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Coluna Fabrício Wolff | Novos tempos, velhos problemas
20 de Dezembro de 2017

Coluna Fabrício Wolff | Novos tempos, velhos problemas

Por Fabrício Wolff 20 de Dezembro de 2017 | Atualizado 20 de Dezembro de 2017

Uma manifestação das igrejas evangélicas em Blumenau no dia 8 de dezembro, com balões fincados em várias ruas, parques e praças da cidade, causou a maior confusão, especialmente nas redes sociais. A mensagem existente nos balões, bem como em outdoors espalhados pela cidade, até que era leve: “Família, projeto de Deus”. Porém, um panfleto que fazia parte da campanha trazia texto mais explicativo e deixava de lado famílias não ortodoxas, aquelas não compostas por um pai, uma mãe e filho(s).

Não é difícil adivinhar que simpatizantes e participantes do movimento LGBT saíram às turras sentindo-se discriminados, furando os balões, vociferando nas redes sociais, marcando encontro para protestos e todo aquele aparato barulhento de quem, além de discordar do conteúdo da campanha evangélica, ainda quer dar o troco. Naquele dia, na cidade, não se falou de outra coisa.

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Blumenau é um lugar (muito) chegado a polêmicas. Aqui, qualquer coisa é amplificada por mil. Logo, é muito natural que o tema em questão tenha acirrado os ânimos. E sempre que eles se acirram, o bom senso tende a ficar de lado. Tão mal feita quanto a comunicação da campanha foi o tom das críticas contra ela.

Em minha opinião, a campanha errou ao desconsiderar outras formas de família, inclusive sem discussões de gênero sexual. Uma mãe solteira e um filho, por exemplo, não podem ser considerados uma família?  Um casal heterossexual sem filhos não é uma família?  No momento em que a campanha deu o tom excludente, gerou mal estar não só nos que vociferaram contra ela, mas também nas demais categorias de família existentes. Poderiam ter apoio; conquistaram rejeição.

Ao mesmo tempo, os grupos mais abrasivos nesta discussão esqueceram que, assim como todos têm o direito de manifestar suas opiniões, o grupo de igrejas evangélicas que patrocinou a campanha também o tem. Assim como as paradas gays acontecem sem estardalhaço contrário, os evangélicos também têm direito de se manifestar. Porque uma posição ou opinião precisa se sobrepor à outra? Porque uma é aceitável e a outra não?

Não se pode esperar (muito menos querer obrigar ou impor) que pessoas mais tradicionais com forte posição religiosa, aceitem as rápidas mudanças que o mundo vive. Por outro lado, é visível, óbvio e ululante que o mundo mudou. Aqueles ensinamentos bíblicos de dois mil anos passados não podem mais ser levados tão ao pé da letra. A sociedade muda desde os primórdios dos homo sapiens. E continuará mudando, independente da vontade das igrejas ou governantes.

Mas o que mais me impressiona nesses novos tempos de tanta tecnologia, tanta “evolução”, tanta diversidade, é a má comunicação feita entre grupos oponentes em suas posições ideológico-religiosa-sexuais. Uma realidade incontestável da comunicação é que sempre que você espeta o outro (ou parte da sociedade) com seus argumentos, ou ainda tenta vencer um debate no grito, com ataques, de forma espalhafatosa e pouco sensata, não alcança o seu objetivo. A argumentação é um dos principais elementos que embasam a comunicação. Porém, mal usada, ela tende a conseguir resultado contrário do desejado.

Como diz uma frase que é grafada aqui, ali e acolá na cidade… + amor. Mas também + bom senso, + respeito à opinião alheia e, se possível, + inteligência no uso da comunicação.

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