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Coluna Fabrício Wolff | Tudo começa com a língua
05 de Dezembro de 2017

Coluna Fabrício Wolff | Tudo começa com a língua

Por Fabrício Wolff 05 de Dezembro de 2017 | Atualizado 05 de Dezembro de 2017

A língua portuguesa pode até não ser das mais fáceis, mas vivemos aqui e a aprendemos desde que nascemos. É neste idioma que ouvimos e dizemos nossas primeiras palavras. Talvez por isso mesmo seja tão impressionante e assustador ver como ela é mal utilizada em seu dia a dia. Tão difícil quanto aceitar, é tentar compreender porque isto acontece.

Estudiosos garantem que nossa educação de base na escola, neste quesito, é fraca e falha, apesar do esforço de muitos e muitos professores por este Brasil afora. Aqui no Sul, vivemos uma realidade. No interiorzão do Norte e Nordeste, os professores são verdadeiros heróis lutando contra a falta de condições e até mesmo de preparo.  

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Utilizar bem a língua portuguesa, por fim, é para poucos, infelizmente, se comparado aos mais de 200 milhões de brasileiros que povoam a terra tupiniquim. Mas não é possível colocar a responsabilidade somente nos professores. A falta de incentivo à leitura e à escrita em casa, na imensa maioria das vezes, é componente importante nesta criação de analfabetos funcionais que o Brasil produz.

Quando dei aula de Língua Portuguesa na graduação, durante um semestre, desesperei-me. Alunos de Jornalismo e Publicidade (não todos, claro, mas um percentual bem maior do que o desejado), que escolheram a comunicação como futura profissão, trocavam s por z, sorteavam o lugar das vírgulas, ignoravam a existência das crases. E, vamos lá: quando se comete esses deslizes, é fácil errar na concordância, não é possível esperar uma estrutura de texto convincente.

Uma vírgula pode parecer um sinalzinho despretensioso, mas faz toda a diferença.  Na língua portuguesa, tudo tem seu porquê (até os porquês tem quatro formas – e não apenas “usa uma na pergunta e outra na resposta”). As vírgulas mudam o significado daquilo que é escrito, assim como o uso de um dos quatro tipos de porquês também. E isso desemboca em se comunicar melhor, ser mais facilmente compreendido.

Como digo sempre aqui nos textos da coluna no Acontecendo Aqui, comunicar-se é uma arte. E a grande arte é emitir uma mensagem de forma que ela seja prontamente compreendida, sem dúvidas, sem hesitação, sem mal entendido. Utilizar bem a língua portuguesa é o início da chave para alcançar este resultado. Não que seja a única ferramenta. Mas, sem dúvida, tudo começa por ali.

E como dizem os iniciados, o primeiro passo para escrever bem, para ter mais intimidade com o idioma, é a leitura.
 

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