Na condição de seres livres e desamparados na qual nós humanos nos reconhecemos nestes tempos pós-modernos, a escolha passa a ter uma função não meramente prática, mas de afirmação pessoal e posicionamento diante do mundo.
Aprendemos que precisamos escolher sobre muitas coisas, a todo momento: o que comer, que roupa usar, onde morar, que transporte usar, com o que trabalhar, o que fazer nas horas de lazer, comprar ou não comprar, com quem andar, … a lista é infinita. Esse é um primeiro nível de escolha, que nos parece até fácil e objetiva.
No entanto, há um outro nível – subliminar – a essas escolhas. Nesse nível, as decisões referem-se a: falar ou não falar o que pensamos, conhecer e comprometer-se com as exigências da profissão ou agir no “piloto automático”, definir propósitos de vida ou simplesmente deixar-se levar, envolver-se amorosamente ou ter relacionamentos superficiais, e daí por diante.
De fato, decidir, resolver, escolher (sinônimos aparentes), nos exigem uma conduta, e seja ela ativa ou passiva, todavia sempre estará manifesta. Comunicamos nosso posicionamento, nossas “escolhas”, não apenas pelo discurso verbalizado, mas sobretudo, pelo comportamento. A soma dessas pequenas decisões conta da vida da gente, desenha a nossa história (que pode ser rica de personagens, desafios e felicidade, ou apenas recheada por outras coisas).
Decidimos por este ou aquele produto ou conduta a partir de juízos de valor. Logo, não apenas escolhemos, pois “julgar” é o verbo que está por trás da ação e da inação. Qual é o valor que nos move, e com o qual reiteradamente nos comprometemos dia após dia?
A reflexão é a chave da questão. Um julgamento irrefletido costuma não trazer bons resultados. Refletir é trazer à consciência os fatores envolvidos nas nossas escolhas de primeiro e de segundo níveis, é nos posicionarmos como protagonistas da nossa própria história e definirmos o enredo.
A sustentabilidade surge como proposta de valor. Além das escolhas práticas que nos fazem tomar um banho mais curto ou apagar a luz, de voltarmo-nos aos antecedentes e ao destino do material com o qual produzimos no dia-a-dia, ela implica responsabilidade, amor à vida, generosidade, cuidado.Quando nos propomos, afinal, a uma postura sustentável, nos âmbitos pessoal e social, um bom ponto de partida é o processo reflexivo, daí a fazer e comunicar. A expressão cotidiana de valores que respaldam a sustentabilidade é a força realmente capaz de promovê-la, é o que permite a dialógica que mantém a rede viva, o sentido humano coletivo.
