processo como qualquer outro. Precisa ser compatível com a cultura da empresa e necessita trabalho árduo para florescer e fazer parte do conjunto de ferramentas usadas na rotina de resolução de problemas do dia-a-dia dos profissionais.

Minha opinião é que o design thinking é uma das ferramentas para se fazer a gestão do design na empresa. Mas não é a única e nem resolve automaticamente todos os problemas.

Dito isso, há que se considerar que o design thinking é ótimo para fertilizar e nutrir ideias, basta lembrar que elas não nascem dentro de uma caixa preta. É útil, principalmente, quando a empresa não tem designers entre seus líderes e não está mergulhada uma cultura de design consolidada. Um bom exemplo é a Apple, que não usa formalmente o design thinking, mas respira design por todos os poros; e olha que ela é a empresa mais orientada ao design que se tem notícia.

Sim, design thinking é realmente um instrumento poderoso, que pode ajudar de verdade sua empresa inovar. Mas ainda assim é apenas uma ferramenta, incluindo todos os poderes e limitações que qualquer ferramenta tem.

Então, pessoas, é isso. Design thinking não é super-herói, não é investimento com retorno garantido, não é santo milagreiro, não é artista da moda, não é Viagra, não é design de produto e também não é o santo padroeiro dos empresários desesperados.

Mesmo assim, se eu fosse você, apostaria.

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Se você está vendo o termo design thinking pela primeira vez ou não entendeu muito bem essa conversa, convém ler isso aqui primeiro: design thinking e design de serviços.

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