Sentido! A ditadura inconsciente imposta pelas palavras
07 de Abril de 2014

Sentido! A ditadura inconsciente imposta pelas palavras

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Dominar o pensamento das pessoas e tornar impossível todos os outros modos de pensar. Não pode haver fórmula mais adequada para se impor um totalitarismo, uma ditadura inconsciente com uma aparência de democracia e liberdade, sem a necessidade de uso da força. Tudo isso somente usando a manipulação da linguagem para definir a estrutura de pensamento e percepção de realidade das pessoas. Essa técnica de compra de consciências está mais em uso do que você imagina e se configura pela alteração do significado das palavras, enganando as aparências e escondendo a realidade.

O recente episódio dos estudantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), flagrados em uma operação da Polícia Federal usando entorpecentes que, em ato contínuo, invadiram a reitoria como forma de represália, demonstra o uso dessa manipulação sutil da linguagem. Sem entrar no mérito do episódio, se a ação foi correta ou abusiva, fato é que os estudantes, simpatizantes do movimento e mesmo os jornalistas se referiram à “ocupação” da reitoria e não à “invasão”. Uma rápida olhada no dicionário mostra que invadir significa “entrar violentamente, apoderar-se”, enquanto ocupar expressa “encher um espaço”.

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A sensível diferença entre o significado dos termos altera toda a percepção de realidade e legitima atos que nem sempre concordamos. Nas escolas da atualidade, os trabalhos não são mais “apresentados” (exibir, expor), mas todos eles são “socializados” (desapropriar por resgate, expropriar ou requerer certos meios de produção em benefício da coletividade). Os sentidos são alterados para implantação de determinadas ideias nas mentes menos críticas. É nesse jogo de cena por meio das palavras que se compram as consciências, se criam os mitos e as verdades aparentes e se mantêm o controle das massas.

Esse mecanismo não representa novidade, pois já foi retratado no livro 1984, de George Orwell, cujo romance mostra que o Big Brother mantinha o Ministério da Verdade para censurar e manipular a informação sob o slogan “Guerra é paz, liberdade é escravidão, ignorância é força, sofrimento é punição”. A distorção da linguagem, denominada de novilíngua, foi a forma encontrada para impor o Estado Totalitário. Essa mesma técnica foi amplamente utilizada na Alemanha Nazista e pode ser verificada no livro A linguagem do Terceiro Reich, de Victor Klemperer, que mostra como os sentidos das palavras eram alterados para que os alemães assimilassem a ideologia nacional-socialista.

Quando administradas em doses homeopáticas, em sentido oposto ao seu real significado, as palavras se assemelham a uma câmara de gás. São ingeridas sem qualquer reação e seus efeitos aniquilam os pensamentos indesejáveis em curto prazo. Palavras têm poder e conquistam pela aparência e simpatia para nos convencer e nos confundir. Por isso é importante conhecer a acepção de cada palavra, objeto de estudo da semântica, para não ser ludibriado pelo discurso do poder e nem se tornar escravo dos pensamentos alheios. O dicionário é a melhor arma para combater a ditadura velada imposta pelas palavras.

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