A arte de transformar
22 de Maio de 2013

A arte de transformar

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Prezamos profundamente nosso “eu”, estamos sempre exaltando e reiterando nossas posições a respeito dos assuntos que os outros nos propõem. Vivemos buscando, realmente, posições que nos afirmem e que nos permitam dizer com certeza: isso eu faria, isso não combina comigo, não gosto disso ou daquilo.

Agrega-se, nesses tempos pós-modernos, à necessidade de autoafirmação própria do desenvolvimento humano, uma ansiedade por encontrar um porto seguro em que se aninhem as nossas verdades particulares e eternas.

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Reagimos imediatamente quando alguém nos sugere adquirir algum hábito novo ou rever nosso pensamento sobre determinado assunto. Sentimos uma necessidade ímpar de proteger nossa individualidade moldando perfis rígidos e pouco permeáveis. Uma angústia por firmar bases sólidas em tempos de “modernidade líquida”.

São esses anseios particulares que dificultam o desencadear transformações coletivas para um modelo mais aberto e integrado de sociedade.

Curiosamente, é a capacidade que temos de fazer diferente, de inovar, criar, transformar, própria do ser humano. Foi a ousadia de avançar diante do desconhecido que possibilitou à humanidade alçar voos da descoberta do fogo à era digital.

Vivemos um momento único no que diz respeito à liberdade, e justamente nessa condição, nos mostramos temerosos com as mudanças que o mundo nos demanda.

Está claro que convivemos com realidades insustentáveis: a violência, a miséria, a poluição, o ódio, e a indiferença, que envenenam as águas, os alimentos, a Terra, a  degradação humana e ecológica em larga escala. Realidades que gritam por mudanças de atitudes, por uma profunda transformação das mentes e dos corações, que deem vazão a uma criatividade colaborativa, generosa e corajosa no sentido de um viver sustentável.

Reside nessa complexidade a nossa humanidade: buscamos compensar nossos temores cercando os acessos ao tesouro perdido do “eu” particular, quando é quebrando as barreiras e deixando entrar o “outro” (o próximo, o diferente, a outra ideia, etc), que nos fortalecemos como coletivo.  É na abertura à alteridade que nos lançamos em direção à sustentabilidade, que entretecemos os laços de uma rede flexível própria para enfrentar os desafios que virão.

A vida reclama pela arte, pela sensibilidade de expressar sentimentos e criar. É nesse ato de transformação – que também é de amor e doação – que somos plenamente humanos.

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