Em sua coluna no Acontecendo Aqui, inspirado no livro “No Centro do Poder” de Regina Augusto (Editora Meio e Mensagem), Elóy Simões nos conta alguns causos daquela época. Não li o livro, mas acredito piamente nos critérios do Elóy e assumo que deva ser mesmo ótimo. Mas não pude deixar de lembrar que em 2007 a editora lançou “Campanhas Inesquecíveis”, com a coordenação e apresentação da mesma Regina Augusto. Recebi das mãos do Salles Neto e fui imediatamente percorrendo o sumário, para ver se havia alguma que eu tivesse participado diretamente. Havia. A célebre campanha da Pepsi Cola, com música de Sá, Rodrix e Guarabira, considerada uma pérola da publicidade brasileira, a ponto de ter sido gravada e vendida no mercado com imenso sucesso, e cujo refrão uso como título para este artigo.
Na condição de diretor de marketing da Pepsico para o Brasil naquela época, como não poderia deixar de ser, tive total envolvimento nesse trabalho, que marcou o início de nosso relacionamento com a Salles. Envolvimento que começara bem antes, no processo de seleção da agência.
Lamento dizer que a Regina foi completamente traída por seus pesquisadores nesse caso. A matéria está cheia de erros no que se refere a pessoas, detalhes históricos e de mercado. Não sei se o fato se repete em outras campanhas ali registradas, mas no caso da Pepsi foi frustrante.
Na seleção de agência, além da Salles estavam sendo avaliadas também Standard e DPZ. Em nossa visita à Salles (me acompanhavam o presidente da empresa Arno Haag e o diretor de marketing para a América Latina, Juan Carlos Peres Ferrero) fomos levados à sala do Mauro e uma secretária nos ofereceu refrigerantes, enquanto esperávamos sua chegada. Abriu acintosamente o frigobar repleto de Pepsi, o que nos fez sorrir, pois em condições normais seria Coca Cola a preencher as prateleiras. Mauro nos levou à sala de reuniões, fez a apresentação institucional da agência e passou o bastão para Haroldo Bariani, depois de pedir desculpas por ter que se ausentar “para atender um chamado do ministro”. Um mestre o Mauro Salles. A partir daí assume o Haroldo, que começa dizendo que se sentia muito honrado em fazer aquela apresentação para a Coca Cola (ops!). Apesar disso, a conta foi para eles e considero que a escolha tenha sido a melhor.
Roberto Duailibi, num gesto de grande elegância, quando informei que a DPZ não tinha sido escolhida, me convidou para um almoço. E me pediu licença para escrever à direção da Pepsi nos Estados Unidos para protestar. Claro que ele estava em seu direito, mas o argumento era que a DPZ, uma agência inteiramente brasileira, tinha várias contas multinacionais e não via porque nossa subsidiaria no Brasil teria que escolher uma agência estrangeira – ele pensava que a escolha havia recaído na Stardard Ogilvy. Meu diretor na matriz pediu que eu respondesse, o que fiz com um parágrafo, que dizia mais ou menos o seguinte: “… concordamos inteiramente com seus argumentos, tanto que estamos contratando a Salles, uma agência totalmente brasileira …”
As menções jocosas que Elóy faz ao saudoso Geraldo Alonso me lembraram de uma passagem típica. Geraldo mantinha na Norton um sofisticado restaurante onde, a seu convite, estávamos almoçando, os diretores da ABAP, inclusive Luiz Salles. Em determinado momento,Geraldo chama um garçom: Mauro Salles. Inevitável que alguém fizesse a observação “você tem um garçom chamado Mauro Salles?” e ele: “contratei, porque assim eu chamo e digo Mauro Salles seu pistoleta f. d. p. me sirva aqui um cafezinho”.
Bons tempos, linda campanha da Pepsi.
