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O Ministério da Saúde adverte: ficar doente faz mal à saúde.
08 de Outubro de 2013

O Ministério da Saúde adverte: ficar doente faz mal à saúde.

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Minha sogra tinha um espírito de humor contagiante. Quando via alguém gripado ou se queixando de algum mal, saia-se com esse “conselho”, mas, para ser preciso, sem mencionar o Ministério, que é coisa minha. O que ela não percebia é que estava falando uma grande verdade, deve-se tratar da saúde antes que venha a doença, ou seja, aderir à tão propalada e pouco praticada medicina preventiva. Há alguns anos, em São Paulo, colaborei em projetos com esse propósito e sei como é difícil superar as barreiras burocráticas e políticas. Medicina preventiva passa, entre outras coisas, por saneamento básico, controle sanitário e educação e, se fosse aplicada, resultaria em enormes benefícios não só para as pessoas, mas também para a economia do país.

Por outro lado,o Ministério da Saúde também adverte: política de saúde deve ser eleitoreira. Vide o Programa Mais Médicos. Deixo claro, desde logo, que não sou contra o programa, até porque não tenho conhecimento suficiente para ser contra ou a favor. Sou contra é como ele está sendo implantado. Não é lógico e desejável que um projeto dessa magnitude, antes de implantado, seja discutido com instituições como associações e conselhos de medicina, universidades e população? Penso que não há dúvida a respeito, mas não é assim que pensa o governo, porque se o fizesse teria que envolver outras correntes de pensamento que não a do PT e teria que dividir os méritos da realização. Ora, isso interessaria à população, ao país, mas não aos propósitos eleitoreiros do governo. Então, fica do jeito que esta’, contestado, polêmico, carregado de intenções duvidosas.

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Mas uma coisa devemos admitir: eles foram muito rápidos em criar e lançar a campanha publicitária. A agência envolvida foi extremamente ágil, a não ser, claro, que já tivesse tudo pronto desde que o programa foi engendrado. O fato é que supostos habitantes de longínquos rincões deste Brasil puderam aparecer sorridentes e felizes na telas da TV, porque agora existe ali um médico para cuidar deles. É um abuso da ingenuidade da população e um ultraje às cabeças com um nível mínimo de raciocínio lógico a movimentá-las. Mas ninguém se importa se é propaganda mentirosa, se não cumpre a  missão de informar corretamente os feitos do governo. O que fica claro, pelo menos para mim, é que se trata de campanha eleitoral antecipada.

Alguém duvida?

A normalista e o lek lek

Já contei aqui para meus pacientes leitores que costumo acordar com uma música na cabeça. Pode ser a Jardineira, o Hino Nacional, Maria Candelária, a Canção do Expedicionário, All the way, não importa qual e nem sei por que ela se apresenta. O fato é que me lembro da letra e isso é notável, porque algumas são da minha infância. Dia destes acordei com A Normalista (não literalmente, claro), cuja letra, carregada de ingenuidade, peço licença para reproduzir aqui, com desculpas por eventuais erros provocados por falha de memória:

Vestida de azul e branco, trazendo um sorriso franco

No rostinho encantador,

Minha linda normalista rapidamente conquista

Meu coração sofredor.

Eu que trazia guardado, dentro do peito cerrado,

Um coração sem amor,

Estou bastante inclinado a entregá-lo aos cuidados

Daquele brotinho em flor.

Mas a linda normalista não pode casar ainda,

Precisa se formar.

Eu estou apaixonado, o pai da moça zangado

O remédio é esperar.

Afora alguns anacronismos de linguagem, como normalista (estudante do magistério, que usava um tradicional uniforme com saia azul e blusa branca) e brotinho em flor; ou de atitudes como pensar em casar e esperar, o que chama a atenção e explica que eu me lembre das letras é que há ali uma história embutida, como ademais em todas as canções da época. Exatamente como está se recomendando que a propaganda volte a ser, que não seja só um modelo bonito e uma marca ou apenas um conjunto de efeitos especiais, mas que volte a ser story telling, contadora de histórias. Torcemos todos para que venha a ser assim.

Já em matéria de música, não há mesmo muito o que lembrar das tchans, lek lek, ai se eu te pego e que tais, concordam?

Só que Hugo Rodrigues, da Publicis, que fez excelente palestra na abertura do Midia Sul 2013, me convenceu que eu é que sou ponto fora da curva, que a grande maioria da população, com ênfase na classe C, gosta mesmo é disso. E são eles que movimentam a roda do consumo.

Então vamos servi-los e quem sabe a minha normalista acabe rebolando ao som do lek lek.

 

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