Jurados Brasileiros em Cannes: Entrevista com Emerson Braga, CCO Revolution Brasil – Grupo PPG
07 de Junho de 2015

Jurados Brasileiros em Cannes: Entrevista com Emerson Braga, CCO Revolution Brasil – Grupo PPG

 

 

O portal AcontecendoAqui, pela terceira vez, realizará a cobertura jornalística do Cannes Lions Festival com sua equipe trabalhando diretamente de Cannes, França. Sempre buscando, como faz em seus 13 anos de atividades, proporcionar aos seus leitores conhecimento de qualidade com resultado prático no seu dia-a-dia, na edição de 2015 também traremos o olhar regional sobre o que de mais relevante e útil ao nosso público for apresentado na semana do Cannes Lions. Para aquecer o olhar dos publicitários do Sul do Brasil para a Riviera Francesa, iniciamos hoje uma série de entrevistas com publicitários brasileiros selecionados para comporem os Júris das 18 Categorias e de dois novos Festivais 
 
Em continuidade á série apresentamos hoje a entrevista com Emerson Braga, CCO da Revolution Brasil – Grupo PPG, que julgará a categoria  Lions Health que avalia as ideias que foram criadas para os segmentos de Saúde e Bem-Estar.

 

Qual é a sensação em fazer parte da equipe de jurados em Cannes?

É uma sensação diferente, porque ser jurado em Cannes não é algo que você busca ou almeja, como um leão, por exemplo. Ele vem de forma natural, como resultado de um conjunto de bons trabalhos na sua trajetória profissional. É, sem dúvida, um dos maiores reconhecimentos da carreira de qualquer criativo. Outro fator importante na minha indicação foi ter, pela primeira vez, um jurado baiano em Cannes atuando no mercado regional. São os frutos colhidos pela Revolution, do Grupo PPG, o qual investe em todas as suas unidades de negócio. É uma ótima notícia para os nossos jovens talentos, que viam o eixo Rio-SP como única alternativa de obter sucesso internacional. E também para aqueles que saíram e hoje têm o nosso grupo como uma opção considerável para serem repatriados.

 

Quantas vezes já esteve em Cannes. O que você imaginava que seria Cannes e correspondeu com suas expectativas?

Essa é a sexta vez que vou ao Festival. E a cada ano eu vejo que a organização vem se preocupando em reinventá-lo. Novas categorias foram criadas – mais adaptadas às novas mídias , há palestras de outras áreas e também um Festival específico para a área de saúde. A única coisa que me frustrou um pouco foi a quantidade de troféus distribuídos nos últimos anos. Um único trabalho, por melhor que ele seja e mereça, não deveria ganhar 15, 20 estatuetas. Isso banaliza o prêmio e não é saudável para o Festival. A não ser que seja algo realmente fora de série. Mas até para isso existe uma categoria, a Titanium&Integrated, que premia as ideias mais inovadoras e as campanhas integradas realmente surpreendentes.

 

Qual é o valor do aprendizado e troca de experiências com criativos de diversos cantos do mundo ao seu lado na sala de julgamento?

Inestimável. É claro que hoje essa troca (não diretamente) é muito mais fácil. Antigamente você tinha que esperar pela Archive, pelos anuários dos festivais ou rezava para os donos de sua agência o levarem a algum evento internacional. Mas estar ao lado de grandes criativos do mundo todo é maravilhoso. Até para entender como é o processo de julgamento de um prêmio internacional. Às vezes não entendemos a decisão de um júri sobre uma peça ou campanha porque muitas vezes não sabemos os critérios que envolveram o processo decisório.

 

A Categoria que você vai julgar foi lançada no ano passado criando um parâmetro para os criativos de todo o mundo na forma de fazer corretamente a comunicação para Saúde e Bem-Estar. Você acha que o Brasil repetirá os bons resultados neste ano?

É difícil dizer se os trabalhos do Lions Health criam um parâmetro mundial, como acontece no Cannes Lions tradicional. Isso porque as regras e leis impostas pelo governo para a publicidade de saúde variam muito de país para país. Então, pode acontecer de o criativo ver as campanhas premiadas e descobrir que não poderia fazer nenhuma delas no seu país por causa da legislação. Com relação aos resultados, todos os anos espero que o Brasil evolua nas mídias que não têm tanta força. Mas quando vejo o ranking de inscrições, percebo que as agências continuam apostando mais na tradição do press e outdoor.

 

Cite um grande trabalho de sua empresa que vai concorrer em Cannes neste ano.

Nós temos algumas campanhas de que gostamos muito, mas, por ser jurado, prefiro não falar dos nossos trabalhos.

 

Você já ganhou algum leão em Cannes? Isto gerou algum resultado para a agência além do prêmio?

Sim, já ganhei alguns. Depende do que você chama de resultado. Cannes não traz resultados financeiros a curto prazo; pelo contrário: é muito caro. É preciso investimento em viagens, inscrições, etc. E sem nenhuma garantia de retorno (em leões). Mas quando você consegue ganhar, o resultado vem em forma de visibilidade, notoriedade, capacidade de estar alinhado ao que há de melhor no mundo da criatividade. Isso faz com que os bons profissionais do mercado procurem a sua agência e os que trabalham com você pensem melhor na hora de sair da empresa. Além disso, por menor e mais inflexível que seja o cliente, ela acredita que você está apto a resolver seu problema, mesmo que não seja da maneira mais criativa do mundo.

 

Cannes é só prêmio ou agrega também outros valores aos profissionais?

Cannes é um prêmio. O mais valorizado, sem dúvida. Agora, se esse prêmio vai acrescentar algum valor a sua carreira, vai depender de como você lida com essa conquista e a administra. Para os que ficam deslumbrados, achando que já são profissionais completos, que merecem um grande aumento porque já chegaram ao ápice da carreira, Cannes não agrega nada. Só atrapalha. Mas se você usar um leão como um incentivo, como algo que vai levá-lo a buscar desafios ainda maiores, novas construções de raciocínio, de amadurecimento profissional, aí sim Cannes vai somar muito a sua trajetória.

 

Como convencer um Diretor de Criação de uma agência regional a investir numa viagem a Cannes e buscar conhecimento?

Parando de pensar de forma regional. Não vendo Cannes como despesa, e sim como um investimento, tal qual um curso de especialização que você paga a um funcionário. Ninguém que foi a Cannes voltou pensando a propaganda da mesma maneira, porque sua cabeça deixou ser regional ou nacional para ser global. E não importa onde fica a sua agência. Vamos acabar com esse mito de que você só terá sucesso internacional se trabalhar em uma multinacional. Talento e perseverança não têm comprovante de residência.

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