A campanha de “Entre Abelhas” martela na mídia que se trata do primeiro drama estrelado por Fábio Porchat (“Meu Passado Me Condena”). E isso diz mais a respeito do tipo de comédia que se faz no Brasil que qualquer acusação da crítica especializada. Comédia brasileira é tão histérica que, quando um filme nacional apresenta humor refinado é logo taxado de drama. Que não fique dúvidas: “Entre Abelhas” é mesmo uma comédia, filiada ao humor do absurdo de Eugene Ionesco. A premissa pode até lembrar uma “Mulher Invisível” (2009) ao avesso, mas é basicamente “Rinocerontes” (1974), adaptação da peça de Ionesco em que Gene Wilder vê todos a sua volta se transformarem em rinocerontes. Só muda um detalhe. No filme de Porchat, dirigido pelo colega de Porta dos Fundos Ian SBF, todos a sua volta desaparecem.
