Na esteira das recentes eleições municipais, muito se tem comentado sobre o desempenho das pesquisas de intenção de voto e sobre as ações nas redes sociais da internet.
Tomemos Joinville por exemplo, onde Udo Döhler (PMDB) foi eleito prefeito com 54,65% dos votos contra 45,35% de Kennedy Nunes (PSB) no domingo, e o Ibope havia divulgado na sexta-feira pesquisa que apontava Kennedy com 59% das intenções de voto, contra 41% de Udo.
Em entrevista dada ao DC, a diretora do Ibope Márcia Cavallari, para explicar a diferença dos números, diz que “a velocidade do acesso às informações e fatos novos podem levar o eleitorado a mudar de opinião na última hora; qualquer fato pode gerar clima, gerar uma onda em favor de um candidato. As definições do eleitor estão acontecendo cada vez mais tarde”. Até aí nada de novo, mas começamos a entender o que se passou quando ela acrescenta “infelizmente, não fizemos outras pesquisas após o debate; usamos a mesma equipe e a mesma metodologia do primeiro turno, mas mudanças não foram captadas porque ocorreram fatos na campanha após a pesquisa que havíamos feito”. E conclui dizendo que levando em consideração as “pesquisas divulgadas antes dos debates, as realizadas e divulgadas no sábado e as de boca de urna (em todo o país), nosso percentual de acerto é de 98%”.
Lembro a grande repercussão que teve sobre a opinião do eleitorado norte americano o primeiro debate entre Obama e Romney e sou levado a concluir que o fato de não terem sido feitas pesquisas após os debates em Joinville deve explicar a diferença entre prognóstico e resultado.
É de se notar que há apenas quatro anos, na ultima campanha em que participei, o debate na TV entre candidatos era orientado pelas assessorias, que aproveitavam os intervalos para comentar e corrigir as posturas e os discursos, com base em suas avaliações pessoais. No debate entre Udo Döheler e Kennedy Nunes, uma equipe monitorava em tempo real as reações de eleitores pelo twiter, facebook, etc. e passava os dados para a assessoria de Udo, que assim dispunha de elementos muito mais realistas para seu trabalho. Uma evidente demonstração de que estamos mesmo vivendo tempos de mudanças extremamente velozes.
Não atuei nestas últimas eleições, mas pude acompanhar o trabalho da Hive na gestão das mídias sociais em Joinville e Lages, justamente para os vencedores, Udo Döheler e Elizeu Matos. Aliás, deve-se à sua equipe a ação acima mencionada durante os debates. E semana passada o AcontecendoAqui publicou um artigo de Anthony Johann, Diretor de Planejamento e Coordenador Político da Hive, mostrando que se por um lado o Ibope (leia-se institutos de pesquisas) amargou eventuais erros, o Google acertou em cheio.
Diz ele que o Google acertou mais que as tradicionais pesquisas eleitorais porque o buscador foi importante fonte de informações sobre propostas, histórico e opiniões dos candidatos. Ora, como tudo que é pesquisado no Google fica armazenado, os dados, que são públicos, permitem que se estude as tendências de busca da população. Perguntas como ‘qual o candidato mais pesquisado no Google?’, ‘qual o site de campanha mais acessado?’ ou ainda ‘quais propostas estão sendo mais buscadas?’ podem ser facilmente respondidas através deste banco. Assim, não só se consegue orientar a campanha de forma muito mais dinâmica, como também aferir o interesse do eleitorado em relação ao candidato. No segundo turno em Joinville, enquanto as pesquisas apontavam o candidato do PSD como primeiro colocado, os dados do Google mostravam um cenário diferente: o nome de Udo era pesquisado muitas vezes com o dobro do volume do adversário, indicando um resultado que contradizia muito o prognóstico do IBOPE, mas que acabou sendo muito parecido com o resultado final do pleito.
Não se trata de crucificar pesquisas e endeusar a internet, mas o que fica insofismavelmente claro é que há um caminho interessantíssimo a ser percorrido em preparação para campanhas eleitorais de 2014. E quem estiver nessa estrada sai na frente.
